Categoria exige valorização salarial e do piso, aumento da PLR, no va/vr, promoção da saúde e igualdade nas condições de remuneração e de ascensão para todos e todas.
O Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) retomam nesta quinta-feira (13/8) as negociações para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Na última rodada, realizada em 4 de agosto, os bancos se comprometeram a apresentar uma proposta geral para a pauta de reivindicações neste novo encontro.
Entre as principais exigências dos trabalhadores estão o fim das demissões em massa e do fechamento de agências; a valorização econômica por meio de aumento acima da inflação nos salários, PLR e vales refeição e alimentação; e o combate ao alto índice de adoecimento mental provocado por metas abusivas e assédio moral. A categoria também cobra o fortalecimento de ações por igualdade de oportunidades, visando eliminar distorções salariais e de ascensão profissional que atingem mulheres, negros e negras, pessoas com deficiência (PCD) e a comunidade LGBTQIA+.
Rodada definirá os próximos passos da campanha
Desde o início oficial das negociações, em 24 de junho, a Fenaban tem mantido uma postura de resistência às reivindicações. Para a coordenadora do Comando Nacional, Juvandia Moreira, a reunião desta quinta é uma oportunidade para o setor patronal mudar essa postura, sobretudo após seis rodadas nas quais o Comando provou, com dados técnicos e econômicos, que o setor tem plenas condições de conceder aumento real e avançar em pautas sociais.
A dirigente destaca que as respostas apresentadas pela Fenaban nesta mesa vão definir os próximos passos da categoria na defesa dos seus direitos. Segundo Juvandia, a modernização do sistema financeiro não pode significar desemprego, fechamento de agências e precarização do trabalho que resulte no adoecimento dos bancários.
Comando rebate argumentos sobre digitalização e concorrência
A Fenaban tem justificado o enxugamento de postos e a resistência ao reajuste salarial alegando a digitalização do setor e a concorrência com empresas não bancárias. No entanto, o Comando Nacional rebateu esses argumentos com dados concretos do próprio setor:
- Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências físicas, o que representa uma média diária de 28,6 milhões de operações.
- Segundo a PNAD/IBGE de 2025, 26% dos idosos não tinham acesso à internet, o que comprova a necessidade de manter o atendimento presencial.
- Enquanto o setor cortou 88 mil postos de trabalho e fechou 9,5 mil agências entre 2015 e 2025, os cinco maiores bancos aumentaram em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando serviços.
- No mesmo período de dez anos, os postos de atendimento das cooperativas de crédito — apontadas pelos próprios bancos como concorrentes diretas — cresceram 102%.
De acordo com Juvandia Moreira, que também preside a Contraf, o que ocorre é uma reconfiguração dos bancos para ampliar lucros às custas da terceirização, da sobrecarga das equipes mantidas e da queda na qualidade do atendimento aos clientes.
Lucros bilionários comprovam capacidade do setor
A sustentação das reivindicações da categoria é reforçada pelos resultados financeiros recordes do setor bancário registrados em 2025:
- Os cinco maiores bancos lucraram, juntos, R$ 124 bilhões.
- O lucro líquido total do setor bancário atingiu R$ 171 bilhões.
- O patrimônio líquido do setor alcançou a marca de R$ 1,2 trilhão.
- Quase 60% de todo o patrimônio de um grupo de 164 bancos analisados concentrou-se em instituições com rentabilidade excepcional, entre 10% e 30% ao ano.
- Embora 17% dos bancos (cerca de 28 instituições) tenham registrado prejuízo, eles representam apenas 1% do volume financeiro total do setor.
Mobilização e sindicalização para pressionar o setor patronal
Frente ao impasse na mesa de negociação, Élcio Quinta, presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região, aponta que a reação dos trabalhadores virá das agências, com união e fortalecimento do Sindicato:
“Nenhum direito da nossa Convenção Coletiva caiu do céu; tudo o que conquistamos foi resultado de muita luta e de uma categoria organizada. Neste momento decisivo da campanha, a mobilização de cada bancário e bancária e o fortalecimento do Sindicato através da sindicalização são as nossas armas mais poderosas para quebrar a resistência dos bancos, garantir o aumento acima da inflação e impedir retrocessos”, ressalta Élcio Quinta.