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Os 12 mais ricos do mundo concentram mais riqueza que os 4 bilhões mais pobres

20 de janeiro de 2026

O mundo chegou a 2026 com um retrato extremo da desigualdade crescente. Segundo o novo relatório da Oxfam, divulgado domingo (19), no marco da abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, os 12 bilionários mais ricos do planeta concentram mais riqueza do que os 4 bilhões de pessoas mais pobres do mundo, o equivalente à metade da população global.

O estudo mostra que 2025 foi um ano recorde para os super-ricos. Pela primeira vez, o número de bilionários ultrapassou a marca de 3 mil pessoas, enquanto a riqueza total desse grupo chegou a cerca de US$ 18,3 trilhões (aproximadamente R$ 91,5 trilhões), o maior patamar já registrado. Apenas no último ano, esse patrimônio cresceu US$ 2,5 trilhões (R$ 12,5 trilhões) – valor que, segundo a própria Oxfam, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.

O dado chama ainda mais atenção quando comparado ao Orçamento da União para 2026, sancionado pelo governo federal no valor total de R$ 6,54 trilhões – ou seja, a fortuna dos bilionários cresceu, em um único ano, o dobro de todo o orçamento federal do Brasil.

Esse avanço acelerado da riqueza no topo contrasta com a estagnação e o agravamento das condições de vida da maioria da população mundial. O relatório aponta que uma em cada quatro pessoas no planeta enfrenta insegurança alimentar, enquanto quase metade da humanidade vive abaixo da linha de pobreza ampliada utilizada pelo Banco Mundial.

Para a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, esse cenário não pode ser tratado como um fenômeno natural. Ela afirmou que a existência de mais de 3 mil bilionários é, antes de tudo, “a expressão de um mundo profundamente desigual”, construído a partir de decisões políticas. Segundo ela, “essa concentração de renda não caiu do céu, ela é resultado da atuação de governos, de potências e dos próprios bilionários para manter e ampliar esse modelo”.

Viviana também chama atenção para o impacto ambiental desse padrão de riqueza. Ela explica que os super-ricos concentram investimentos justamente nos setores mais poluentes e mantêm estilos de vida com alto consumo de recursos.

“Nos primeiros dias do ano, os super-ricos já haviam esgotado sua cota de carbono. Isso tem a ver com o modo de vida e com os setores em que eles lucram”, afirmou. Para a dirigente, essa combinação transforma a concentração de riqueza em uma ameaça “não só à democracia, mas ao futuro do planeta”.

Brasil lidera ranking de bilionários na América Latina. Solução: taxar lucros e dividendos

O país concentra o maior número de bilionários da América Latina e do Caribe, com 66 pessoas que acumulam juntas cerca de US$ 253 bilhões (aproximadamente R$ 1,26 trilhão), a maior fortuna total da região. Esse valor equivale a quase 20% de todo o Orçamento da União para 2026.

Esse volume de riqueza convive, segundo a organização, com um sistema tributário historicamente regressivo. A maior parte da arrecadação no país recai sobre o consumo e sobre a renda do trabalho, o que penaliza de forma desproporcional famílias de baixa renda, mulheres e pessoas negras. Ao mesmo tempo, rendas do capital seguem pouco tributadas.

Para Viviane Santiago, quando poucos concentram tanta riqueza e pagam proporcionalmente menos impostos, “toda a sociedade perde”. A dirigente reconhece que a recente reforma do Imposto de Renda, com isenção para quem ganha até R$ 5 mil, representou um avanço ao ampliar a isenção para rendas mais baixas, mas avalia que o país ainda precisa enfrentar temas estruturais. Segundo ela, medidas como a taxação de lucros e dividendos, grandes fortunas e heranças seriam fundamentais para reduzir desigualdades históricas.

O relatório da Oxfam sustenta que a concentração extrema de riqueza não apenas aprofunda desigualdades sociais, mas também fragiliza a democracia. Ao analisar o cenário global, a organização afirma que, enquanto os super-ricos acumulam patrimônio em ritmo acelerado, governos em diferentes países optam por proteger esses interesses (Congressos), em vez de investir em redistribuição de renda, garantia de direitos e combate à pobreza.

Fórum de Davos

O documento foi apresentado no Fórum Econômico Mundial, que acontece entre os dias 19 e 23 de janeiro, em Davos, na Suíça. O evento reúne mais de 400 autoridades políticas e empresariais de alto escalão – entre elas, cerca de 65 chefes de Estado e governo.

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Fonte: Brasil de Fato Escrito por: Rodrigo Chagas Publicado por: Gustavo Mesquita

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