Melhorar a divulgação dos canais de atendimento e garantir que não haja perda de rendimento/função em casos de transferência estão entre os pontos a serem melhorados; CEE também cobrou respostas sobre Super Caixa e avisou que vai mobilizar empregados e tomar medidas sindicais e outras cabíveis
Veja o resumo do que você vai ler no texto
• Sindicatos cobra da Caixa dados sobre o canal Acolhe, de apoio a mulheres vítimas de violência doméstica.
• CEE também exige informações sobre o Diálogo Seguro, canal para denúncias de assédio e discriminação no trabalho.
• Representação dos empregados pede ampliação da divulgação dos dois canais.
• Movimento sindical pede divulgação do canal sindical “Basta! Não Irão nos Calar”, que oferece acolhimento e apoio jurídico às trabalhadoras.
• Caixa informa que ainda analisa casos de empregados que não receberam a premiação do Super Caixa.
• CEE propõe nova mesa até 8 de abril para discutir regras do programa em 2026.
• Sobre pendências de 2025, representantes indicam possibilidade de mobilização sindical e outras medidas.
• Banco prevê início da vacinação contra gripe até o fim de abril, podendo antecipar.
• Caixa admite erro no Informe de Rendimentos do IR, mas ainda não informou prazo para correção.
• CEE cobra mesas de negociação mais frequentes, para tratar de temas pendentes da categoria.
A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa se reuniu nesta segunda-feira (31) com a direção do banco, por videoconferência, para discutir políticas de combate à violência contra mulheres, casos de assédio no ambiente de trabalho e outras demandas da categoria. A reunião ocorreu após cobrança dos sindicatos para que a Caixa apresentasse dados sobre o canal de atendimento às empregadas vítimas de violência doméstica, conforme previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários.
Na Caixa, o canal de apoio recebe o nome de Acolhe, voltado ao atendimento de empregadas em situação de violência doméstica e familiar. Durante a reunião, o banco apresentou dados sobre o funcionamento da ferramenta. Segundo as informações apresentadas, o canal registrou 102 acionamentos em 2025, dos quais 25 resultaram na adesão à jornada de acolhimento e 12 levaram à aplicação de medidas protetivas.
A CEE também cobrou informações sobre o Diálogo Seguro, canal destinado ao acolhimento e orientação de trabalhadores em casos de assédio moral, assédio sexual ou discriminação no ambiente de trabalho.
Para a representante da Federação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Fetrafi/NE), Cândida Fernandes (Chay), a discussão é fundamental diante da gravidade do tema no país. “Infelizmente vivemos em um país que ocupa uma posição vergonhosa no ranking de violência contra mulheres. Debater esse tema nas mesas de negociação é fundamental para que possamos avançar em políticas efetivas de proteção e acolhimento às trabalhadoras”, afirmou.
Ampliação da divulgação dos canais
Os representantes dos empregados reconheceram a importância dos canais apresentados, mas reforçaram a necessidade de ampliar a divulgação entre os trabalhadores.
Segundo sindicalistas, muitas trabalhadoras ainda desconhecem os mecanismos de apoio existentes. Por isso, é fundamental ampliar a divulgação desses canais à base, para maior acolhimento e proteção.
A CEE reconheceu o trabalho que vem sendo realizado pela Caixa, mas avalia que é preciso realizar algumas melhorias nas ferramentas utilizadas e nas normas estabelecidas. “É preciso garantir que as empregadas não serão prejudicadas”, disse a representante da Fetrafi/RS, Sabrina Muniz. “A mulher já está passando por uma situação que é, muitas vezes, desesperadora, e ela pode acabar optando por ser transferida, mesmo sem função, para fugir da situação de risco. A Caixa precisa garantir que a mulher não seja ainda mais prejudicada nesse processo de violência. Pra isso, o banco precisa melhorar a norma estabelecida para que ela não seja, mais uma vez, prejudicada por causa de uma violência que sofreu”, completou.
Veja como acessar os canais
Acolhe
Telefone (61) 3545-1500 (de segunda a sexta, em dias úteis, das 9h às 18h)
Canal de atendimento de Pessoas (canal interno, onde o(a) empregado(a) pode registrar solicitações ou dúvidas).
Sou Caixa – Web (não tem característica de urgência/emergência – para estes casos, o banco recomenda ligar para 190 – Polícia Militar, ou para 180).
Diálogo Seguro
Acolhimento interno: Atendimento de Pessoas
Acolhimento externo: 0800 591 2563
Canal Mulher Caixa: Acolhimento da Mulher
Super Caixa segue sem solução
Outro tema debatido na reunião foi o pagamento da premiação do Super Caixa. Muitos empregados relataram não ter recebido o benefício.
A Caixa informou que ainda existe um comitê analisando os casos enviados pelas entidades e pelos próprios trabalhadores, e que as situações seguem em avaliação.
A CEE afirmou que está disposta a discutir soluções para o SuperCaixa 2025 e regras para o Super Caixa 2026, propondo a realização de uma mesa específica sobre o tema até o dia 8 de abril. No entanto, em relação às pendências referentes ao Super Caixa 2025, a representação dos trabalhadores afirmou que irá mobilizar a categoria e adotar as medidas sindicais e outras ações cabíveis.
O movimento sindical vem procurando a Caixa para negociar o regulamento. O banco se mantém intransigente. Após várias cobranças para corrigir as distorções, a Caixa sinalizou que poderia fazer, mas não avançou. Por isso, nesta reunião disseram que vão mobilizar as empregadas e empregados.
Vacinação e erro no Informe de Rendimentos
Os representantes dos empregados também cobraram informações sobre o calendário de vacinação contra a gripe (Influenza) para os trabalhadores da Caixa. Segundo o banco, o processo de contratação das empresas responsáveis pela campanha está em fase final, com previsão de início até a última semana de abril, podendo haver antecipação.
Outro tema tratado foi o erro no Informe de Rendimentos utilizado na declaração do Imposto de Renda. A Caixa reconheceu que houve inconsistências nos dados e informou que já comunicou os empregados sobre o problema. No entanto, o banco afirmou que ainda não tem previsão de quando os informes corrigidos serão disponibilizados e que avisará para a Contraf sobre a solução do problema.
CEE cobra mais mesas de negociação
Durante a reunião, os representantes dos trabalhadores também cobraram maior frequência nas mesas de negociação, para tratar de diversos temas que seguem pendentes.
Entre os assuntos apontados estão:
• Situação pendente referente a função de caixa;
• Premiação do Super Caixa;
• condições de trabalho das pessoas com deficiência (PCDs);
• Saúde Caixa;
• Campanha de vacinação contra a gripe;
• Reposicionamento e fechamento de unidades;
• Projeto Genesis (contact center);
• Implantação das plataformas PJ e impactos na rede e infraestrutura;
• Entrada em vigor da nova NR-1, com mudanças nas normas de saúde e segurança no trabalho;
• Debate sobre um novo plano de cargos e salários.
A CEE reforçou que esses temas impactam diretamente o cotidiano dos trabalhadores e precisam avançar nas mesas de negociação com a empresa.