Movimento sindical critica apresentação superficial do programa e demonstra preocupação com impactos sobre metas, remuneração variável e aumento da pressão nas agências
Representantes dos funcionários do Santander se reuniram virtualmente, na quarta-feira (20), com o banco para a apresentação do programa “Conduta Certo”.
A avaliação da representação sindical é de que o banco trouxe uma apresentação superficial, sem detalhar adequadamente o funcionamento do programa e seus impactos práticos sobre os trabalhadores.
Apesar da tentativa do banco de apresentar o programa como ferramenta de “qualidade” e “segurança”, a reação da representação dos trabalhadores foi de forte preocupação com o aprofundamento da cultura de cobrança, vigilância e punição dentro do Santander.
A coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) Santander, Ana Marta de Lima, afirmou que os bancários enxergam o programa como mais um mecanismo de pressão e estão descontentes com a mudança. “Mais uma vez o banco implementa uma mudança que afeta diretamente os trabalhadores sem nenhuma negociação com o movimento sindical. A sensação dos bancários é que este programa foi atualizado para impactar na remuneração variável que esses trabalhadores teriam que receber. Existe muita preocupação sobre como essas avaliações serão utilizadas no dia a dia e quais consequências poderão trazer para os funcionários”, afirmou.
A dirigente sindical também criticou o fato de o programa desconsiderar a realidade das agências e departamentos, onde os trabalhadores convivem diariamente com sobrecarga, redução de quadros e pressão intensa por resultados.
Para Fabiano Couto, dirigente sindical de Santos e Região, é inaceitável o fato de o banco não ouvir os trabalhadores que estão nas agências e muito menos não negociar com o movimento sindical a imposição desses programas, que só aumentam a pressão por metas e acabam adoecendo os trabalhadores.
A COE Santander afirmou que continuará acompanhando a implementação do “Conduta Certo” e cobrando transparência, respeito às condições de trabalho e garantias de que o programa não seja utilizado como instrumento de perseguição ou aumento da pressão sobre os bancários.