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Somente a mobilização dos empregados poderá trazer avanços nas negociações com a Caixa

1 de junho de 2026

A direção da Caixa Econômica Federal voltou a frustrar os empregados e empregadas durante a rodada de reuniões com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), realizada terça-feira (26), em Brasília. A empresa não apresentou respostas efetivas para temas que impactam diretamente a vida dos trabalhadores, como Saúde Caixa, remuneração variável, transformação digital, atendimento remoto e condições de trabalho. O banco limitou-se a prometer estudos, avaliações e imersões técnicas, sem anunciar medidas concretas.

Aumento da pressão

Os dirigentes sindicais relataram o agravamento da sobrecarga e da pressão nos locais de trabalho, situação que vem provocando adoecimento entre os trabalhadores. “Os empregados relatam aumento da pressão, sobrecarga operacional, perdas financeiras e crescimento dos casos de adoecimento, ao mesmo tempo em que precisam atender simultaneamente clientes pelos canais presencial e digital”, afirmou o coordenador da CEE/Caixa, Felipe Pacheco.

“Mostramos ao banco esse cenário em mesa e cobramos respostas concretas, mas a Caixa segue adiando decisões sobre questões que afetam diretamente a saúde, a renda e o futuro dos empregados”, completou.

“Por conta da omissão da diretoria e superintendentes, a rotina de pressão e adoecimento para o cumprimento de metas, não é levada a sério pelo banco”, afirmam os dirigentes sindicais, que defendem a mobilização dos bancários para que as negociações avancem.

Transformação digital

A ampliação dos projetos de atendimento remoto e da integração “figital” — que combina atendimento presencial e digital — também preocupa os empregados. A Caixa apresenta o processo como uma “modernização”, mas os sindicatos denunciam que, na verdade, ele tem significado precarização das condições de trabalho, aumento da pressão por resultados e crescimento do adoecimento da categoria.

Gerentes e demais empregados relatam dificuldades para conciliar o atendimento presencial com as demandas digitais, em um ambiente marcado por metas elevadas, insegurança operacional e falta de clareza sobre os indicadores de desempenho. As entidades sindicais cobraram informações sobre os impactos do modelo na saúde mental dos empregados e solicitaram acesso aos dados de afastamentos relacionados ao trabalho.

Críticas ao Super Caixa

O programa Super Caixa também foi alvo de críticas. Os sindicatos afirmam receber reclamações de empregados de todo o país sobre regras consideradas obscuras, mudanças frequentes nos critérios de avaliação e penalizações decorrentes de fatores que fogem ao controle dos trabalhadores. A CEE/Caixa cobrou ainda transparência, apresentação de simulações comparativas entre os modelos de remuneração variável e abertura de negociação efetiva sobre o programa. Segundo os sindicalistas, a situação enfrentada pelos empregados da rede em decorrência do Super Caixa contrasta com o vídeo institucional da Caixa Vida e Previdência que circulou nas redes sociais, na terça-feira (26/05). Após uma enxurrada de comentários negativos, a publicação foi excluída do perfil da empresa no Instagram. A representação dos trabalhadores voltou a cobrar mais transparência da Caixa e reiterou a exigência de que qualquer reestruturação seja debatida previamente com as entidades sindicais, conforme previsto no acordo coletivo.

Preocupações com o Saúde Caixa

A representação dos trabalhadores também cobrou a retomada imediata das negociações sobre o Saúde Caixa, tema central da Campanha Nacional dos Bancários 2026. As entidades reforçaram a defesa do plano de saúde e a necessidade de derrubada do teto de custeio imposto pela própria Caixa em seu estatuto. Segundo os sindicatos, o mecanismo aumenta a participação financeira dos empregados e gera insegurança sobre a sustentabilidade do plano. Outro ponto criticado é a ausência de participação da Caixa no custeio do plano de saúde dos empregados admitidos a partir de setembro de 2018, situação que afeta cerca de 15 mil trabalhadores.

Projeto Gênesis

Outro tema debatido foi o Projeto Gênesis. Durante a reunião, a Caixa assumiu o compromisso de “não promover ranqueamentos das unidades participantes do projeto”, reivindicação apresentada pela representação dos trabalhadores, que teme o aumento da competição interna e da pressão sobre as equipes.

As entidades cobraram transparência nos critérios utilizados para definir as ondas de migração, participação efetiva dos trabalhadores nos projetos-piloto e escuta das equipes diretamente impactadas pelas mudanças.

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