Proposta é apoiar população na renegociação das dívidas, que atingem quase 80% das famílias brasileiras.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou na sexta-feira (10/4) que pretende incluir estudantes com dívidas no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) no novo programa para apoiar o pagamento de dívidas dos trabalhadores.
“Está aumentando o endividamento dos meninos do Fies. E nós vamos ter que colocar eles também na nossa negociação de endividamento. A gente não pode tirar o sonho de um jovem que está devendo o seu curso universitário”, afirmou Lula, durante a inauguração de uma nova unidade do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), em Sorocaba.
“Ele vai pagar a dívida dele sendo um profissional competente, porque se ele for um profissional competente, ele vai melhorar a qualidade produtiva do nosso país”, destacou o presidente.
Dados do Ministério da Educação (MEC) indicam que 160 mil estudantes estão com alguma parcela em atraso no Fies, o que representa cerca de R$1,8 bilhão em dívidas com o programa. A proposta de renegociação de dívidas, no entanto, ainda está em estudo e deve ser lançada nos próximos dias.
O percentual de famílias brasileiras endividadas chegou a 80,4% em março desta ano, o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O alto nível de endividamento das famílias brasileiras tem preocupado o governo Lula, que anunciou estar elaborando medidas para apoiar a regularização das dívidas, dentre elas o uso de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Segundo o Ministério do Trabalho, a ideia é liberar até R$ 17 bilhões do fundo para apoiar trabalhadores na quitação de dívidas.
A proposta deve beneficiar mais de 10 milhões de pessoas e integra um pacote mais amplo para reduzir o endividamento das famílias. O tema é tratado como prioridade pelo presidente Lula e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.