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	<title>Trabalho sem direitos &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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		<title>A uberização do trabalho e a ilusão da autonomia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Apr 2025 12:29:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[A promessa de liberdade esconde um sistema de controle invisível, onde algoritmos ditam regras, rendimentos e o futuro de quem vive da falsa autonomia Na publicidade, a Uber vende a ideia de liberdade. Trabalhe quando quiser, do jeito que quiser, sem patrões ou até mesmo sem amarras. Sem bater cartão ou até mesmo dar satisfação [&#8230;]]]></description>
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<h4 class="wp-block-heading has-cyan-bluish-gray-color has-text-color has-link-color wp-elements-2">A promessa de liberdade esconde um sistema de controle invisível, onde algoritmos ditam regras, rendimentos e o futuro de quem vive da falsa autonomia</h4>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na publicidade, a Uber vende a ideia de liberdade. Trabalhe quando quiser, do jeito que quiser, sem patrões ou até mesmo sem amarras. Sem bater cartão ou até mesmo dar satisfação para o chefe. Como ele se chama? Algoritmo! Esse pequeno grande revolucionário mudou a mobilidade e o mercado de trabalho. Mas, quem olha bem de perto ouve e vê outra história: jornadas extenuantes, rendimentos voláteis, riscos elevados e uma ausência completa de garantias. A promessa de autonomia se dissolve na realidade dos algoritmos que controlam o ritmo, os ganhos e, muitas vezes, a dignidade dos motoristas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tive uma boa experiência nesse assunto. Era o ano de 2010 e já morava na Holanda há dois anos. Resolvi entrar de cabeça no trabalho de&nbsp;<em>bike messenger</em>&nbsp;no país. Comecei como autônomo e depois proprietário da empresa. Sofri dois acidentes. Em um, o motorista teve culpa e pagou todos os prejuízos. No segundo, caí sozinho e machuquei a mão esquerda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na adrenalina não parei de pedalar. Parei em um sinal e um ciclista olhou para mim e se assustou. “O que você tem na mão? Tem que ir para um hospital agora”, comentou. “Já estou acostumado”, respondi de bate-pronto. Semanas depois estava melhor só que nesse acidente quem mais se assustou foi a minha esposa. Muito pelo fato de eu não ter nenhum direito trabalhista, clientes e salário fixo. Anos depois, parei e resolvi dar um basta nessas aventuras perigosas. Senti por anos, na pele e no bolso o que foi a dita “uberização” do trabalho. O que é isso?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sociólogo Ricardo Antunes, um dos principais estudiosos das transformações do mundo do trabalho, cunhou o termo “uberização” para descrever essa nova forma de exploração laboral. Ele argumenta que o modelo da Uber não apenas precariza as condições de trabalho, mas também redefine o papel do trabalhador na economia, convertendo-o em um prestador de serviço descartável, sem proteção social ou segurança jurídica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Uber se exime de qualquer responsabilidade sobre seus motoristas. Formalmente, eles não são empregados, mas “parceiros”. Uma relação assimétrica onde a plataforma detém todo o controle sem assumir nenhum ônus. Isso significa que, quando um motorista sofre um acidente, é assaltado ou simplesmente é banido do aplicativo sem explicação, não há instância real de recurso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse modelo se expande. E não apenas como uma forma de transporte: entregadores de comida, profissionais da saúde, do ensino e até da área jurídica começam a ver sua profissão sendo mediada por algoritmos opacos. O sociólogo espanhol Antonio Casilli, em seu livro&nbsp;<em>En attendant les robots</em>, mostra como plataformas digitais exploram a mão de obra invisibilizada para alimentar inteligências artificiais e sistemas automatizados. O trabalho não desaparece, apenas se torna mais fragmentado, desprotegido e mal remunerado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, o impacto é ainda mais cruel. Em um país de alta informalidade e poucas opções de trabalho digno, a Uber e empresas similares se tornam uma última alternativa. Para muitos, é isso ou o desemprego. Mas, o custo é alto: jornadas que podem ultrapassar 12 horas diárias, desgaste físico e mental, além do endividamento com a manutenção dos veículos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O futuro do trabalho parece estar cada vez mais nas mãos dessas plataformas, e a regulação não acompanha o ritmo da transformação. A questão é: é possível frear a precarização e construir um modelo de trabalho digital que respeite direitos básicos? A resposta está em disputa, mas enquanto a Uber continuar operando sem responsabilização, a liberdade prometida seguirá sendo apenas uma ilustração bem desenhada na tela de um smartphone.</p>
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