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	<title>STF intervém nos TRTs &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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	<title>STF intervém nos TRTs &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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		<title>Trabalho: STF, chancela do neoliberalismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2024 11:39:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Ataque a justiça do Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque Menor]]></category>
		<category><![CDATA[STF chancela terceirização]]></category>
		<category><![CDATA[STF intervém nos TRTs]]></category>
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					<description><![CDATA[Grandes empresas violam direitos disfarçando relações trabalhistas sob a máscara de “contratação de MEIs”. Justiça do Trabalho atua para conter fraudes – mas o STF esvazia suas decisões, e amplia precarização. Criam-se precedentes perigosos para garantias fundamentais Em julho do ano passado,&#160;Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou uma ação trabalhista vencida [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h4 class="wp-block-heading has-cyan-bluish-gray-color has-text-color has-link-color wp-elements-2">Grandes empresas violam direitos disfarçando relações trabalhistas sob a máscara de “contratação de MEIs”. Justiça do Trabalho atua para conter fraudes – mas o STF esvazia suas decisões, e amplia precarização. Criam-se precedentes perigosos para garantias fundamentais</h4>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em julho do ano passado,<strong>&nbsp;</strong><a href="https://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15359693313&amp;ext=.pdf">Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou uma ação trabalhista vencida por uma médica contra um hospital</a>. A profissional da saúde havia trabalhado por oito anos recebendo salário como pessoa jurídica (PJ), e cobrava o reconhecimento de vínculo empregatício e o pagamento de direitos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quatro meses depois, a ministra Carmen Lúcia invalidou decisão semelhante, favorável a um diretor de programas do SBT que atuou na emissora por 11 anos, também como PJ.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em dezembro, foi a vez de Gilmar Mendes&nbsp;<a href="https://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15366500027&amp;ext=.pdf">derrubar uma decisão da Justiça do Trabalho que beneficiava um representante comercial</a>. Já em janeiro deste ano, Moraes cancelou novamente outra ação vencida por uma médica “pejotizada”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em todos esses casos, os ministros do STF cassaram vínculos empregatícios reconhecidos em ao menos uma das três instâncias da Justiça do Trabalho – varas, tribunais regionais e Tribunal Superior do Trabalho (TST). Com isso, também anularam o pagamento de 13º,&nbsp;férias remuneradas, dentre outros direitos previstos na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), reivindicados por profissionais contratados inicialmente como PJs.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em linhas gerais, o discurso dos magistrados do STF bate na tecla de que a legislação trabalhista brasileira já não dá conta das transformações do mundo do trabalho, e de que a suprema corte já tem um entendimento consolidado sobre a constitucionalidade de todo tipo de terceirização. Em suas decisões, também têm invocado o princípio da livre iniciativa e defendido a redução dos custos de contratação para os empregadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só entre janeiro e agosto do ano passado, ministros do STF julgaram monocraticamente (ou seja, de forma individual) 841 reclamações de empregadores contra decisões de tribunais trabalhistas, ligadas à pejotização e à terceirização, de acordo com uma pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, fontes ouvidas pela Repórter Brasil afirmam que os juízes da suprema corte não só vêm misturando indevidamente os conceitos de terceirização e pejotização, como também têm aberto espaço para fraudes trabalhistas. Os especialistas alertam ainda que os ministros podem tornar letra morta a CLT, além de esvaziar a competência da Justiça do Trabalho para julgar toda e qualquer relação laboral, como manda a Constituição.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Há essa confusão no STF ao analisar casos de terceirização e pejotização como se fossem as mesmas coisas, mas não são. O STF não enfrenta o tema da forma correta”, afirma Rafael Neiva, auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurada, a assessoria de imprensa do STF afirmou que “muitos desses temas ainda não tiveram julgamento com repercussão geral concluído” e, por essa razão, a corte “não pode se manifestar”.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Recorde de abertura de empresas</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Desde a reforma trabalhista de 2017, que liberou a terceirização de serviços em qualquer tipo de atividade, mas estabeleceu regras para que isso pudesse ser feito, os dados de abertura de CNPJs vêm batendo recorde atrás de recorde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só em 2023,&nbsp;<a href="https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2024/02/abertura-de-empresas-do-setor-de-servicos-em-2023-bate-recorde-da-ultima-decada.ghtml">quase quatro milhões de novas empresas foram registradas</a>, a maioria de MEIs (Microempreendedores Individuais). Já em 2017, o número de trabalhadores sem carteira assinada ou por conta própria ultrapassou o de CLTs pela primeira vez desde 2012, início da série histórica da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“As alterações trabalhistas permitem de fato a possibilidade de prestar serviço em qualquer atividade da empresa. Isso não é ilegal, não tem nem discussão. Mas não podem estar presentes os requisitos caracterizadores da relação de emprego, como a subordinação e a pessoalidade”, explica o auditor fiscal Rafael Neiva.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Na pejotização, empresas exigem que os trabalhadores sejam pessoas jurídicas, obrigam a abrir CNPJ, mas no fundo eles trabalham como funcionários. Ou seja, eles vestem a roupagem do profissional autônomo, mas na verdade são empregados. Isso é um contrato fraudulento”, resume Neiva.<br>É o que acontece com mais da metade dos MEIs no Brasil. Segundo uma pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas),&nbsp;<a href="https://valor.globo.com/brasil/noticia/2024/04/22/53-dos-meis-sao-empregados-de-outras-empresas-sugere-estudo.ghtml">53% deles são, na realidade, empregados de outras empresas</a>.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Esvaziamento da Justiça do Trabalho</h4>



