O BIS, “Banco Central dos Bancos Centrais”, prevê para 2027 implementação do Pix Internacional, que vai reduzir a drenagem de dinheiro de Visa e Mastercard e reduzir influência dos EUA
Para o governo dos EUA, o meio de pagamento público e gratuito criado no Brasil prejudica as bandeiras dos cartões de créditos, que chegam a cobrar 5% de taxa sobre compras. Dinheiro que é drenado para o sistema financeiro sediado em Wall Street.
E o método brasileiro tem potencial para causar um estrago muito maior através do Projeto Nexus, tratado como Pix internacional, que vem sendo arquitetado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) – considerado o “Banco Central dos Bancos Centrais” – e que pode entrar em operação já em 2027.
O Banco Central dos Bancos Centrais
O Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês para Bank for International Settlements) é uma organização internacional sediada em Basileia, na Suíça, que reúne bancos centrais de dezenas de países para promover a cooperação monetária e financeira global. Por seu papel de coordenação e por oferecer serviços financeiros exclusivamente a bancos centrais, é frequentemente chamado de “o banco central dos bancos centrais”.
Buscando a descentralização e a modernização das transações financeiras, o BIS criou em 2021, o projeto Nexus prevê a conexão de sistemas de pagamento instantâneo de cerca de 60 países sem passar pelo sistema Swift, que é controlado pelos EUA.
O Nexus Global Payments, desenvolvido a partir de um projeto do BIS Innovation Hub, foi concebido para interligar sistemas como o Pix brasileiro a outros meios instantâneos de pagamentos como o UPI da Índia e o PromptPay da Tailândia.
O objetivo é permitir pagamentos internacionais de forma mais rápida, barata e eficiente sem exigir que cada país utilize necessariamente as redes tradicionais de cartões ou estabeleça conexões bilaterais individuais, esvaziando o poder do sistema financeiro controlado pelos EUA.
Operação em 2027
No documento “Aprimorando os pagamentos transfronteiriços: estado atual e perspectivas futuras”, divulgado pelo BIS em dezembro de 2025, o banco estima que o projeto Nexus pode entrar em fase de testes já em 2027, o que causaria uma implosão do sistema financeiro tradicional, ligado fisiologicamente aos EUA, de Donald Trump.
“A interligação dos sistemas de pagamentos instantâneos (FPS, na sigla em inglês) oferece um potencial significativo. O Nexus Global Payments, por exemplo, originado de um projeto do BIS Innovation Hub (BISIH), pretende iniciar suas operações até meados de 2027”, diz o texto, em inglês.
Segundo o documento, “os bancos centrais e os demais agentes do setor público podem liderar pelo exemplo” e convida os governos a se engajarem na luta pela implementação do novo sistema, uma das principais bandeiras do presidente Lula no campo econômico internacional.
“As jurisdições podem desenvolver planos de implementação para demonstrar compromisso e responsabilidade. Também podem priorizar recomendações destinadas a reduzir entraves regulatórios desnecessários relacionados ao acesso às infraestruturas de pagamento e à aplicação dos controles de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo”, diz o texto, sugerindo que há parcialidade na prevenção desses crimes pelo sistema controlado pelos EUA.
Para o BIS, a “adoção de tecnologias como a tokenização tem potencial para aprimorar os pagamentos internacionais”.
“Entretanto, a tecnologia, por si só, não é capaz de melhorar os pagamentos internacionais. Ela não resolve desafios relacionados à governança entre países nem o desalinhamento de incentivos e esforços entre uma ampla diversidade de participantes”, diz o texto, sugerindo sabotagem por governos alinhados aos meios tradicionais, ligados às bandeiras de cartões de crédito.
“Isso reforça a necessidade de que as autoridades públicas promovam soluções tecnológicas dentro de um marco jurídico e regulatório sólido, sustentado por mecanismos robustos de governança e supervisão. À medida que essas inovações evoluem, será fundamental compreender como as novas infraestruturas de pagamento interagem entre si e com os sistemas já existentes, bem como avaliar seus impactos sobre o ecossistema global de pagamentos e sobre a estabilidade financeira”, conclui o texto.
Em linha com a análise do banco, o sistema de pagamento brasileiro é, atualmente, exemplo no mundo e por isso o projeto Nexus vem sendo chamado de Pix Internacional, ameaçando a hegemonia de Visa e Mastercard – e consequentemente dos EUA – no xadrez financeiro mundial.