Sindicatos defendem proporção de custeio 70/30 e que não haja reajustes, além da manutenção da solidariedade e do pacto intergeracional
As despesas assistenciais do Saúde Caixa tiveram um crescimento de 21,4% em um ano. É o que aponta o relatório atuarial elaborado a pedido da Caixa, após prazo previsto no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) ao Conselho de Usuários do Saúde Caixa (CUSC). Enquanto em 2024 as despesas assistenciais do Saúde Caixa foram de R$ 3.537 bilhões, em 2025 somaram R$ 4,294 bilhões. Os dados apresentados, como o crescimento das despesas do plano acenderam o alerta do movimento sindical. O balanço de receitas e despesas do plano em 2025 resultou em um déficit de R$ 627 milhões, que foi quase que totalmente coberto pela Caixa com o aporte de R$ 581 milhões previsto pelo ACT aprovado ano passado, que também garantiu a manutenção das alíquotas e valores de mensalidades até agosto deste ano.
As alternativas apontadas pela consultoria contratada pela Caixa para trazer equilíbrio ao plano são totalmente contrárias as reivindicações sindicais. Nas considerações finais do relatório, a assessoria do banco indica a implementação de um modelo de custeio baseado em faixas etárias, e afirma que outra medida eficaz para controlar as despesas assistenciais seria realizar um melhor controle e “restrição da rede credenciada”.
Na última pesquisa de satisfação realizada pela Caixa, uma das perguntas incluídas no formulário indagava os usuários sobre quais seriam os fatores que o fariam sair do Saúde Caixa. Os dois principais motivos assinalados pelos usuários do plano foram exatamente o aumento do custo e a qualidade/abrangência da rede credenciada, apontados respectivamente por 46,8% e 28,5% dos respondentes. A realização desta pesquisa é prevista pelo ACT, e foi aplicada em dezembro de 2025, tendo sido respondida por 15.966 usuários do plano.
Os sindicatos têm lutado para manter a alíquota de mensalidade do titular em 3,5%, e em 2025 manter inalterado também o valor da mensalidade do dependente, em R$ 480,00, e o teto para o grupo familiar, em 7%.
“Se aumentar o valor e diminuir a rede não conseguiremos mais custear a manutenção do Saúde Caixa. A mobilização dos empregados é fundamental pelo fim do teto, pela aplicação do modelo 70/30, e pela defesa da solidariedade e do pacto intergeracional”, avalia Mateus Lima, empregado Caixa e dirigente sindical de Santos e Região.