<p class="wp-block-paragraph">As empresas contratantes que buscam o STF contra o reconhecimento de vínculo empregatício com profissionais pejotizados se baseiam em duas normas estabelecidas pela corte: a ADPF 324, votada em 2018, e o Tema 725 de Repercussão Geral, de 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em ambos os julgamentos, o Supremo tornou constitucional qualquer forma de terceirização de serviço, desde que não haja vínculo empregatício. Vem daí o precedente encontrado pelas empresas para apelar ao STF: elas alegam que os magistrados trabalhistas, ao reconhecer o vínculo empregatício, estariam contrariando as ordens da suprema corte.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, as regras que caracterizam o vínculo (subordinação, habitualidade, pessoalidade e onerosidade) seguem valendo,&nbsp; assim como a proibição de contratação via PJ para casos em que se verifica a existência desses quatro requisitos. Segundo o próprio STF, cabe à empresa contratante “responder subsidiariamente pelo descumprimento das normas trabalhistas”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É lícita uma empresa contratar outra para prestação de determinado serviço especializado. Mas isso não acontece quando há pejotização, porque não há uma empresa — é uma pessoa que, em tese, virou empresa [para ser funcionário]. O próprio precedente da terceirização estipula que a Justiça do Trabalho analise casos de fraude”, afirma Luciana Conforti, presidente da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O principal temor da presidente da Anamatra sobre as decisões do STF diz respeito ao esvaziamento da competência da Justiça do Trabalho. Por definição, a relação entre duas empresas tem natureza civil e comercial, e não trabalhista. Dessa forma, um eventual processo movido por um funcionário PJ que reclama de uma contratante deveria ser julgado pela chamada Justiça comum, não especializada no tema do trabalho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Conforti, há outro agravante: as empresas têm recorrido ao Supremo antes mesmo de extinguirem os recursos nas três instâncias da Justiça do Trabalho. “Há um custo para recorrer em outras instâncias [trabalhistas], e nenhum gasto para fazer uma reclamação no STF. Além disso, não há como reformar mais a decisão [depois de julgada pelo STF], é a instância final”, explica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com a presidente da Anamatra, essa situação não é interessante para o próprio STF. A corte pode sofrer com uma avalanche de recursos trabalhistas, apesar de não ter estrutura e nem vocação para analisar esse tipo de processo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar disso, parte dos ministros do STF vem declarando&nbsp; guerra contra a Justiça trabalhista. Em outubro do ano passado, Gilmar Mendes disse que “<a href="https://veja.abril.com.br/coluna/radar/o-duro-recado-de-gilmar-mendes-a-juizes-trabalhistas-que-ignoram-o-stf">os caprichos da JT estavam sobrecarregando o STF</a>” e que ignoravam os entendimentos da suprema corte. Mais recentemente, Mendes afirmou que “<a href="https://www.conjur.com.br/2024-abr-01/e-preciso-repensar-tamanho-da-justica-do-trabalho-afirma-gilmar-mendes/">é preciso repensar o tamanho da Justiça do Trabalho</a>“.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suas decisões, Alexandre de Moraes tem seguido a mesma linha do colega, subindo o tom contra os TRTs. Em dezembro, a primeira turma do&nbsp;<a href="https://www.migalhas.com.br/quentes/398522/vinculo-de-emprego-stf-aciona-cnj-por-descumprimento-de-precedente">STF chegou a acionar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ)</a>&nbsp;para denunciar o descumprimento, por parte dos tribunais trabalhistas, da jurisprudência firmada pelo STF.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Dino e Fachin: vozes dissonantes no STF</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Dos onze ministros do STF, Edson Fachin e Flávio Dino têm sido os únicos a remar contra a maré. Em voto recente, Dino argumentou que uma empresa não pode apelar ao STF antes de esgotar a tramitação de um processo na Justiça do Trabalho. Além disso, reiterou que o fato de o STF ter liberado a terceirização não significa que esse tipo de contratação possa ser utilizado para driblar o vínculo empregatício de forma fraudulenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O raciocínio segue linha semelhante à de Augusto Aras, titular da Procuradoria-Geral da República (PGR). No ano passado, antes de se aposentar, Aras enviou um ofício ao Supremo reiterando a importância de se esgotarem as instâncias recursais da Justiça do Trabalho, antes do recebimento das reclamações pelo Supremo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ofício alerta ainda sobre os riscos financeiros para o caixa da Previdência Social com a explosão da pejotização. “Tal artifício aniquilaria o dever que vincula profissionais liberais qualificados ao pagamento de imposto de renda e desfalcaria o caixa da Previdência Social, afastando-se da incidência da contribuição social patronal”, diz o texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contratos de carteira assinada, os empregadores depositam de 7,5% a 14% dos salários de cada empregado para o INSS. Já no caso dos microempreendedores individuais, os depósitos são fixados em 5% do salário mínimo, pagos apenas pelos trabalhadores, sem contrapartida dos contratantes. Segundo cálculos de Rogério Nagamine, autor de um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), o regime especial dos&nbsp;<a href="https://economia.uol.com.br/colunas/carlos-juliano-barros/2024/02/20/decisao-do-stf-sobre-pjs-e-uberizacao-pode-aumentar-rombo-da-previdencia.htm">MEIs pode gerar um déficit de ao menos R$ 600 bilhões</a>&nbsp;para os cofres do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), até 2060.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Seria bom se a PGR mantivesse a mesma linha dada pelo Aras, mas com o Dr. Paulo Gonet [substituto de Aras] tem sido diferente”, finaliza Luciana Conforti.</p>
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