Negros: Mesmo que discreta, liberdade é avanço

  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram
  • Compartilhar no Google Plus
  • Compartilhar no Twitter
Negros: Mesmo que discreta, liberdade é avanço

Durante muitos anos, desde o dia 13 de maio de 1888, quando princesa Isabel assinou a famosa Lei Áurea, o dia foi celebrado quase que de maneira folclórica pela comunidade negra e por toda a sociedade brasileira. A princesa ganhou ares de heroína e libertadora e é de se compreender o quanto significativo e positivo pareceu, para homens e mulheres negros (as) da época, o fim legal da escravidão para suas vidas. É o que a historiadora Hebe Maria de Mattos chama de “dicotomias da liberdade”. Diante da escravidão, a liberdade, mesmo que miserável, é entendida como avanço. No entanto, como bem sabemos e observamos ainda hoje, 122 anos depois, sem formação escolar ou uma profissão definida, para a maioria dos (as) negros (as) a simples emancipação jurídica não mudou sua condição subalterna nem ajudou a promover sua cidadania ou ascensão social. A população negra, no usufruto de sua liberdade, permanece alijada, super explorada e vitimada pela violência e pelo racismo. A falta de direitos básicos, a exclusão econômica, a criminalização e a violência fazem-se realidade no cotidiano de negros (as) em todo país. O encarceramento em massa, sobretudo de jovens negros, bem como os sistemáticos homicídios e execuções sumárias feitas por agentes policiais e grupos de extermínio; a política de remoção e despejo; a péssima qualidade dos serviços de saúde e do ensino básico, aliada à elitização das universidades públicas. Tudo atinge de maneira diferenciada e com maior incidência, a população negra. Os dados da realidade, já há alguns anos, não permitem que o movimento negro celebre o dia 13 de maio como um dia lembranças festivas. O mais escandaloso motivo para não festejar é justamente a implementação de uma verdadeira política de extermínio da juventude negra, em vigor nas grandes cidades brasileiras. Casos emblemáticos não faltam: em Maio de 2006, policiais e grupos paramilitares de extermínio ligados à Polícia Militar promoveram o assassinato de, ao menos, 500 pessoas - maioria jovens negros, afro-indígenas e pobres. Tal ação se deu como “resposta” ao que se chamou na grande imprensa de "ataques do PCC". Até hoje não houve apuração dos fatos e os movimentos ainda lutam pelo desarquivamento dos processos e pela federalização da investigação. O último caso noticiado pela grande mídia foi o do trabalhador Eduardo Luís Pinheiro dos Santos, o motoboy negro encontrado morto no último dia 10 de abril, após ser torturado por policiais militares de São Paulo. Sua mãe, a pedagoga Elza Pinheiro dos Santos, 62, em momento de desabafo disse: “meu filho foi morto por ser negro”. A Polícia, que deveria proteger, cumpre papel de assassinos impunes. Truculentos e covardes, as PM’s atuam sob a orientação de governantes preconceituosos e a serviço de um Estado racista. Dissimulados, chegam a pedir desculpas por seus atos desumanos, assim como fez o comandante geral da Polícia Militar de SP, Álvaro Batista Camilo, que enviou uma carta de desculpas à mãe do motoboy. Essa triste realidade, vivida intensamente pela maioria do povo brasileiro, composto por negros e negras, nos leva a continuar a luta por justiça e contra o racismo. A UNEafro-Brasil neste ano de 2010, volta a agregar forças para a construção de um grande momento de reflexão e luta neste próximo dia 13 de Maio. MNU, Círculo Palmarino, Tribunal Popular, Consulta Popular, Mães de Maio e diversas outras organizações estão juntas nesta importante mobilização da reação do povo negro. Desta vez a AULA PÚBLICA deve acontecer em torno dos temas: Genocídio da Juventude Negra; a Criminalização da pobreza; A impunidade dos crimes cometidos pela PM do Estado de São Paulo em maio de 2006, além da exigência de Reparações, Ações Afirmativas e Cotas para negros (as). A atividade está marcada para o próximo dia 13 de Maio, quinta feira, a partir das 14 horas na Praça do Patriarca, centro de São Paulo, que, por sua vez, em ato simbólico, será rebatizada de “Praça da Matriarca Dandara”. A tarde será marcada por intervenções poéticas e performances artísticas, com presença confirmada de Sérvio Vaz e pela AULA PÚBLICA que será proferida por ilustres convidados (as). Convocamos todas as organizações de luta a se unir em torno da causa anti-racista, afinal, não há duvida do importante papel do preconceito, da discriminação e do racismo no contexto da luta classista. O racismo contra negros(as) foi e continua sendo estruturante das desigualdades sociais no Brasil. Combater essa desumana ideologia é necessário e urgente!

Fonte Douglas Belchior - Professor de história e integrante do conselho geral da União de Núcleos de Educação Popular para Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro)
Postado por em Notícias

  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no WhatsApp
  • Compartilhar no Telegram
  • Compartilhar no Google Plus
  • Compartilhar no Twitter
[Voltar ao topo]
X

Fale Conosco:

Você pode contar sempre, com o Sindicato, para isso estamos deixando, mais um canal de comunicação, com você. Envie informações, denúncias, ou algo que julgar necessário, para a Luta dos Bancários. Ou ligue para: 0800 771 1920

Atenção: Todas as denúncias feitas ao sindicato são mantidas em sigilo. Dos campos abaixo o único que é obrigatório é o email para que possamos entrar em contato com você. Caso, não queira colocar o seu email pessoal, você pode colocar um email fictício.

Aguarde, enviando contato!