Início Notícias Sob Alcolumbre, PEC da escala 7×0 anda mais rápido que fim da 6×1
Notícias

Sob Alcolumbre, PEC da escala 7×0 anda mais rápido que fim da 6×1

ICL

2 de junho de 2026

A tramitação das propostas sobre jornada de trabalho no Senado começou sob ritmos bastante diferentes. Enquanto a PEC 221/2019, aprovada pela Câmara dos Deputados e que prevê o fim da escala 6×1, segue aguardando despacho formal no Senado, a PEC 12/2026, conhecida como “PEC da escala 7×0”, articulada pela oposição e ligada ao senador Rogério Marinho (PL-RN), já avançou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e começou a receber novas assinaturas de parlamentares.

A diferença de ritmo ocorre sob a presidência de Davi Alcolumbre (União-AP), que marcou para esta terça-feira (2) uma reunião de líderes para discutir a tramitação das propostas relacionadas à jornada de trabalho.

No caso da PEC que reduz a jornada aprovada pela Câmara, o Senado registrou apenas a autuação da matéria no último dia 28 de maio. O sistema da Casa informa que a proposta ainda “aguarda despacho” — etapa inicial antes do envio formal às comissões.

Já a PEC 12/2026, criticada por parlamentares e centrais sindicais por abrir espaço para ampliação da jornada e flexibilização de direitos trabalhistas, teve andamento imediato no mesmo dia em que foi protocolada. Em 28 de maio, o texto já havia sido despachado à CCJ, passou a aguardar designação de relator e começou a receber requerimentos de adição de assinatura de senadores.

Entre os parlamentares que apresentaram requerimentos para inclusão de assinatura estão Jayme Campos (União-MT), Nelsinho Trad (PSD-MS), Carlos Viana (Podemos-MG), Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) e, posteriormente, Ivete da Silveira (MDB-SC).

A escala 7×0

A proposta ficou conhecida como “PEC da escala 7×0” por abrir espaço para um modelo de jornada baseado em remuneração por hora trabalhada e flexibilização das escalas. Na prática, críticos da proposta afirmam que o texto pode permitir jornadas distribuídas ao longo dos sete dias da semana, desde que respeitado o limite semanal de horas previsto em negociação.

O texto vem sendo alvo de críticas de parlamentares ligados à defesa da redução da jornada de trabalho. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora da PEC do fim da escala 6×1, afirma que o texto defendido por Rogério Marinho pode abrir caminho para uma “escala 7×0”, ao ampliar a possibilidade de contratos baseados exclusivamente em horas trabalhadas e flexibilizar a organização da jornada.

“Essa PEC já está na Comissão de Constituição e Justiça e pode ser aprovada nesta semana. Os senadores que assinaram precisam ser pressionados para retirarem suas assinaturas e aprovarem a nossa PEC pelo fim da 6×1 sem alterações”, declarou a deputada.

O deputado Rogério Correia (PT-MG) também criticou a proposta da oposição. Em publicação nas redes sociais, afirmou que “o fim da 6×1 corre perigo” e acusou Rogério Marinho de apresentar uma alternativa para barrar a redução da jornada aprovada pela Câmara.

A iniciativa é vista por centrais sindicais e parlamentares da base governista como uma tentativa de substituir o debate sobre redução da jornada e fim da escala 6×1 por um modelo mais flexível para empregadores. Defensores da PEC argumentam que o texto moderniza as relações de trabalho e amplia a liberdade de negociação entre patrões e empregados.

“O fim da 6×1 corre perigo! O senador Rogerio Marinho, responsável pelo programa de Flávio Bolsonaro, protocolou emenda para barrar o fim da jornada 6×1, que aprovamos na Câmara, instituindo escala 7×0 via pagamento por horas trabalhadas”, afirmou o deputado nas redes sociais.

Nos bastidores do Senado, a avaliação de parlamentares é de que a oposição conseguiu ocupar espaço político antes mesmo do início efetivo da tramitação da PEC aprovada pela Câmara. A movimentação também ocorre após declarações do senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, indicando que as propostas podem acabar sendo discutidas conjuntamente ou até sob a mesma relatoria.

A estratégia é vista por integrantes da base governista como uma tentativa de deslocar o debate da redução da jornada semanal para um modelo de flexibilização trabalhista. A preocupação aumentou após a PEC alternativa ganhar tração dentro da CCJ antes mesmo da proposta principal avançar formalmente no Senado.

Compartilhe

Mais resultados...

Generic selectors
Apenas pesquisar exatas
Pesquisar no título
Pesquisar no conteúdo
Post Type Selectors

Receba notícias de interesse da categoria!

Informação confiável é no Sindicato, cadastre-se para receber informações!

O SEEB Santos e Região foi fundado em 11/01/1933. As cidades da base são: Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente, Santos, Cubatão, Guarujá e Bertioga. O Sindicato é filiado à Intersindical e a Federação Sindical Mundial (FSM).

 Política de Privacidade

  ACESSAR EMAIL

Fale Conosco