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Ovo da serpente: como a gestão de Campos Neto chocou a fraude do Master

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23 de março de 2026

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025 pelo Banco Central sob a gestão de Gabriel Galípolo, é o desfecho de um processo de insolvência e fraudes bilionárias cujas raízes remontam a 2019. O episódio, classificado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o “ovo da serpente” da gestão de Roberto Campos Neto, revela uma sucessão de omissões e falhas de fiscalização que tiveram início no primeiro ano do governo Bolsonaro.

A origem da concessão

O Banco Master não foi uma instituição de geração espontânea. Ele surgiu da transformação do antigo Banco Máxima. Após duas tentativas de transferência de controle rejeitadas durante a gestão de Ilan Goldfajn, o processo obteve celeridade após a posse de Roberto Campos Neto na presidência da autoridade monetária, em fevereiro de 2019.

Em 14 de outubro daquele ano, a Diretoria Colegiada do BC aprovou a transferência do controle para Daniel Vorcaro e dois sócios, decisão publicada no Diário Oficial em 24 de outubro. Embora o rito tenha seguido as normas vigentes do Conselho Monetário Nacional e do próprio Banco Central, o aval ignorou sinais que seriam confirmados anos depois. A rebatização oficial para Banco Master ocorreu em 2021, com foco em crédito consignado e um aporte inicial de R$ 400 milhões.

Alertas ignorados e omissão institucional

Os indícios de irregularidades foram levados ao Banco Central ainda em 2023. O advogado Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital, protocolou denúncia formal relatando operações suspeitas com precatórios sem lastro e a existência de um sócio oculto, o empresário Nelson Tanure.

Em depoimento voluntário à CPI do Crime Organizado na última quarta-feira (18), Timerman foi enfático ao criticar a inércia da autarquia: “Eu fiz uma denúncia para o Banco Central em 2023 […] se tivessem prestado atenção, teriam evitado”. Segundo ele, o balanço do Master era inflado artificialmente por meio da compra de ativos desvalorizados que eram revendidos por preços superfaturados, desviando recursos antes mesmo do ingresso contábil na instituição.

Mesmo após a Polícia Federal ter alertado o BC por escrito, em julho de 2024, sobre fraudes e a presença de donos ocultos, a resposta interna da gestão Campos Neto foi o arquivamento das suspeitas, sem submetê-las ao colegiado. Em novembro de 2024, o BC limitou-se a assinar um termo de compromisso com Vorcaro para “correções” — medida que se provou ineficaz diante da magnitude do colapso que se avizinhava.

O colapso e a Operação Compliance Zero

A mudança de postura da autoridade monetária só se concretizou com a troca de comando no Banco Central. Em 18 de novembro de 2025, o atual presidente Gabriel Galípolo decretou a liquidação extrajudicial da instituição por insolvência. No mesmo dia, Daniel Vorcaro foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero.

O desdobramento mais recente ocorreu em março de 2026, com a liquidação do Banco Master Múltiplo, gestor do Will Bank. Os prejuízos, estimados em pelo menos R$ 17 bilhões, expuseram que os ativos do banco estavam inflados e que os balanços que não correspondiam à realidade patrimonial; que havia captação irregular de dinheiro com emissão de CDBs sem lastro real; e, por fim, uma regulação cheia de furos permitiu uma falha sistêmica ao aprovar a livre circulação de controladores com histórico de risco.

Desdobramentos na CPI

Registros da Lei de Acesso à Informação (LAI) revelam que Vorcaro visitou o Banco Central dezenas de vezes durante a presidência de Campos Neto. Convocado pela CPI do Crime Organizado para prestar esclarecimentos sobre essa proximidade e a falta de fiscalização, Roberto Campos Neto não compareceu, amparado por um habeas corpus do STF, enviando apenas justificativas por escrito.

Para o governo e parlamentares da base aliada, o caso Master é o exemplo pedagógico de como uma regulação frouxa e politicamente orientada pode comprometer a estabilidade do sistema financeiro. Como destacou o presidente Lula, a fatura do “ovo da serpente” chocado em 2019 — que agora recai sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a sociedade — é o resultado direto de uma gestão que ignorou alertas explícitos em favor de interesses particulares.

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