Levantamento vai investigar ainda o acesso aos tratamentos disponíveis
Começa nesta semana a nova etapa de uma pesquisa inédita sobre saúde mental no país. Esse é o primeiro grande estudo de base populacional dedicado exclusivamente para entender a saúde mental da população adulta.
Depressão, ansiedade, uso excessivo de álcool e outras drogas estão entre as principais causas de sofrimento e afastamento do trabalho no Brasil e no mundo. A saúde mental é um problema que preocupa mais da metade dos brasileiros.
“Sempre denunciamos o adoecimento devido a um modelo de gestão totalmente desumano focado em metas impossíveis, que gera estresse, assédio moral e sobrecarga de trabalho. Hoje naturalizou-se a ansiedade e a depressão entre os colegas. Precisamos nos mobilizar para derrubar esse tipo de pressão nas agências.”, ressalta Élcio Quinta, presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região e trabalhador do Itaú.
Alto custo e demora
Além disso, 43% da população relata dificuldades de acesso aos cuidados por causa do custo ou da demora no atendimento, de acordo com a ONG ImpulsoGov, que voltada para uso dados na rede pública de saúde.
Nesta semana, o Ministério da Saúde começou a fase nacional de uma coleta de dados em vários municípios, nas cinco regiões do país. A ideia é garantir dados de diferentes perfis sociais e condições de vida. Em cada domicílio, uma pessoa será sorteada para participar.
Como será feita a pesquisa
Os pesquisadores vão presencialmente até as residências, com um questionário eletrônico em um tablet, seguindo padrões internacionais. Entre as perguntas estão questões sobre a saúde, experiências de vida, relações sociais, trabalho e renda, e a busca por cuidados. A participação é voluntária, e pode ser interrompida ou o entrevistado pode deixar de responder algo, caso queira.
O objetivo é produzir evidências sobre transtornos mentais, investigar o acesso aos serviços e os impactos na vida das pessoas. No mês de janeiro, já foi realizada uma etapa-piloto, em oito municípios. Foram testados instrumentos de coleta, procedimentos, abordagem nos domicílios, duração das entrevistas e padronização.
Os questionários serão confidenciais e as respostas registradas sem identificação individual, seguindo a Lei Geral de Proteção de Dados. A Universidade Federal do Espírito Santo é a responsável pela execução do estudo. No fim, os resultados serão usados para aprimorar a Rede de Atenção Psicossocial do SUS.