Matérias repercutidas em toda a grande mídia revelam que a provável ministra da Economia do candidato Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, anunciou que pretende vender o BB para o setor privado, caso seu candidato ganhe a eleição
Segundo matéria do site “Investidor 10” e de vários órgãos de comunicação da mídia, a economista e coordenadora do plano econômico de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, anunciou que o candidato pretende se desfazer do Banco do Brasil (BB). O projeto do candidato de extrema-direita teria sido confirmado em reunião com empresários do grupo Esfera Brasil, na segunda-feira (14), em São Paulo.
Inspiração em Milei
A coordenadora do programa econômico de Flávio Bolsonaro disse que as medidas econômicas que pretende implantar no Brasil, que inclui as privatizações, são inspiradas no governo de Javier Milei, da Argentina.
A sinalização gerou debate e preocupação em muita gente. É que Milei privatizou pelo menos seis grandes estatais e empresas públicas, inclusive o principal banco público do país, o Banco de La Nacion Argentina e os Correios. A Argentina vive o agravamento da recessão, com cortes de diretos trabalhistas e de investimentos sociais, desemprego e arrocho salarial. A economia encolheu 0,6% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores. O recuo do PIB (Produto Interno Bruto) é refletido pela deterioração do poder de compra das famílias argentinas, do mercado de trabalho e dos investimentos das empresas do setor produtivo.
Povo argentino arrependido
No segundo trimestre, em comparação com os três primeiros meses do ano, o PIB argentino recuou 0,6%, em meio a quedas do consumo privado e do investimento, apesar de 2% acima dos três primeiros meses de 2025. E mesmo quando apresenta pontuais sinais de melhora em alguns setores é sempre à custa do sacrifício dos trabalhadores argentinos. O resultado político não poderia ser pior: segundo pesquisas recentes, a desaprovação do governo Milei pela população varia de 58% a 62% e os trabalhadores estão nas ruas protestando, inclusive àqueles que votaram no presidente da extrema-direita e se dizem arrependidos.
Sonho dos Bolsonaros
No Brasil, não é de hoje que a extrema-direita sonha em privatizar o Banco do Brasil e as empresas públicas e estatais, exatamente como no atual modelo argentino citado pela economista de Flávio Bolsonaro.
Durante o governo do pai de Flávio, Jair Bolsonaro (PL), o então ministro da Economia, Paulo Guedes, durante reunião ministerial, em 2021, afirmou que o BB era um caso “pronto para ser vendido”. “Um plano para os próximos dez anos é continuar com as privatizações. Petrobras, Banco do Brasil, todo mundo entrando na fila, sendo vendido e transformado em dividendos sociais. Para mim, estatal boa é a que é privatizada”, afirmou o ministro de Bolsonaro na ocasião.
Com a derrota de Jair Bolsonaro e a volta de Lula ao Palácio do Planalto nas urnas, em 2022, e a organização de luta dos sindicatos o “sonho” de privatizar o BB e outras estatais e empresas públicas foi abortado.
Agora, nas eleições deste ano, a pauta das privatizações está de volta por meio do programa de governo do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro.