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	<title>terraplanistas &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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		<title>&#8220;Negacionismo é um problema coletivo&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate></pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[contra vacinas]]></category>
		<category><![CDATA[terraplanistas]]></category>
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					<description><![CDATA[O jornalista Carlos Orsi comenta a importância de cada indivíduo atuar em prol da verdade científica Militante contra o negacionismo, jornalista Carlos Orsi, que acaba de lançar um livro sobre o tema, comenta a importância de cada indivíduo atuar nessa trincheira em prol da verdade científica.   Com critérios científicos e jornalísticos, Carlos Orsi mergulhou [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O jornalista Carlos Orsi comenta a importância de cada indivíduo atuar em prol da verdade científica</p>
<p></p>
<p>Militante contra o negacionismo, jornalista Carlos Orsi, que acaba de lançar um livro sobre o tema, comenta a importância de cada indivíduo atuar nessa trincheira em prol da verdade científica.</p>
<p> </p>
<p>Com critérios científicos e jornalísticos, Carlos Orsi mergulhou sobre as origens do negacionismo para escrever — em parceria com sua cônjuge, a microbiologista Natalia Pasternak — o recém-lançado Contra a realidade: a negação da ciência, suas causas e consequências.</p>
<p> </p>
<p>No livro, fica esmiuçada a origem do termo &#8220;negacionismo” e os impactos que tal postura tem sobre a sociedade contemporânea.</p>
<p> </p>
<p>Há pessoas que se sentem atraídas pelo negacionismo porque não pararam para pensar o suficiente</p>
<p> </p>
<p>&#8220;A pandemia escancarou os riscos que a negação de realidades científicas bem estabelecidas trazem, principalmente na formulação de políticas públicas e na tomada de decisões individuais que têm consequências públicas”, afirma o jornalista.</p>
<p> </p>
<p>Orsi é um dos fundadores do Instituto Questão de Ciência (IQC) e editor-chefe da Revista Questão de Ciência, publicada pela mesma entidade. Ele é, sobretudo, um militante contra pseudociências, negacionismos e afins.</p>
<p> </p>
<p>Além deste novo livro, já publicou obras como Pura picaretagem, Livro dos Milagres, Livro da Astrologia e Ciência no Cotidiano.</p>
<p> </p>
<p>Atualmente, vive em Nova York, nos Estados Unidos, onde vem buscando ampliar o alcance internacional do IQC.</p>
<p> </p>
<p>&#8220;Há pessoas que se sentem atraídas pelo negacionismo porque não pararam para pensar o suficiente no assunto e porque sentem algum tipo de atração emocional pelo tema. Temos de disputar essas pessoas, produzindo conteúdo, conversando, publicando livros, participando de programas de TV, fazendo a informação correta circular de forma clara e atraente. Essa é a arena de disputa”, defende ele, em entrevista à DW Brasil.</p>
<p> </p>
<p><strong>DW Brasil: Como surgiu, afinal, o negacionismo? Podemos dizer que foi com o Holocausto?</strong></p>
<p>Carlos Orsi: A expressão &#8220;negacionismo&#8221; realmente foi cunhada para se referir ao fenômeno específico do chamado revisionismo histórico do Holocausto. Até para distinguir do que é um revisionismo histórico legítimo, ou seja, o trabalho de historiadores de voltar às fontes, rever interpretações e, de repente, mudar algum relato histórico com base na descoberta de novas informações. Para separar o revisionismo legítimo daquele feito pelo pessoal que tentava ficar inventando pretextos e análises malucas para negar o massacre de 6 milhões de judeus, ciganos, homossexuais e outras minorias pelos nazistas, cunhou-se o termo negacionismo.</p>
<p> </p>
<p><strong>Ou seja, já havia negacionistas antes&#8230;</strong></p>
<p>Uma vez criado o termo, começamos a perceber o que de específico ele descreve: pessoas que negam evidências bem estabelecidas para criar uma narrativa, para fingir que essas evidências não existem. Esse tipo de procedimento, de comportamento, não é um fenômeno exclusivo do Holocausto, já aparecia antes em outras áreas.</p>
<p> </p>
<p>É como quando se descreve uma nova doença e se percebe que aquele conjunto de sintomas já havia sido encontrado antes, embora não houvesse um nome. Negacionismo é algo que dá para aplicar a várias instâncias e situações que são definidas: a negação de evidências muito claras, de um consenso claro entre especialistas, sem uma base de evidências sólidas e a partir da criação de uma narrativa fantasiosa. Isso já ocorria em campanhas da indústria de tabaco para fingir que o fumo não causa câncer.</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><span class="jwc_contact icon-"><strong>O negacionismo surge sempre quando a realidade implica fatos e atitudes que desagradam aos interesses de algum grupo</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="jwc_contact icon-"><strong> </strong></span></p>
<p>Movimentos terraplanistas remontam ao século 19. Naquela época, eram chamados de paradoxalistas. Antes mesmo havia as negações das evidências de Galileu [Galilei, cientista italiano que viveu entre 1564 e 1642, reconhecido como o &#8220;pai da ciência moderna”] de que a Terra gira em torno do Sol. O ponto inicial mais notório do que a gente chama hoje de negacionismo no Ocidente, a construção de narrativas para descontar evidências claras de um fato que está diante dos olhos de qualquer um que se proponha a examiná-los, é a negação do heliocentrismo.</p>
