Até o encerramento de sua primeira edição, em 2024, o programa havia renegociado R$ 53,2 bilhões em dívidas de 14,8 milhões de pessoas
O governo federal deve lançar, nos próximos dias, um novo programa de renegociação de dívidas, em fase final de elaboração pelo Ministério da Fazenda.
O programa será uma nova versão do Desenrola Brasil, encerrado em maio de 2024, que permitia renegociar débitos de negativados entre 2019 e 2022, com renda de até dois salários mínimos ou inscritos no CadÚnico.
O Desenrola, cujas negociações eram feitas no ambiente digital (pelo gov.br), oferecia descontos que podiam chegar a até 96% do valor cheio dos débitos, com possibilidade de parcelamento por 60 meses e sem entrada.
De acordo com o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, que concedeu coletiva de imprensa nesta segunda-feira (13/4), o novo programa será anunciado após o retorno de Lula de sua viagem à Europa, em que lidera uma comitiva para tratar de assuntos políticos e comerciais na Espanha, na Alemanha e em Portugal.
Segundo dados divulgados pela Serasa em março deste ano, o número de inadimplentes já soma 81,7 milhões no Brasil, o maior patamar desde 2020.
O Desenrola 2.0 espera liberar um orçamento bilionário do FGTS para a quitação de dívidas (o valor pode chegar a R$ 17 bilhões).
O alto endividamento impacta o consumo e tem anulado os efeitos do crescimento econômico e da queda do desemprego. Segundo estudo do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo), em parceria com a FIA Business School, as bets são o principal motivo do endividamento das famílias: dentre os 22 milhões de brasileiros apostadores, 58% estão endividados.
“O Desenrola não atendeu toda a necessidade, mas nós agora queremos aperfeiçoar um programa para que a gente possa amenizar a dívida”, disse Lula em entrevista à Fórum.
O governo espera arrecadar mais de R$ 4 bilhões com impostos sobre fintechs, casas de apostas e juros sobre capital próprio nos próximos meses, de acordo com as medidas aprovadas no Orçamento federal de 2026.
A iniciativa do novo Desenrola se soma ao momento desafiador da taxa de juros no Brasil, que aumenta o custo do crédito, visto como essencial para o sucesso de políticas de desendividamento.
Em geral, o mercado de crédito cresceu cerca de 68% entre 2023 e 2024, impulsionado pelas fintechs e por programas governamentais como o Acredita e o Crédito do Trabalhador, que dão aportes de crédito privado a fim de sanar o problema das taxas de juros elevadas.
O Desenrola também é um instrumento relevante nesse cenário.
Até o encerramento de sua primeira edição, em 2024, o programa havia renegociado R$ 53,2 bilhões em dívidas de 14,8 milhões de pessoas. Desde o fim do programa, no entanto, o sistema financeiro registrou R$ 61 bilhões em novas dívidas.