Economista afirma que sistema brasileiro ganhou espaço por ser mais eficiente e avalia que medidas de Donald Trump terão impacto limitado
O economista e vencedor do Nobel Paul Krugman criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de investigar o Pix e impor tarifas ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Em artigo publicado nesta segunda-feira (20/7), ele afirmou que não faz sentido classificar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos como uma prática comercial desleal.
Segundo Krugman, o Pix se consolidou por oferecer transferências gratuitas para pessoas físicas e de baixo custo para empresas, o que explicaria sua ampla adoção. Para o economista, a perda de espaço de meios de pagamento tradicionais decorre da competitividade do sistema, e não de vantagens indevidas.
O Nobel também rebateu o argumento de que a obrigatoriedade de oferta do Pix pelos bancos favoreceria o sistema público. Na avaliação dele, a exigência é semelhante à obrigação das instituições financeiras de operar com a moeda oficial do país.
Krugman afirmou ainda que as críticas ao Pix refletem interesses de empresas de meios de pagamento, como Visa e Mastercard, e, em menor grau, preocupações com o avanço de sistemas públicos de pagamentos frente ao mercado de criptomoedas. Ele também criticou a resistência de setores republicanos à criação de um dólar digital, avaliando que o receio está relacionado à possível redução da demanda por stablecoins.
Na análise do economista, a ofensiva contra o Pix se assemelha à postura do governo Donald Trump em relação às energias renováveis, por representar uma reação a tecnologias que desafiam modelos de negócio consolidados.
Krugman concluiu que as tarifas tendem a ter efeito limitado. Politicamente, afirmou que a medida pode fortalecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No campo econômico, avaliou que Washington enfrenta restrições para ampliar tarifas sobre produtos brasileiros, como café, suco de laranja e carne bovina, devido ao potencial impacto sobre os preços nos Estados Unidos.