<p> </p>
<p>Esse comportamento está na base do que depois seriam os paradoxalistas e chega ao chamado negacionismo industrial do setor do tabaco, que depois legou suas técnicas para a indústria do petróleo na questão do aquecimento global — e ao fenômeno que acabaria identificado com suas características definidoras, o caso da negação do Holocausto.</p>
<p> </p>
<p><strong>O que alimenta o negacionismo, afinal?</strong></p>
<p>Ele surge sempre quando a realidade implica fatos e atitudes que desagradam aos interesses de algum grupo estabelecido. Esses interesses podem ser econômicos, políticos ou identitários. O negacionismo da evolução, por exemplo, o criacionismo, surge para preservar um tipo de identidade, de pessoas que acham que se aceitarem a evolução natural terão de abandonar sua fé religiosa ou terão de rever seus laços comunitários com aqueles que partilham da mesma fé.</p>
<p> </p>
<p>O negacionismo dificilmente é uma negação gratuita, que se esgota em si. E esse é muitas vezes um caminho para estabelecer diálogos com certos negacionismos. Como ele se alimenta desse apelo emocional, esta é uma maneira de construir uma ponte. No caso da pandemia de covid-19, por exemplo, as pessoas são emocionalmente colocadas numa situação de temer que o governo vai tomar o controle da vida delas, ao determinar que elas usem máscaras ou utilizem o passaporte de imunidade. Eles assustam as pessoas com as consequências do que eles acreditam. Se a gente conseguir demonstrar que tais consequências são falsas ou criar um tipo de tranquilização podemos construir uma ponte emocional.</p>
<p> </p>
<p><strong>Como seria essa ponte?</strong></p>
<p>A questão das vacinas é muito clara. Com exceção dos antivacinistas fanáticos, a maioria das pessoas que tem hesitação quanto às vacinas, e aqui não estou falando especificamente das vacinas contra a covid, são aqueles preocupados com a saúde dos filhos. Essa preocupação é o núcleo emocional. Se você conseguir estabelecer um diálogo mostrando que também tem essa preocupação e que aceitar [a eficácia das vacinas] é mais útil para preservar a saúde do que negá-las, isso ajuda bastante.</p>
<p> </p>
<p>A principal ferramenta negacionista é apelar para o medo. E eles usam a retórica, as meias-verdades, os recortes desonestos da questão, coisas que parecem fazer sentido, mas no contexto errado. Isso é complicado, porque se o cara está só mentindo, você esfrega a verdade na cara dele. Mas se ele fala uma meia-verdade, você tem de explicar, o que é uma tarefa muito mais complicada e sofisticada.</p>
<p> </p>
<p><strong>A pandemia de covid escancarou que o negacionismo pode ser, além de questão individual, um problema de saúde pública?</strong></p>
<p>A pandemia escancarou os riscos que a negação de realidades científicas bem estabelecidas trazem, principalmente na formulação de políticas públicas e na tomada de decisões individuais que têm consequências públicas. Isso ficou muito claro. O negacionismo é um problema coletivo. Nunca foi realmente um problema individual.</p>
<p> </p>
<p>As pessoas têm muito essa visão de que &#8220;que mal tem o cara acreditar numa bobagem, problema dele”. Mas o partido nazista da Alemanha levou muitos anos para chegar ao poder e durante todo o tempo eles existiam como um partido marginal, minoritário. Eles falavam que os judeus eram fonte de todos os problemas, e as pessoas davam de ombros, &#8220;esses loucos falando bobagens aí”. Um belo dia chegaram ao poder e fizeram tudo o que discursavam.</p>
<p> </p>
<p>Hoje temos o movimento antivacina, um fã declarado de torturadores na presidência da República, e achamos que isso não vai ter consequências. As crenças têm consequências. Ficamos nessa esperança de que as pessoas que têm crenças estúpidas não vão levar as consequências a cabo, mas é uma fé infundada. Isso requer cuidado e combate.</p>
<p> </p>
<p><strong>E como combater?</strong></p>
<p>Pelos corações e mentes dos indecisos. A maioria das pessoas ouviu falar na escola que a Terra é redonda, acreditou no professor e nunca mais pensou no assunto. Aí aparecem os terraplanistas, e essa pessoa que nunca pensou no assunto de repente tem uma inclinação de se achar outsider — e questionar a esfericidade da Terra é uma forma divertida de questionar a autoridade constituída. Há pessoas que se sentem atraídas pelo negacionismo porque não pararam para pensar o suficiente no assunto e porque sentem algum tipo de atração emocional pelo tema.</p>
<p> </p>
<p>Temos de disputar essas pessoas, produzindo conteúdo, conversando, publicando livros, participando de programas de TV, fazendo a informação correta circular de forma clara e atraente. Essa é a arena de disputa. Além disso, deve haver coerção? Acho que em alguns casos muito específicos, quando o negacionismo gera dano explícito e inegável. Um exemplo: quando as empresas de petróleo ficam tergiversando sobre o impacto da queima de combustíveis fósseis sobre o clima e financiando ONGs de fachada para combater o movimento ambientalista. Esses grupos têm de ser punidos. Confio muito no princípio do John Stuart Mill [filósofo e economista britânico que viveu entre 1806 e 1873]: o discurso deve ser livre a menos que gere perigo real e imediato à vida e à propriedade de alguém.</p>
<p>Fonte: DW Brasil<br />Escrito por: Edison Veiga</p>
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