Criminosos fortemente armados, muitos formados por agentes de segurança, controlam territórios e exploram moradores; histórico de Flávio inclui homenagens e emenda negociada com miliciano.
A palavra “miliciano” ganhou força nas buscas após o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band, no domingo (18/10). Durante o confronto, o presidente disse que queria “distância de miliciano”.
A fala reacendeu uma pergunta: o que caracteriza uma milícia — e por que o termo acompanha a trajetória política do senador?
No Rio de Janeiro, as milícias se formaram principalmente com policiais e outros agentes de segurança, muitos da ativa ou da reserva, sob o argumento de proteger comunidades do tráfico.
Com o tempo, esses grupos criminosos passaram a controlar territórios e a cobrar moradores e comerciantes por “segurança” e por serviços como transporte alternativo, gás e TV a cabo clandestina. Também avançaram sobre a venda de drogas. A cobrança é imposta pela força, e moradores que resistem podem ser ameaçados ou mortos.
O Código Penal não define “miliciano” como uma categoria de pessoa, mas prevê o crime de constituir, organizar, integrar, manter ou financiar uma milícia privada com a finalidade de praticar crimes. A pena é de quatro a oito anos de prisão.
A ligação de Flávio com o tema vem muito antes da disputa presidencial deste ano. Em 2003, quando era deputado estadual, ele propôs uma moção de louvor ao policial Adriano da Nóbrega. Dois anos depois, apresentou a proposta que concedeu a Adriano a Medalha Tiradentes, principal honraria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Na ocasião, Adriano estava preso, acusado de homicídio. Mais tarde, o Ministério Público o apontou como integrante de uma milícia e chefe do chamado Escritório do Crime.
A mãe e a mulher de Adriano também foram contratadas no gabinete de Flávio na Alerj. Em 2008, durante o debate sobre a CPI das Milícias, o então deputado defendeu publicamente esses grupos: “Eles se organizam para que o tráfico não impere nessas regiões”.
Em 2026, ao ser questionado sobre as homenagens a Adriano, Flávio afirmou que elas foram feitas antes de surgirem acusações contra o policial.
A controvérsia mais recente envolve uma emenda de cerca de R$200 mil destinada a um projeto de futebol do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), na Taquara, zona oeste do Rio.
Segundo reportagens do Estadão e da revista piauí, a assessora de Flávio negociou o repasse após um pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, ex-assessor de Domingos Brazão. Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por participação em organização criminosa no caso Marielle Franco.
A Polícia Federal apura suspeitas de desvio de recursos enviados a entidades ligadas aos Brazão.