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Sindicalistas criticam privatização de distribuidora com reajustes abusivos

Agência Brasil

16 de março de 2026

O aumento do diesel anunciado pela Petrobras voltou a acender o debate sobre a estrutura do mercado de combustíveis no Brasil. A estatal informou que o preço do diesel vendido às distribuidoras terá reajuste de R$ 0,38 por litro, elevando o valor médio para R$ 3,65.

Para a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o episódio evidencia limitações criadas pela reestruturação do setor ocorrida nos últimos anos. Segundo a entidade, a venda de refinarias e a privatização da BR Distribuidora, em 2019, reduziram a capacidade do país de regular o mercado e garantir estabilidade de preços.

A federação defende que a Petrobras retome uma atuação integrada em toda a cadeia do petróleo, “do poço ao posto”, ampliando o parque de refino nacional e fortalecendo a presença na distribuição e comercialização de combustíveis.

Ao anunciar as medidas para evitar o aumento do diesel, os ministros também destacaram os impactos da privatização da BR Distribuidora. “Era muito importante para o país a Petrobras ter uma participação minoritária no mercado como balizador de preço”, afirmou Rui Costa, ministro da Casa Civil. “Hoje o consumidor não tem alternativa”, completou, citando concentração excessiva no varejo.

O ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira foi enfático: “Foi um crime lesa-pátria desfazer da nossa BR Distribuidora”. As novas medidas buscam compensar essa fragilidade com instrumentos robustos de fiscalização.

Governo tenta evitar impacto inflacionário

Diante da escalada dos preços internacionais do petróleo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de medidas para evitar que a alta do diesel pressione a inflação.

Entre as iniciativas estão a isenção de PIS e Cofins sobre o combustível e a concessão de uma subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores. A expectativa oficial é que as medidas reduzam em cerca de R$ 0,64 o preço do diesel nas bombas.

De acordo com o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, as ações indicam preocupação do governo em proteger o consumidor. “As medidas sinalizam o esforço para conter repasses imediatos ao mercado interno”, afirmou.

A própria Petrobras também tem contribuído para amortecer oscilações externas ao evitar repasses automáticos das variações internacionais para o mercado doméstico.

Guerra no Oriente Médio pressiona petróleo

O cenário internacional tem sido o principal fator de pressão sobre os combustíveis. A intensificação do conflito envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos elevou os temores de interrupção no fluxo de petróleo no Golfo Pérsico.

Uma das ameaças levantadas por Teerã é o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Como reflexo das tensões, o barril do petróleo tipo Brent se aproximou de US$ 100 no mercado internacional — cerca de 40% acima do valor registrado apenas duas semanas antes.

Sindicatos alertam para abusos na revenda

Além das pressões externas, entidades do setor alertam para possíveis abusos na cadeia de distribuição. A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Ticiana Alvares, aponta que postos em alguns estados já praticam valores muito acima dos praticados nas refinarias.

Segundo ela, há registros de gasolina vendida por até R$ 9 por litro em São Paulo sem que tenha ocorrido reajuste equivalente na origem.

Para a FUP, é fundamental que o governo intensifique a fiscalização por meio da Receita Federal e dos órgãos reguladores para impedir aumentos arbitrários.

Privatização de refinarias é alvo de críticas

A entidade também atribui parte das distorções atuais à privatização de refinarias realizada durante o governo de Jair Bolsonaro.

Em regiões como Norte e Nordeste, refinarias privatizadas têm praticado valores superiores aos da Petrobras, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em alguns casos, aumentos recentes elevaram significativamente os preços nas bombas.

Para especialistas do setor e economistas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos(Dieese), o país ainda enfrenta forte dependência de importação de derivados, especialmente diesel, o que pode ampliar a vulnerabilidade às crises internacionais.

Nesse contexto, sindicatos e institutos de pesquisa defendem o fortalecimento do refino nacional e da cadeia energética como estratégia para reduzir a volatilidade de preços e proteger a economia brasileira.

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