Agência Bloomberg indica que acordo pode ser votado na sexta (9), com mudança crucial na posição dos italianos pela parceria, negociada há mais de 25 anos
A expectativa de formalização do acordo entre Mercosul e União Europeia, em dezembro passado, foi frustrada pela oposição de alguns países. No entanto, neste ano, a Itália já demonstra que deverá aceitar a parceria entre os blocos para formar um dos maiores acordos bilaterais de livre comércio do mundo.
Os italianos junto aos franceses lideraram a oposição que impediu que o acordo fosse fechado ainda durante a última Cúpula do Mercosul, pois indicaram que precisavam de maiores garantias para os agricultores. Na ocasião, o presidente Lula, que também estava à frente do grupo sul-americano, informou que a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, havia solicitado mais tempo para convencer seus compatriotas a aceitarem os termos.
Além disso, uma carta enviada pelos presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, Ursula Von der Leyen e António Costa, sinalizou que o acordo, negociado por mais de 25 anos, não havia naufragado e reforçou a expectativa pela formalização logo nos primeiros meses de 2026.
Agora, segundo a agência de notícias Bloomberg, os italianos podem mudar de posição em votação do Conselho na próxima sexta-feira (9), o que autorizaria Von der Leyen realizar a assinatura conjunta com os membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) já na semana seguinte, em 12 de janeiro.
Conforme a agência, a porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, indicou que ocorreram avanços nas negociações nas últimas semanas para uma assinatura em breve. Meloni busca mais orçamento para a agricultura de seu país junto ao bloco europeu, além de outras proteções ainda não especificadas.
A mudança de posição italiana é fundamental, pois o peso populacional do país é relevante nas decisões colegiadas. França (15,2%) e Itália (13,1%), junto com a Polônia (8,1%), outro país que se opôs à parceria, somam mais de 35% da população do bloco, o que é suficiente, do ponto de vista regimental, para impedir o acordo.
Como explica o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, o acordo comercial entre os blocos envolve 720 milhões de habitantes nas duas regiões e um PIB total de cerca de 22 trilhões de dólares: “A União Europeia é o segundo maior sócio comercial do Brasil, às vezes é o terceiro, varia de acordo com o ano, portanto, é um sócio importantíssimo”.
Segundo a Bloomberg Economics, o acordo pode impulsionar a economia do Mercosul em até 0,7% e a da Europa em 0,1%, além de representar para o ‘velho continente’ uma oportunidade de ampliar a influência em uma região em que a China avança cada vez mais.