Ação celebra os 25 anos da livraria de rua e vai transformar o tradicional parklet do Gonzaga, em Santos, em um ‘Banco Vermelho’ — símbolo internacional de conscientização e memória das vítimas de gênero.
SANTOS/SP – Em meio ao alarmante crescimento dos casos de violência de gênero, o Coletivo Feminista Classista Maria vai com as Outras uniu forças com a tradicional Realejo Livros para lançar uma mobilização regional. A iniciativa, que também celebra os 25 anos da livraria de rua, busca engajar entidades, movimentos sociais e a população da Baixada Santista na campanha Feminicídio Zero. O marco central da ação será a transformação do parklet em frente à Realejo, no coração do Gonzaga, no primeiro “Banco Vermelho” da área comercial do bairro.
O movimento do Banco Vermelho é um manifesto mundial. Ao revitalizar e pintar o espaço público de vermelho, a campanha cumpre um papel triplo: honrar a memória das mulheres vítimas de feminicídio, alertar a sociedade sobre os sinais de relacionamentos abusivos e divulgar de forma explícita os canais de denúncia, como o Disque 180.
Cultura e literatura como ferramentas de transformação social
A escolha da Realejo Livros como ponto central desta ação não é por acaso. Há um quarto de século, a livraria de rua atua como um farol cultural em Santos, um espaço onde as ideias circulam e a empatia é cultivada. Os organizadores destacam que a leitura e o acesso à cultura são ferramentas fundamentais para desconstruir o machismo estrutural e combater a violência na raiz.
A literatura abre caminhos para o diálogo, humaniza as estatísticas e dá voz a realidades muitas vezes silenciadas. Ter uma livraria parceira nesse movimento reforça que o combate à violência contra a mulher também se faz com educação, arte e ocupação cidadã dos espaços urbanos.
O protagonismo das escritoras como rede de fortalecimento
Um dos pontos altos dessa parceria é celebrar o papel da mulher no mercado editorial. O crescimento expressivo no número de mulheres escritoras, poetisas e pensadoras publicadas nos últimos anos tem sido um motor essencial de emancipação. Nas prateleiras da Realejo, a presença feminina nas narrativas tem crescido de forma sólida.
Quando uma mulher escreve, ela valida a vivência de tantas outras. A literatura produzida por mulheres cria uma rede de identificação poderosa: ao lerem sobre dores, abusos, mas também sobre superação, autonomia e coragem em páginas escritas por suas semelhantes, as leitoras encontram forças para romper ciclos de silenciamento. Dar visibilidade a essas vozes em um espaço físico e cultural é uma forma direta de fortalecer e proteger a comunidade feminina.
“Santos sempre foi uma cidade de vanguarda e diálogo. Agora, precisamos que ela seja, acima de tudo, uma cidade de proteção e memória. Unir a força transformadora dos livros a essa causa nos permite usar a cultura como um escudo e uma ferramenta de conscientização. Queremos transformar esse ponto de convivência em um símbolo vivo de luta, tirando os dados frios dos relatórios e trazendo-os para o centro do debate público”, afirmam os organizadores.
Números que alertam para a urgência
A urgência da campanha é respaldada por dados recentes e alarmantes da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e de monitoramentos locais referentes ao início de 2026:
⦁ Na Baixada Santista: Apenas nos dois primeiros meses de 2026, os índices de violência contra a mulher (que incluem agressões, ameaças e feminicídios) registraram um aumento de quase 20% em comparação ao mesmo período do ano passado.
⦁ No Estado de São Paulo: O estado lidera o ranking nacional com 86 casos no primeiro trimestre de 2026. O ano de 2025 já havia sido o mais violento da série histórica, e a tendência de alta se mantém, com um salto de 45% nas vítimas apenas no mês de fevereiro.
⦁ No Brasil: Entre janeiro e março de 2026, o país registrou 399 vítimas de feminicídio — o que representa uma morte a cada 5 horas e 25 minutos. Na esmagadora maioria dos casos, os autores são maridos, namorados, companheiros ou ex-parceiros das vítimas.
Como a sociedade pode contribuir
Para tirar o projeto do papel e espalhar a mensagem de prevenção, os organizadores estão convocando o apoio de moradores, comércios e empresas da região. A campanha busca arrecadar recursos para três frentes principais:
1 – Divulgar a campanha de arrecadação para viabilizar o espaço;
2 – Reformar e pintar o parklet em frente à livraria;
3 – Pintar frases de conscientização e o número do Disque 180.
Como ajudar e participar:
As doações financeiras de qualquer valor podem ser feitas diretamente para a campanha.
Chave PIX: CNPJ 04.440.268/0001-03
⦁ Banco Itaú
⦁ Titular da conta: Realejo Livros
Sentar e refletir, levantar e agir. Pelo fim da violência. Por todas as mulheres da Baixada. Pelo direito de ocupar a cidade em paz.
Contatos para a Imprensa / Entrevistas:
⦁ Nome: Cidinha Santos (13) 99761 3779) | Leila Kesseler (13) 99195 5650, do Coletivo Feminista Classista Antirracista Maria vai com as Outras
⦁ Nome: José Luiz Tahan (13) 99108 8399, Livraria Realejo
⦁ Redes Sociais: @marias_coletivofeminista @realejolivros
