A ameaça de Flávio Bolsonaro soou a católicos como intimidação à liberdade religiosa.
A jornalista Daniela Lima afirmou na segunda-feira (28/9), no “Pulso Político”, do UOL, que estudos debatidos pela Igreja Católica desde 2019 ajudam a explicar a reação à promessa de Flávio Bolsonaro (PL) de decretar, caso eleito, Jesus Cristo como “Senhor do Brasil”. Segundo ela, a declaração soou para setores católicos como um “apito de cachorro”: uma mensagem cujo sentido político pode passar despercebido pelo público geral, mas é reconhecido por grupos atentos à disputa religiosa.
Daniela apresentou o trabalho como um mergulho em documentos anteriores à atual eleição. De acordo com a jornalista, eles registram a preocupação de setores da Igreja com ataques à devoção a Nossa Senhora Aparecida e com episódios de intolerância religiosa. Ela disse ter selecionado estudos produzidos ou debatidos desde 2019 para mostrar como esse alerta se desenvolveu.
Uma das ideias examinadas nesses materiais é a teologia do domínio, associada à defesa de que a fé oriente também a ocupação de espaços políticos e decisões do Estado. Na leitura exposta por Daniela, a preocupação católica recai sobre a possibilidade de uma vertente religiosa usar o poder público para pressionar pessoas de outras crenças.
A jornalista descreveu três leituras da fala de Flávio Bolsonaro: um gesto dirigido aos cristãos em geral, um recado percebido por setores neopentecostais e, para integrantes da Igreja Católica, um sinal de ameaça à liberdade religiosa. “Há ouvidos treinados e atentos”, afirmou ao explicar a expressão “apito de cachorro”.
Segundo Daniela, os documentos também mostram uma tentativa de reunir católicos, ateus, espíritas e integrantes de outras religiões em torno da defesa da liberdade de crença. Ela relacionou esse debate a manifestações de padres, bispos e frades em favor da democracia e da liberdade, sem pedido de voto em um candidato específico.