Ao falar sobre o tema, Lula salienta medidas já tomadas para combater crime organizado e questiona porque Flávio Bolsonaro não votou pela PEC da Segurança Pública.
O primeiro debate entre os candidatos à presidência Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, realizado pela Band neste domingo (18), teve como questão inaugural, feita pelos apresentadores, uma das principais preocupações dos brasileiros: a segurança pública.
Flávio Bolsonaro foi o primeiro a falar. Apesar de sua ligação com milicianos, o candidato disse que combaterá facções, que as classificaria como narcoterroristas e que aumentaria as penas de condenados.
Em resposta, Lula apontou a contradição entre o discurso e a prática do senador. “O candidato poderia ter votado a emenda constitucional que eu mandei (ao Congresso) no ano passado para dar ao governo federal as condições de interferir na questão da segurança pública, que hoje é uma questão do estado”.
O presidente salientou, ainda, que “todo mundo sabe que a Constituição de 1988 garantiu que a segurança pública fosse responsabilidade dos estados” e que, no entanto, “todos os estados fracassaram”.
Lula completou lembrando que duas das propostas de Flávio, apresentadas como novidade pelo senador, estão em andamento no governo Lula. “Já estamos combatendo o crime organizado”, disse o presidente. Citando a Lei Antifacção, enviada pelo governo Lula e aprovada pelo Congresso, o presidente salientou que por meio da nova legislação “já aumentamos o tempo de cadeia para aqueles que participam das facções”.
Lula reforçou que tal combate não se restringe ao criminoso que atua nas ruas, mas também ao comando do crime organizado. “(Vamos combater o crime) da esquina ao andar de cima, porque o crime organizado tem os pobres que roubam, que estão no território, e tem os ricos que estão nos condomínios e estão no andar de cima. Nós vamos atacar isso tudo com muita força”.
O presidente completou dizendo que “se o Senado votar a PEC da Segurança, eu criarei imediatamente o Ministério da Segurança Pública para que a gente possa intervir numa combinação entre estados, prefeituras e União, para que a gente possa libertar os territórios para a comunidade viver, inclusive enfrentar o crime organizado, enfrentar os milicianos, enfrentar tudo que é tipo de bandidagem. Ou seja, para o trabalhador, para a comunidade, proteção. Para o bandido, prisão”.
Por fim, enfatizou: “O que nós fizemos nesses quatro anos foi muito mais do que foi feito em muitos anos nesse país no combate ao crime organizado”.