Crise

Paulo Guedes quer implantar modelo chileno no Brasil

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Paulo Guedes quer implantar modelo chileno no Brasil

Minha geração durante a ditadura de Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990, aprendeu que era melhor não reclamar, Lila Ramírez, chilena 64 anos. Muitos de seus colegas trabalharam 40 anos com carteira assinada e tiveram redução de 60% de salário com a aposentadoria. A saúde pública só opera em caso de vida ou morte e a educação pública é miserável  

O ministro da economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, admirador do ditador Augusto Pinochet, é um velho conhecido dos economistas chilenos que impulsionaram o programa econômico ultraliberal na ditadura (1973-1990). O mesmo modelo que está gerando a maior crise depois da ditadura naquele País. Em seus estudos de pós-graduação na Universidade de Chicago (onde o homem-forte era Milton Friedman, pai intelectual dos Chicago Boys) Guedes estreitou laços com vários estudantes chilenos que depois viriam a ter papéis relevantes na ditadura militar chilena.

 

Um deles foi Jorge Selume Zaror, ex-diretor de Orçamento do regime de Pinochet, que no começo da década de oitenta comandou a Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile, a instituição acadêmica pública mais antiga e importante do país. Foi a convite dele que Guedes trabalhou como pesquisador e professor acadêmico.

 

O projeto de Guedes é fazer no Brasil o que foi feito no Chile pelo economista Sergio de Castro, assessor da Junta Militar a partir de 1973, depois ministro da Economia e da Fazenda e o principal artífice da implantação do modelo junto com os outros economistas de Chicago.

 

Quando Guedes chegou a Santiago, “era o melhor momento dos Chicago boys”, relata a jornalista Carola Fuentes, que junto a Rafael Valdeavellano lançou em 2015 o filme homônimo, no qual os próprios protagonistas das reformas de Pinochet relatam as transformações que promoveram no Chile e seu legado vigente até a atualidade. A diretora de Chicago Boys relata que, no começo da ditadura, eles ocuparam cargos secundários de assessores técnicos. Em março de 1975, entretanto, Friedman visitou o Chile: “Foi quando convence a Pinochet e lhe diz a famosa frase de que as medidas devem ser tomadas de forma radical, porque é melhor cortar o rabo do cachorro de uma só vez do que em pedacinhos”.

 

Em 1982, os Chicago boys foram expulsos da primeira linha logo depois da desvalorização mundial do dólar – em 1979, haviam determinado a fixação da taxa de câmbio –, mas foram sucedidos por outros economistas que não alteraram em nada o modelo. Entre eles José Piñera (irmão do atual presidente chileno Sebastian Piñera) ministro de Pinochet e criador do sistema previdenciário chileno, baseado na capitalização individual. Implementou-a no começo da década de oitenta, justamente a época em que Guedes vivia e trabalhava no Chile.

 

Bolsonaro gostaria de substituir o sistema previdenciário distributivo por outro de capitalização, seguindo o rastro do que foi feito no Chile de Pinochet. Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, não oculta sua admiração pelo modelo que os Chicago boys chilenos implementaram: “O Chile para nós é um exemplo de país que estabeleceu elementos macroeconômicos muito sólidos, que lhe permitiram ser um país completamente diferente de toda a América Latina”.

 

Falta de saúde, educação e previdência públicas geraram crise

 

Conforme noticiário da UOL: a situação da previdência no Chile é uma das principais preocupações dos manifestantes. No Chile, os encarregados das aposentadorias são as Administradoras de Fundos de Pensões (AFP), entidades privadas que recebem parte do salário de todos os trabalhadores formais no país e calculam o valor que cada pessoa receberá quando tiver direito de deixar de trabalhar. No caso de Lila, ela parou de trabalhar durante parte de sua juventude para cuidar dos filhos e recebe 170 mil pesos (R$ 900). Mas ela relata que colegas que trabalharam 40 anos com carteira assinada tiveram redução de 60% de salário com a aposentadoria.

 

Agora, Lila bate panelas na janela do apartamento durante o dia e durante a noite. Ela não vai às manifestações. Ela só vai até a esquina de casa porque sofre de artrose. Já operou o joelho, o quadril e o braço direito. Essa última cirurgia custou 1,8 milhão de pesos (R$ 10 mil), além das mensalidades do plano de saúde. No serviço público de saúde, ela não seria operada a não ser por doença de vida ou morte.

 

“O presidente acha que é um pai para nós, que nós não temos voz. O aumento da passagem é uma desculpa, porque a indignação estava no limite", afirma. As pessoas da minha geração aprenderam na juventude durante a ditadura de Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990, que era melhor não reclamar, Lila Ramírez, 64.

 

A marcha revolucionária na semana passada exigindo maiores salários, mais equipamentos sociais, mais saúde, melhores aposentadorias reuniu na capital chilena, Santiago, mais de 1 milhão e 200 mil pessoas.

 

Guedes, banco Pactual e Fundos sob investigação por fraude de 200 milhões

 

Paulo Guedes foi diretor-técnico, sócio e docente do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) na década de 1980, onde atuou por dezesseis anos.

 

Em 1983, foi um dos quatro fundadores do Banco Pactual, onde atuou como chefe executivo e chefe estrategista. Ao deixar o Banco, montou junto com outro ex-Pactual, André Jakurski, a gestora de recursos JGP Nextar Fund, onde era um dos responsáveis pela supervisão da gestão do Fundo JGP Hedge e pela estratégia das operações. Também tornou-se membro do conselho diretor da PDG Realty S.A Empreendimentos e Participações, da Abril Educação S/A e da Localiza Rent a Car S.A. Também foi sócio-fundador do grupo financeiro BR Investimentos, que viria a ser da Bozano Investimentos, também sob seu controle.

 

Investigado sobre gestão fraudulenta

 

Em 2 de outubro de 2018, o Ministério Público Federal (MPF) decidiu iniciar uma investigação preliminar acerca de suspeitas de fraude na gestão de fundos de investimentos administrados por Guedes. Desde 2009, esses fundos de investimento receberam aportes no valor de R$1 bilhão de reais, oriundos de fundos de pensão de empresas estatais brasileiras (destacando-se os fundos: Previ, do Banco do Brasil; Petros, da Petrobras; Funcef, da Caixa Econômica Federal, e Postalis, dos Correios) que estão sob investigação de forças-tarefa da Polícia Federal, dentre as quais a Operação Greenfield, cujo foco são as aplicações na modalidade Fundo de Investimento em Participações, FIP.

 

Segundo o MPF, depois de receber os recursos dos fundos de pensão, o Fundo BR Educacional, administrado por Guedes, investiu o dinheiro de seus cotistas em apenas uma empresa, a HSM Educacional S/A, também controlada por ele. Com os recursos oriundos dos fundos de pensão, a HSM Educacional comprou 100% do capital de outra empresa criada por Paulo Guedes, a HSM do Brasil S/A.

 

Chamou a atenção dos investigadores o ágio de R$ 16,5 milhões pago pelas ações da HSM do Brasil. Depois disso, a HSM do Brasil S/A passou a apresentar prejuízos recorrentes. Segundo o Ministério Público, os fundos de pensão de estatais que aplicaram em dois fundos de investimento controlados por Paulo Guedes teriam perdido R$ 200 milhões. Em dezembro de 2018, a pedido do Ministério Público, foi instaurado inquérito pela Polícia Federal.

 

Fonte El País, UOL e Wikipédia
Postado por Gustavo Mesquita em Notícias

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