Prevenção é saída para transtornos mentais decorrentes do trabalho

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Prevenção é saída para transtornos mentais decorrentes do trabalho

Os transtornos mentais e comportamentais ocuparam o terceiro lugar em quantidade de auxílios-doença concedidos pela Previdência Social em 2011. Para avaliar os fatores associados aos afastamentos desses trabalhadores, um estudo feito pela Faculdade de Saúde Pública verificou a relação entre às más condições do ambiente de trabalho e o desencadeamento de distúrbios psicológicos.

A pesquisa elaborada pelo médico do trabalho, João Silvestre da Silva Júnior, aponta a alta demanda de trabalho e os relacionamentos interpessoais ruins como razões para o desenvolvimento dos transtornos mentais. Outros fatores são o desequilíbrio entre o esforço e a recompensa, e a dedicação excessiva ao trabalho.

Para Silvestre, que é perito da Previdência Social há seis anos, a empresa precisa respeitar os fatores individuais de seus trabalhadores e não padronizá-los. Além de criar um ambiente agradável de trabalho, lidando, assim com a prevenção de doenças.

João, o que motivou o início da pesquisa?
O nosso interesse da pesquisa era justamente o fato de eu estar atuando como perito do INSS e, vendo que as pessoas tem se afastado cada vez mais do trabalho por questões mentais, a gente queria avaliar o quanto o trabalho influencia nesses afastamentos. Então, a gente aplicou algumas ferramentas, alguns questionários que são validados internacionalmente, que foram traduzidos para o português. E esses questionários analisam a percepção que a pessoa tem acerca do seu ambiente de trabalho.

Quais os principais fatores ou razões levaram esses trabalhadores a apresentarem distúrbios psicológicos?
Tiveram vários fatores que a gente chama de associados, mas o foco da nossa atenção eram os fatores associados ao trabalho. Então, o que a gente viu é que uma pessoa que está em uma situação muito agressiva, que a gente fala, em relação aos fatores psíquicos sociais, como uma alta demanda de trabalho, onde ela tem muitas tarefas ou tarefas muito complexas para dar conta. E esse trabalhador, além disso, não tem o controle, uma autonomia decisória para poder efetuar essas tarefas. Em um ambiente onde o apoio social é baixo, ou seja, as relações interpessoais entre colegas e com supervisores são meio problemáticas, isso é um fator de adoecimento. Assim como, quando o ambiente de trabalho requer esforços intensos desse trabalhador e a pessoa não tem uma recompensa satisfatória. Quando a gente fala de recompensa não é dinheiro. A gente fala muitas vezes de recompensa é valorização, reconhecimento do seu trabalho, para elevação da autoestima. E nessa situação, além de tudo, o trabalhador que é muito comprometido, aquela pessoa que trabalha além das horas que são solicitadas, que pensa no trabalho quando sai de lá, essa pessoa apresenta uma maior chance de se afastar por transtorno mental.

E, em geral, quais os transtornos apresentados por esses trabalhadores?
A nossa pesquisa apresentou uma epideomologia similar ao que acontece no INSS. Hoje em dia os transtornos mentais são a terceira principal causa de afastamentos. E o que agente encontrou de problemas em diagnósticos em primeiro lugar são os transtornos depressivos, transtornos de humor. Em segundo lugar, são os quadros ansiosos, quadros ligados a estresse pós- traumático e, em terceiro lugar, são os quadros de vícios em drogas, uso abusivo de álcool.

Você verificou alguma relação entre determinadas profissões e o desenvolvimento desses problemas?
As profissões apareceram na nossa pesquisa, mas não se encontraram associadas. Apareceram principalmente pessoas que trabalham em setor de serviços. Como a pesquisa foi realizada em São Paulo, e São Paulo hoje em dia o mercado de trabalho está muito mais voltado para prestação de serviços, então, esses trabalhadores apareceram com mais frequência no nosso estudo.

A violência no trabalho, como humilhação, perseguição e agressões, apareceram na pesquisa. Qual a influencia dessas situações com o desenvolvimento dos transtornos?
Um outro foco da nossa atenção era estudar a violência no trabalho, que é também considerada um fator psíquico social no trabalho. Então, quando a gente tem uma degeneração desses relacionamentos interpessoais, principalmente no que a gente chama de vertical, ou seja supervisor e trabalhador, ou no relacionamento horizontal, que é entre os próprios colegas de trabalho isso gera um desgaste no trabalhador e aumenta a chance do afastamento por transtorno metal. Na nossa pesquisa, então, a gente questionou a respeito de humilhações no trabalho, ameaças de violência física ou verbal, a própria situação de violência física ou verbal, situações de assédio sexual ou de violência sexual.

Quais políticas públicas e também quais políticas internas as próprias empresas devem adotar para evitar às más condições no ambiente de trabalho, e consequentemente o adoecimento do trabalhador?
A primeira coisa que a gente acha que é necessário que os profissionais de saúde e segurança no trabalho abram seu olhar para a presença desses riscos, possam fazer medidas de intervenção, ou seja, como aquele ambiente possa ser melhorado nesses aspectos que a gente citou anteriormente para que as pessoas não venham a adoecer. Em contrapartida, a gente acha também que os dados da Previdência são dados que mostram do que as pessoas estão adoecendo, então isso deve ser utilizado para pautar políticas em relação ao Ministério da Saúde, o Ministério da Previdência, tanto na questão da assistência tanto na questão de fiscalização. Porque na medicina do trabalho a gente lida com prevenção e a prevenção a gente só tem como prevenir se a gente souber onde o problema está instalado.

Fonte Radioagência NP
Postado por Fabiano Couto em Notícias

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