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Categoria bancária entrega minuta de reivindicações à Fenaban

25 de junho de 2026

O Comando Nacional dos Bancários e das Bancárias entregou, quarta-feira (24/06), a minuta de reinvindicações para a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O encontro marca oficialmente o início da Campanha Nacional Unificada para a reposição da inflação, reajustes salariais e outros direitos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que deve ter a assinatura renovada até a véspera da data-base da categoria, em 1º de setembro.

A primeira mesa de negociação da Campanha Nacional Unificada também já tem data marcada. Será no dia 2 de julho, na capital paulista.  

“Esse é um documento construído coletivamente, a partir de conferências regionais, estaduais e com base na Consulta Nacional que, neste ano, teve a participação de cerca de 55 mil bancários e bancárias de todo o país”, destacou a coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf, Juvandia Moreira, completando que a minuta contém reivindicações gerais e de grupos específicos, a exemplo das pessoas com deficiência. “É o resultado de uma construção ampla”, pontuou.

Juvandia ressaltou ainda que o Comando Nacional representa federações de todas as regiões do país, quatro centrais sindicais (Intersindical Central da Classe Trabalhadora, CUT, UGT e CTB) e diferentes forças políticas.

Os principais eixos da pauta de reivindicações da categoria são:

– 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLR, VA e VR;

– Fim das metas;

– Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);

– Manutenção dos direitos conquistados;

– Manutenção da mesa única, da CCT para toda a categoria e dos direitos já conquistados;

– Defesa do emprego bancário;

– Defesa dos bancos públicos;

– Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.

Entre 2020 e 2025, o lucro líquido do Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 114%, com destaque para os bancos digitais, que registraram salto de 2.137% no lucro, seguido pelas cooperativas com 180% de aumento. No mesmo período, os bancos privados e públicos também mantiveram tendência de alta, com crescimento de 114% e 46%, respectivamente.

Entretanto, apesar desse cenário de lucros multibilionários, os bancos seguem fechando agências e reduzindo postos de trabalho. O movimento sindical aponta que a luta dos bancários sempre foi por valorização salarial, profissional, por distribuição de renda e dos lucros multibilionários do setor financeiro. Os cinco maiores bancos do país lucraram R$ 145 bilhões em 2025, e neste ano, só os três maiores bancos privados – Bradesco, Itaú e Santander – já obtiveram lucro de R$ 35 bilhões no primeiro trimestre, resultado 16% maior que do mesmo período do ano passado.

Entre 2024 e 2025, foram fechados 14 mil postos de trabalho e mais de 1.300 agências foram encerradas pelos cinco maiores bancos. O Comando dos Bancários afirma que essa reestruturação está preocupando categoria, aumentando a insegurança sobre a manutenção do seu emprego, onde será o seu local de trabalho. Tudo isso estará em debate nessa campanha nacional.

Consulta Nacional

O movimento sindical apresentou aos bancos os principais resultados da Consulta Nacional dos Bancários 2026, e que ajudou a nortear o conteúdo da minuta de reivindicações.

Entre as cláusulas econômicas, a principal prioridade apontada pela categoria foi o aumento real de salário, indicado por 93% dos respondentes. Em seguida aparecem aumento da PLR, com 63%; aumento maior para o vale-alimentação e o vale-refeição, com 51%.

A Consulta Nacional, realizada entre os dias 17 de abril e 31 de maio, revela ainda a preocupação da categoria com a saúde mental e combate ao assédio moral e outras formas de violência no ambiente de trabalho.

Nas cláusulas sociais, a manutenção de direitos aparece como a principal prioridade, citada por 65% dos respondentes. Emprego foi indicado por 45%; plano de saúde, por 39%; combate ao assédio moral, por 35%; igualdade de oportunidades, por 24%; previdência complementar, por 19%; e impacto das inovações tecnológicas, por 17%.

A consulta também revelou que 40% dos bancários usaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, 72,6% afirmaram que o ambiente de trabalho no banco em que atuam traz impactos negativos para a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Apenas 14,3% disseram que não há impactos negativos e 12,6% responderam que não sabem.

Ultratividade

O Comando Nacional também defendeu a assinatura de um pré-acordo para garantir a ultratividade da Convenção Coletiva de Trabalho, fundamental para dar segurança aos trabalhadores durante o processo de negociação. A ultratividade assegura a manutenção de todas as cláusulas e conquistas da categoria até a celebração de um novo acordo, preservando direitos e garantindo equilíbrio nas negociações.

“O fim da ultratividade, pela Reforma Trabalhista assinada por Michel Temer, em 2017, ameaça o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos bancários e todos os direitos e benefícios. Sem ela, tudo pode ser extinto, dia 31 de agosto, em cada Campanha a ser negociada. Caso, até lá, não tivermos fechado o novo ACT, em nossa data base (01 de setembro). É fundamental a união, mobilização e filiação ao Sindicato. Essa Campanha depende de você e sua luta, junto aos sindicatos, pelo aumento salarial, emprego e direitos”, explica Élcio Quinta, bancário do Itaú e presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região.

Lançamento da Campanha da Categoria Bancária 2026

Também na quarta-feira (24), ocorreu o lançamento digital da Campanha Nacional Unificada da Categoria com o tema “Bancárias e bancários feitos de esperança, movidos pela luta”.

O secretário de Comunicação da Contra, Elias Hennemann Jordão, explica que o objetivo da mote aprovado na 28ª Conferência Nacional dos Bancários e Bancárias é reforçar a defesa da vida, da dignidade e dos direitos na mobilização da categoria.

“A campanha afirma que somos feitos de esperança porque acreditamos na capacidade de transformação da luta coletiva. Mas também deixa claro que essa esperança não é passiva: ela se move pela organização, pela mobilização e pela defesa concreta de salário, emprego, PLR, saúde, direitos e dignidade no trabalho”, completou.

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