Com renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), PLR será paga até 30 de setembro.
O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) assinaram, na quarta-feira (9/9), em São Paulo, a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, com vigência até 31 de agosto de 2028. Com isso, os trabalhadores receberão a primeira parcela da PLR, referente ao adiantamento do exercício de 2026, até o final de setembro.
A nova CCT garante a correção pelo INPC acumulado de setembro de 2025 a agosto de 2026 (e que será divulgado pelo IBGE na sexta-feira), acrescido do aumento real de 0,6%, sobre os salários e demais verbas, incluindo vales alimentação (VA), refeição (VR), auxílio creche/babá e PLR (tanto na regra básica, quanto na parcela adicional). O aumento real acumulado em dois anos será de 1,2% em todas as verbas.
A assinatura também preserva todos os direitos da CCT e avança em novas conquistas relacionadas à saúde, melhores condições de trabalho e proteção ao emprego (ver detalhes abaixo).
Dentro do cenário desafiador de reestruturação do sistema financeiro, avanços tecnológicos e tentativas de imposição de perdas salariais, foi garantido um aumento real acima da inflação por dois anos, aplicado aos salários e a todas as verbas remuneratórias. A medida representa cerca de R$ 6,9 bilhões injetados anualmente na economia da categoria.
O acordo preservou 100% da convenção coletiva, resguardando direitos superiores à legislação trabalhista. Além disso, avançou em pautas fundamentais como monitoramento digital, gestão ética da tecnologia, direito à desconexão e diretrizes voltadas à prevenção de riscos psicossociais e do adoecimento mental no trabalho.
Para consolidar essas conquistas, destaca-se a necessidade de manter a unidade nacional, assegurando a proteção das normas coletivas e novos avanços em cláusulas sociais e econômicas.
A agenda sindical e de proteção ao setor financeiro também aponta para a urgência de regulamentações que protejam os trabalhadores contra a terceirização predatória e os impactos de formas precárias de contratação, como a pejotização.
Resumo das propostas da CCT 2026-2028
Cláusulas econômicas (reposição do INPC + 0,6%) sobre os salários e todas as demais verbas econômicas nos dois anos de vigência da nova CCT, incluindo:
- PLR (tanto na regra básica, quanto na parcela adicional)
- Vales alimentação e refeição;
- 13ª cesta alimentação;
- Auxílio creche/babá;
- Auxílio filhos com deficiência;
- Verba de requalificação profissional na demissão e etc.
Avanços nas cláusulas sociais
Saúde mental: A negociação incorporou novos temas relacionados à transformações do mundo do trabalho, entre eles a maior participação dos trabalhadores na gestão dos riscos psicossociais previstos na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
Combate ao assédio: O banco disponibilizará o canal de combate ao assédio moral e sexual (conquistado na Campanha Nacional de 2024), também para receber denúncias sobre atos praticados por clientes contra funcionários.
Monitoramento digital: Transparência e limites à vigilância, a partir de ferramentas de monitoramento digital no trabalho e direito a um feedback humanizado, com o objetivo de estabelecer uma gestão ética da tecnologia, para proteção aos bancários.
Direito à desconexão: Para que bancários e bancárias tenham respeitado seu tempo de descanso, não sendo obrigados a atender ou responder mensagens fora da jornada de trabalho, sejam elas de clientes ou de gestores.
Programa de indenização, qualificação e recolocação – para trabalhadores de bancos privados, demitidos em razão do fechamento de agências:
1 – Contratação de consultoria internacional que irá elaborar diagnósticos, a partir de entrevistas e definir planos de qualificação individualizados, visando a recolocação dos trabalhadores no mercado de trabalho.
2 – O aumento da indenização adicional, além do já previsto na CCT, conforme tabela abaixo:

Paralisação do dia 20 de agosto: A Fenaban garantiu ainda que o dia de paralisação será abonado para os trabalhadores das bases que aprovaram a acordo.
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Mesa única e conjuntura política garantem valorização real
Já considerando o aumento real de 0,6% para este ano e para o próximo ano de vigência da nova CCT, a categoria bancária passa a acumular um aumento real de 25% entre 2004 (início efetivo da mesa única de negociação) e 2027.
Mas essa valorização real não ocorreu de forma uniforme ao longo dos anos. Nos períodos em que presidentes de direita estiveram no poder, os bancários receberam valorização menor ou até sofreram perdas salariais. Já nos períodos de governos progressistas, a categoria registrou valorização foi significativamente maior, recompondo perdas sofridas em anos anteriores.
A análise da trajetória de reajustes salarias aponta, portanto, que tanto a proteção da mesa única de negociações quanto a conjuntura política favorável são dois fatores fundamentais para que a categoria garanta aumento real. Veja abaixo:
- Durante os dois primeiros mandatos do presidente Lula (2003 – 2010), os bancários acumularam 7,55% de ganho real; e no governo de Dilma Roussef (2011 – 2015), a valorização real foi de 7,7%.
- Já no período em que Michel Temer ocupou a Presidência, houve ganho acumulado de 0,82% (entre 2016 e 2018), sendo que em 2016 houve perda real de 1,48%. No governo de Jair Bolsonaro (2019 – 2022), os bancários tiveram perda salarial real de 0,68%.
- Após a eleição de Lula para o seu terceiro mandato (2023 – 2026), os bancários já acumulam 2,62% de aumento real. Esse percentual sobe agora para 2,73% (2023 – 2027), considerando o reajuste válido para o segundo ano da CCT agora vigente.