Relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada revisou para cima a previsão de crescimento do PIB em 2025
Em um novo relatório apresentado na última quarta-feira (17), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), atualizou seus cálculos sobre o desempenho da economia nacional. A equipe técnica subiu a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, que passou de 2,2% para 2,3%.
O principal motivo do ajuste foi uma correção feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou um resultado 0,2% melhor no primeiro trimestre do ano do que se imaginava anteriormente. Apesar dessa melhora imediata, a perspectiva para 2026 segue mais cautelosa, com a estimativa de avanço mantida em 1,6%. Isso porque a taxa básica de juros permanece alta, em 15%, o que é hoje, segundo o Ipea, o maior entrave para o crescimento do país.
A alta taxa de juros é mantida pelo banco central sob o argumento de controle da inflação. Na prática, isso funciona como um “freio”: com o crédito mais caro, as famílias compram menos e as empresas evitam fazer novos investimentos, o que acaba pesando no orçamento de todos os brasileiros.
Expectativa de redução dos juros
A boa notícia é que o Ipea projeta uma mudança nesse cenário para 2026. A expectativa é que, com a inflação sob controle, o Banco Central inicie um ciclo de redução dos juros logo no primeiro semestre do próximo ano. Se isso acontecer, o crédito deve ficar mais acessível, estimulando o consumo e a produção nacional.
O relatório mostra que a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), deve fechar 2025 em 4,4% e cair para 4,2% em 2026. Itens importantes, como alimentos e produtos de fábrica, tiveram suas previsões de aumento reduzidas, de 2,5% e 2,6%, respectivamente, o que, segundo o Ipea, ajuda a equilibrar as contas domésticas.
Por outro lado, o ritmo de crescimento do Brasil (PIB) em 2026 deve ser mais devagar: a previsão é de uma alta de 2,2% em 2025, caindo para 1,6% em 2026. Especialistas chamam esse movimento de “pouso suave”, quando a economia perde velocidade de forma organizada, sem causar uma crise repentina.
No mercado de trabalho, embora o desemprego continue em níveis baixos, o número de contratações diminuiu. Um dado curioso é a ausência de jovens entre 14 e 24 anos no mercado de trabalho. Segundo o relatório, 72% afirmam que não estão procurando emprego porque preferem priorizar os estudos, o que pode gerar profissionais mais capacitados no futuro.
Contas públicas
Por outro lado, o Ipea afirma que, no acumulado de 12 meses até novembro, houve uma melhora das contas públicas, com a queda do déficit de R$ 197,1 bilhões em 2024 para R$ 50,7 bilhões em 2025, resultado de um aumento de 3,5% na arrecadação.
Ao longo do ano, os cofres públicos receberam um total de R$ 2,63 trilhões, valor que supera o de 2024 em 3,5%, já descontando a inflação. Esse ganho foi impulsionado pelo aumento de 4,4% nos impostos recolhidos pela Receita Federal e pela subida de 5,4% nas verbas destinadas à Previdência Social. No entanto, as receitas não administrativas sofreram uma redução de 4,7%.
No que diz respeito aos gastos, o governo também desembolsou mais, com uma alta real de 3,3% até o mês de novembro. Os pagamentos obrigatórios por lei subiram R$ 63,9 bilhões, enquanto os investimentos e gastos livres, chamados de discricionários, tiveram um aumento de R$ 7 bilhões em comparação a 2024.