Protesto

Bancários distribuem carta aberta a Ana Botín

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Bancários distribuem carta aberta a Ana Botín

Bancários aproveitaram a presença da presidenta mundial do Grupo Santander para cobrar melhores condições de trabalho, fim das demissões compulsórias, liberdade sindical e responsabilidade social por parte do banco espanhol.

Na manhã desta terça-feira, 13, a presidenta mundial do Grupo Santander, Ana Botín, visitou os trabalhadores da Torre, matriz do banco espanhol no Brasil. A executiva realizou uma conversa com cerca de mil funcionários, em auditório fechado. O Sindicato dos Bancários de SP e integrantes do movimento sindical aproveitaram a presença da banqueira para distribuir carta aberta na qual cobra melhores condições de trabalho, fim das demissões compulsórias, liberdade sindical e responsabilidade social por parte do banco espanhol.

 

# Em dezembro, Santander pagará bancários só 5 dias antes do Natal

 

Entendemos que a visita de Ana Botín ao Brasil é uma ótima oportunidade para reivindicar a interferência da matriz espanhola do Santander, na pessoa da presidenta mundial, para que as negociações com o banco tenham efetividade; que os trabalhadores sejam tratados com respeito, sem que decisões sejam tomadas pela direção do banco no Brasil de forma unilateral, lesando bancários; o fim das demissões compulsórias, que só ocorrem no Brasil; liberdade sindical; e responsabilidade social, com a redução das tarifas e juros cobrados dos clientes brasileiros, ampliando assim a oferta de crédito.

 

A presidenta Ana Botín também visitou uma agência localizada em São Mateus, na zona leste da capital paulista, onde também foi recebida com protestos pelos trabalhadores. Na unidade foi feita a leitura da carta aberta para funcionários e clientes.

 

# Santander: muito lucro e festa para poucos

 

O Brasil é responsável pela maior fatia do lucro mundial do Santander. O mínimo que os bancários brasileiros merecem são condições adequadas de trabalho, que possibilitem que desempenhem suas funções de forma eficiente e tranquila, sem a ameaça de demissão sempre presente como uma sombra.

 

Esperamos que a presidenta Ana Botín dê a devida atenção às condições de trabalho as quais os bancários do Santander no Brasil estão submetidos e, como maior mandatária do grupo, interfira para viabilizar soluções para os problemas enfrentados. Os bancários brasileiros, por sua mais do que comprovada competência e talento, merecem respeito.

 

Discursos


No seu discurso, proferido para cerca de mil trabalhadores da Torre, Ana Botín destacou a necessidade de um avanço cada vez maior do Santander nos meios digitais, citou o projeto Café Work, e destacou a atuação social do banco. Já o presidente do Santander no Brasil, Sergio Rial, abriu a sua fala destacando o bom desempenho do banco na pesquisa de clima.

 

# Não fique só, Fique Sócio

 

A pesquisa exaltada por Sérgio Rial não tem relação com a realidade da rotina dos bancários no Santander. As pessoas não se sentem seguras para respondê-la de forma verdadeira. No sindicato, diante das denúncias e reclamações que são recebidas diariamente, é possível mensurar a real dimensão das condições de trabalho no banco.

 

A fala de Ana Botín também possui graves equívocos em relação à realidade brasileira e sobre as condições de trabalho no Santander.

 

# Santander, precisamos falar sobre meritocracia

 

A presidenta Ana Botín ressaltou o papel do Brasil para o Santander e a atuação social do banco no país, além de pontuar com muita ênfase a necessidade de aprofundar a transformação digital no banco. Temos que contrapor sua fala de forma crítica no sentido de que ela ignora que uma parcela expressiva da população brasileira não está incluída digitalmente, que quem deve escolher o canal de atendimento é o usuário e não ser uma imposição do banco, e que os empregos dos bancários devem ser preservados. Além disso, quando cita o projeto Café Work, um novo formato de atendimento em shoppings, nos preocupa que uma pretensa inovação seja utilizada para passar por cima da nossa Convenção Coletiva de Trabalho, desrespeitando jornada e outros direitos. Para se ter responsabilidade social no país, o Santander deve antes de tudo respeitar os direitos acordados com seus funcionários e parar de colaborar com a já elevada taxa de desemprego no Brasil, cessando sua política de demissões compulsórias.

 

Leia a íntegra da carta aberta abaixo:

Bancários distribuem carta aberta a Ana Botín

>> Cadastre-se no whatsapp do Sindicato: clique aqui (pelo celular) e informe o banco onde trabalha e seu nome.

Fonte SEEB SP
Postado por Fabiano Couto em Notícias
Atualizado em: 14 de novembro de 2018

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