Negros ainda são vítimas de escravidão no Brasil

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Negros ainda são vítimas de escravidão no Brasil

Passados 122 anos desde a Lei Áurea, 3 em cada 4 trabalhadores libertados de situações análogas à escravidão hoje são pretos ou pardos. É o que mostra um estudo do economista Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. São pessoas trabalhando em situações degradantes, com jornada exaustiva, dívidas com o empregador - que o impedem de largar o posto - e correndo riscos de serem mortas. Paixão, que publica anualmente um Relatório de Desigualdades Raciais (ed. Garamond), diz que foi a primeira vez em que conseguiu investigar a cor ou raça desses trabalhadores. Os autodeclarados pretos e pardos -que Paixão soma em seu estudo, classificando como negros- representavam 73% esse grupo, apesar de serem 51% população total do Brasil. Tal como nas pesquisas do IBGE, é o próprio entrevistado que, a partir de cinco opções (branco, preto, pardo, amarelo ou indígena) define sua cor. Para o economista, "a cor do escravo de ontem se reproduz nos dias de hoje. Os negros e índios, escravos do passado, continuam sendo alvo de situações em que são obrigados a trabalhar sem direito ao próprio salário. É como se a escravidão se mantivesse como memória". Pretos e pardos são maioria entre a população mais pobre. Segundo o IBGE, entre os brasileiros que se encontravam entre os 10% pobres, 74% diziam pretos ou pardos. Para Paixão, ainda que hoje a cor não seja o único fator a determinar que um trabalhador esteja numa condição análoga à escravidão, o dado sugere que ser preto ou pardo eleva consideravalmente a probabilidade.

Fonte F
Postado por em Notícias

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