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Caixa Econômica Federal

Caixa tem lucro de R$ 3,9 bilhões no 2º trimestre, alta de 5,9%

27 de agosto de 2026

Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo relatório da administração divulgado nesta quarta-feira (26). A Caixa Econômica Federal acumula um lucro líquido de R$ 7,4 bilhões no primeiro semestre de 2026.

O resultado foi impulsionado pela expansão da carteira de crédito, que encerrou o segundo trimestre de 2026 em R$ 1,45 trilhão, alta de 11,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A captação e as receitas de prestação de serviços também contribuíram para o desempenho no trimestre, segundo a Caixa.

carteira imobiliária atingiu R$ 1,01 trilhão, alta de 15% em relação ao mesmo período de 2025. As carteiras comercial, de infraestrutura e de agronegócio totalizaram R$ 270,4 bilhões, R$ 110,5 bilhões e R$ 62,3 bilhões, respectivamente. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu 0,98 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025, para 3,64%.

Já a provisão para créditos de liquidação duvidosa alcançou R$ 7 bilhões, alta de 97,6% na comparação anual. O Índice de Basileia ficou em 15,5%, ante 16% no segundo trimestre de 2025.

Resultado precisa se refletir em valorização

Para a representação dos empregados, os resultados reforçam a cobrança para que a solidez financeira da Caixa seja acompanhada pela valorização de quem trabalha no banco.

A minuta específica da Campanha Nacional dos Bancários 2026 reivindica, entre outros pontos, uma PLR Social equivalente a 6% do lucro líquido, distribuída de forma linear e sem limite individual, além da retirada de limitadores, maior transparência nos cálculos e participação das entidades sindicais no acompanhamento dos critérios.
Na remuneração variável, a reivindicação é pela revisão do Super Caixa, com adoção do princípio “vendeu, recebeu”, pagamento integral de comissões e premiações, critérios claros e previamente divulgados e regras que não estimulem pressão, competição adoecedora ou assédio.

O Saúde Caixa também está no centro das reivindicações. A minuta pede o fim do teto estatutário que limita a participação do banco no custeio do plano e a garantia da proporção de 70% das despesas para a Caixa e 30% para os empregados. A retirada do teto de 6,5% da folha salarial é uma das prioridades da CEE nas negociações de 2026.
“Um banco que encerra seis meses com R$ 7,4 bilhões de lucro, quase R$ 2,4 trilhões em ativos e uma carteira de crédito de R$ 1,448 trilhão tem resultados que demonstram sua força. O que estamos cobrando é que essa força também seja usada para valorizar quem constrói esses números. Isso significa colocar mais recursos no Saúde Caixa, melhorar a PLR, corrigir os problemas dos programas de remuneração variável e garantir remuneração adequada, contratar mais empregados e oferecer condições de trabalho que não adoeçam as pessoas”, concluiu Luiza Hansen.

Adoecimento acende alerta

Os dados sobre saúde reforçam a preocupação. Pesquisa realizada pela Fenae em 2025, com 3.820 empregados da ativa e aposentados de todas as regiões do país, avaliou condições de trabalho e percepções sobre saúde física e mental.

O levantamento apontou a cobrança por resultados, o ritmo acelerado de trabalho e a fiscalização constante do desempenho entre os principais riscos psicossociais. O estudo estima que ao menos dois terços dos trabalhadores pesquisados podem estar trabalhando adoecidos. Também mostrou que 41% consideram o risco de descomissionamento uma ameaça constante e 55% se sentem pressionados a vender produtos que não consideram úteis ou benéficos aos clientes.

Outro indicador preocupante é que 32% declararam usar medicação psiquiátrica por motivos relacionados ao trabalho, enquanto 37% dos participantes relataram diagnóstico de problema de saúde mental relacionado ao trabalho.

“Não podemos discutir balanço olhando somente para lucro, carteira de crédito e eficiência. Precisamos olhar também para as pessoas que produzem esses resultados. Quando o quadro é insuficiente, a cobrança por metas é excessiva e a ameaça de perda de função vira instrumento de pressão, o custo aparece na saúde dos empregados. Um banco público forte precisa ser economicamente sólido, mas também precisa ter um ambiente de trabalho saudável e respeitoso”, afirmou a coordenadora da CEE.

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