Cerca de 40 agências bancárias da Baixada Santista foram paralisadas, nesta quinta-feira (20). A mobilização foi vitoriosa e deve continuar, para que a categoria consiga manter seus direitos e garanta reajuste acima da inflação!
Os bancários e bancárias da Baixada Santista paralisaram, nesta quinta-feira (20/08), 40 agências na Baixada Santista, no centro de Santos e Gonzaga, os maiores polos comerciais da região, todas foram fechadas. Além de unidades nas cidades de São Vicente, Guarujá e Praia Grande, por 24h.

“A paralisação foi vitoriosa nacionalmente e demonstrou nossa força. Mas a categoria deve se manter participativa e mobilizada para manter nossos direitos, conquistar novos e reajuste acima da inflação”, explica Élcio Martins da Quinta, presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região.
Paralisações nacionais
As paralisações foram em todo o Brasil, quando a proposta foi recusada, em assembleias (17/08), por 97% da categoria e a paralisação aprovada por 90%. A Campanha Salarial Unificada, compõem bancos públicos e privados.

“Para manter a unidade e a força da categoria precisamos dar continuidade na mobilização. Os bancos querem desmontar a mesa única dos bancários e, com isso, não reajustar salários, PLR e vales. Todos se lembram quando nós bancários do BB e Caixa, bancos públicos, sofremos grandes perdas salariais entre 1995 e 2003, período anterior à consolidação da mesa única de negociação”, diz Ricardo Saraiva Big, secretário-geral do Sindicato.
Bancos retiram itens rebaixados, mas não apresentam reajuste
Na 8ª Rodada de Negociação (18/8), com a rejeição de 97% da categoria, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) retirou propostas de reajustes por faixas salariais, não reajustar os vales refeição e alimentação nas cidades do interior e litoral; e congelar o piso de ingresso para os novos bancários. Apesar do recuo, a representação dos bancos não apresentou nenhuma proposta de índice de reajuste até esta última rodada.
Banqueiros enrolam nas negociações adiando proposta, para pressionar com fim da ultratividade
- 24/06 – Comando Nacional dos Bancários e das Bancárias entregou minuta de reinvindicações à Fenaban;
- 2/7 – 1ª Rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026;
- 7/7 – 2ª Rodada — Emprego e Tecnologia;
- 16/7 – 3ª Rodada — Igualdade de Oportunidades;
- 21/07 – 4ª Rodada — Saúde e Condições de Trabalho;
- 30/07 – 5ª Rodada — Cláusulas Econômicas;
- 04/8 – 6ª Rodada – Retorno dos banqueiros;
- 13/8 – 7ª Rodada – Retorno dos banqueiros;
- 18/8 – 8ª Rodada – Retorno dos banqueiros, sem proposta.
Fim da ultratividade, aprovada na Reforma Trabalhista, favorece banqueiros
A estratégia dos bancos, de postergar a apresentação de uma proposta para uma data cada vez mais próxima da data-base da categoria (1º de setembro), está relacionada com o fim da ultratividade (garantia da validade de um acordo coletivo de trabalho, além da sua vigência, até a assinatura da sua renovação), aprovado na Reforma Trabalhista (2017), durante o governo de Michel Temer, com amplo apoio de parlamentares da direita.
“Com o fim da ultratividade, caso não seja assinada a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) até a data-base da categoria, os mais de 100 direitos dos bancários garantidos, pela luta sindical de quase um século, no Acordo Coletivo, perdem a validade”, define Élcio Quinta, presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região.
Próxima negociação
– 24/08: retomada das negociações entre Comando Nacional e Fenaban.
De olho nos números
– O patrimônio líquido do setor bancário atingiu, em 2025, o montante de R$ 1,2 trilhão. O lucro no período R$ 255 bilhões, segundo o Banco Central.
– Enquanto o setor bancário fechava 88 mil postos e 9,5 mil agências, entre 2015 e 2025, os cinco maiores bancos aumentavam em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando seus serviços.
– A remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados chegará a R$ 12,5 milhões em 2026 — valor 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário (somando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR).
– Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas, número que corresponde a uma média de aproximadamente 28,6 milhões de transações por dia útil.
– O lucro por empregado nos bancos é de R$ 438 mil, comprovando a alta rentabilidade gerada pelos bancários.
– Entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% das bancárias e bancários usaram medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes).
– Corte nas despesas com pessoal: Desde 2016, a folha de pagamento dos bancos caiu 7% (sem contar a PLR, a queda é de 11%).
– PLR: Em 1995, os bancos privados distribuíam um percentual de PLR que chegava a alcançar 14%; em 2025, distribuíram em média apenas 5,9%.
Entre os bancos públicos, os percentuais mudam. A Caixa, por exemplo, atingiu o teto de 15% de CCT, e Banco do Brasil se aproximou do índice, com distribuição de 11%.
Os principais eixos da pauta de reivindicações da categoria são:
– 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLR, VA e VR;
– Fim das metas;
– Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);
– Manutenção dos direitos conquistados;
– Manutenção da mesa única, da CCT para toda a categoria e dos direitos já conquistados;
– Defesa do emprego bancário;
– Defesa dos bancos públicos;
– Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.