Fenaban apresentou duas propostas rechaçadas pelo Comando Nacional: primeira com perda real de 1,99% e, segunda, perda de 1,50%; Categoria segue negociação por aumento real nos salários, va/vr e melhorias na PLR e no piso.
Pela primeira vez, após 10 rodadas de negociação por aumento real e melhores condições de trabalho, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou nesta terça-feira (25/8), duas propostas de reajustes, porém rechaçadas pelo Comando Nacional dos Bancários, por significarem perda real e de direitos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
A primeira proposta foi o aumento de 2,06% (50% da inflação) e, a segunda, de 2,57% (62% da inflação), que representariam perdas reais na remuneração da categoria (ou seja, abaixo da inflação) de 1,99% e de 1,50%, respectivamente.
A primeira proposta incluía ainda:
- Fim da indenização por morte ou incapacidade por assalto e do auxílio funeral;
- Retirada da multa em caso de descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT);
- Congelamento da PLR e do piso de ingresso;
- Exclusão da verba de requalificação;
- Exclusão da gratificação de compensador de cheque;
- Exclusão da ajuda de deslocamento noturno.
Após o Comando Nacional rechaçar a primeira proposta, a mesa entrou em pausa e, na retomada, a Fenaban voltou com o índice de 2,57% para os salários e ainda:
Congelamento da PLR e do piso de ingresso;
- Aumento de 2,57% no auxílio creche/babá, auxílio para pais com filhos PcD e ajuda de custo para o teletrabalho;
- Exclusão da gratificação de compensador de cheque;
- Exclusão da ajuda de deslocamento noturno.
A Fenaban, porém, voltou atrás na retirada da verba de requalificação profissional (com reajuste de 2,57%) e na retirada da multa em caso de descumprimento da CCT.
A proposta de 2,57% figura entre os 0,46% piores reajustes de 2026, significando que 99,54% das negociações salariais firmadas até o momento garantiram índices superiores. O impacto dessa oferta representa um custo de apenas 0,9% do lucro do setor, que alcançou R$ 182 bilhões em 2025. O Comando Nacional reforça que a continuidade da campanha depende da inclusão de aumento real.
Em contrapartida à recusa de apresentar propostas consistentes aos trabalhadores, os três maiores bancos privados aprovaram uma remuneração média de R$ 12,5 milhões para seus altos executivos em 2026 — um acréscimo superior a R$ 1 milhão na comparação com 2025.
O Comando Nacional reafirmou a incoerência em apresentar propostas abaixo do índice inflacionário diante de um setor com rendimentos sem precedentes. O reajuste acima da inflação consolida-se como a prioridade principal para 93% dos participantes da Consulta Nacional dos Bancários 2026 (que contou com mais de 54 mil respostas), seguido por avanços na PLR (63%) e no va/vr (51%).
Diante do posicionamento do Comando Nacional, que evidenciou o desatendimento das reivindicações da categoria, a Fenaban encerrou a rodada. As negociações têm nova data marcada para quarta-feira (26).
Requalificação e recolocação no mercado
Durante a reunião, também pautou-se a demanda do Comando Nacional pelo encarecimento das demissões. O setor financeiro acumulou mais de 37.500 desligamentos entre janeiro de 2025 e julho de 2026.
Sob a pressão do movimento trabalhista, a mesa resultou no pontapé inicial para a elaboração conjunta de uma proposta voltada à requalificação e recolocação de profissionais desligados.
Encaminhamento
A categoria prosseguirá mobilizada em mobilizações presenciais e virtuais. A orientação é pelo uso da hashtag #QueremosPropostaDecente nas redes sociais.