O lucro recorde do Mercantil foi impulsionado pelo esforço coletivo dos funcionários, que continuam sofrendo com o corte de vagas, precarização nas estruturas das agências e cobranças por metas inatingíveis.
O banco Mercantil registrou lucro líquido de R$ 548,4 milhões no primeiro semestre de 2026, uma alta de 13,5% em relação ao ano passado. No segundo trimestre, o lucro atingiu R$ 275,3 milhões, marcando o 15º recorde trimestral consecutivo do banco. Os ativos totais subiram 30,7%, chegando a R$ 38,9 bilhões, enquanto o patrimônio líquido cresceu 48,8%, alcançando R$ 3,1 bilhões. A rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) continuou elevada, em 41,4%.
A carteira de crédito cresceu 29,6%, mas as provisões para perdas com calotes deram um salto de 227,4%, somando R$ 782,9 milhões. Como a inadimplência subiu de forma bem mais leve, esse forte aumento nas provisões exige atenção quanto a possíveis reestruturações e pressões sobre os trabalhadores.
Em relação às receitas, a prestação de serviços rendeu R$ 735 milhões (alta de 79,5%). Esse valor é mais do que suficiente para cobrir todas as despesas com pessoal e PLR, que somaram R$ 460,3 milhões (alta de 17,8%), garantindo uma cobertura de 159,7% da folha de pagamento.
Mesmo em plena expansão — com o ganho de 1,05 milhão de clientes e a abertura de 31 agências — o Mercantil cortou 30 postos de trabalho no último trimestre. Essa combinação de mais clientes para atender com menos braços nas equipes acende um alerta para a sobrecarga e o adoecimento dos bancários, mostrando que o sucesso financeiro do banco precisa se traduzir em respeito e valorização dos trabalhadores.