Mais de 40 agências bancárias da Baixada Santista foram paralisadas, ontem quinta-feira (20). A mobilização foi vitoriosa e atingiu Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande, Mongaguá e Itanhaém
Os bancários e bancárias da Baixada Santista paralisaram, dia 20 de agosto, quinta-feira, mais de 40 agências, entre elas estão: todas dos dois maiores polos comerciais de Santos e da região (Gonzaga e Centro) fechadas por 24h, além de unidades de outros bairros. O movimento atingiu também as cidades de Praia Grande, São Vicente, Guarujá, Mongaguá e Itanhaém.
Advertência aos bancos
Esta foi uma advertência à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) pela falta de respostas às reivindicações por reajustes acima da inflação nas remunerações e melhores condições de trabalho.

“A paralisação foi um triunfo da categoria, a mobilização dos funcionários do Banco do Brasil e dos empregados da Caixa foi massiva na região. A adesão em todo o país foi espetacular, reafirmando a tradição de unidade nacional das bancárias e dos bancários. O recado está dado de que a categoria quer respeito e valorização”, explica Élcio Martins da Quinta, presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região.
Na agência central do BB em Santos, por exemplo, os cerca de 200 trabalhadores não entraram para trabalhar (além do atendimento a clientes, o local concentra áreas administrativas). Os empregados da Caixa fecharam 16 unidades na Baixada Santista. Os funcionários do BB paralisaram 17 prefixos (incluem agências, escritórios e departamentos).

A Federação dos Bancários de SP/MS, a qual o Sindicato de Santos e Região é filiado, registrou mais de 900 agências paralisadas da sua base, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
A mobilização dos bancários vai continuar
“Fizemos oito rodadas de negociações, de abril para cá. Estamos pedindo reajuste com base no INPC (índice da inflação) mais 5%. A Febraban recusa e ainda apresenta propostas inaceitáveis: romper com a mesa única de negociação, que reúne bancos públicos e privados; quer estabelecer reajustes diferenciados, assim como diferentes valores dos vales refeição e alimentação, considerando agências da capital e interior”, afirma Ricardo Saraiva Big, secretário geral do Sindicato.
A pressão foi confirmada após Fenaban recuar

Depois de saber (dia 18) que os bancários e bancárias iriam paralisar, a Federação Nacional dos
Bancos (Fenaban) retirou propostas de reajustes por faixas salariais, não reajuste dos vales refeição e alimentação nas cidades do interior e litoral; e de congelamento do piso de ingresso para os novos bancários. Apesar do recuo, a representação dos bancos não apresentou nenhuma proposta de índice de reajuste nesta última rodada. “Só a unidade conquista”, lembra Élcio Quinta.
Banqueiros enrolam nas negociações adiando proposta, para pressionar com fim da ultratividade
- 24/06 – Comando Nacional dos Bancários e das Bancárias entregou minuta de reinvindicações à Fenaban;
- 2/7 – 1ª Rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026;
- 7/7 – 2ª Rodada — Emprego e Tecnologia;
- 16/7 – 3ª Rodada — Igualdade de Oportunidades;
- 21/07 – 4ª Rodada — Saúde e Condições de Trabalho;
- 30/07 – 5ª Rodada — Cláusulas Econômicas;
- 04/8 – 6ª Rodada – Retorno dos banqueiros;
- 13/8 – 7ª Rodada – Retorno dos banqueiros;
- 18/8 – 8ª Rodada – Retorno dos banqueiros, sem proposta.
Fim da ultratividade, aprovada na Reforma Trabalhista, favorece banqueiros
A estratégia dos bancos, de postergar a apresentação de uma proposta para uma data cada vez mais próxima da data-base da categoria (1º de setembro), está relacionada com o fim da ultratividade (garantia da validade de um acordo coletivo de trabalho, além da sua vigência, até a assinatura da sua renovação), aprovado na Reforma Trabalhista (2017), durante o governo de Michel Temer, com amplo apoio de parlamentares da direita.
“Com o fim da ultratividade, caso não seja assinada a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) até a data-base da categoria (próximo 1º de setembro), os mais de 100 direitos dos bancários garantidos, pela luta sindical de quase um século, no Acordo Coletivo, perdem a validade”, define Élcio Quinta, presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região.
Próxima negociação
– Segunda-feira – 24/08: retomada das negociações entre Comando Nacional e Fenaban.
De olho nos números
– O patrimônio líquido do setor bancário atingiu, em 2025, o montante de R$ 1,2 trilhão. O lucro no período R$ 255 bilhões, segundo o Banco Central.
– Enquanto o setor bancário fechava 88 mil postos e 9,5 mil agências, entre 2015 e 2025, os cinco maiores bancos aumentavam em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando seus serviços.
– A remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados chegará a R$ 12,5 milhões em 2026 — valor 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário (somando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR).
– Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas, número que corresponde a uma média de aproximadamente 28,6 milhões de transações por dia útil.
– O lucro por empregado nos bancos é de R$ 438 mil, comprovando a alta rentabilidade gerada pelos bancários.
– Entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% das bancárias e bancários usaram medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes).
– Corte nas despesas com pessoal: Desde 2016, a folha de pagamento dos bancos caiu 7% (sem contar a PLR, a queda é de 11%).
– PLR: Em 1995, os bancos privados distribuíam um percentual de PLR que chegava a alcançar 14%; em 2025, distribuíram em média apenas 5,9%.
Entre os bancos públicos, os percentuais mudam. A Caixa, por exemplo, atingiu o teto de 15% de CCT, e Banco do Brasil se aproximou do índice, com distribuição de 11%.
Os principais eixos da pauta de reivindicações da categoria são:
– 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLR, VA e VR;
– Fim das metas;
– Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);
– Manutenção dos direitos conquistados;
– Manutenção da mesa única, da CCT para toda a categoria e dos direitos já conquistados;
– Defesa do emprego bancário;
– Defesa dos bancos públicos;
– Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.