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	<title>Rhodia &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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		<title>Após 30 anos do caso Rhodia, áreas seguem contaminadas na Baixada Santista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 14:03:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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<h4 class="wp-block-heading has-cyan-bluish-gray-color has-text-color">Fechada há 30 anos, a fábrica de agrotóxicos da Rhodia espalhou resíduos tóxicos em extensas áreas da Baixada. Como solução, propôs medidas inadequadas, como a incineração das toneladas de contaminantes, inclusive em outros estados, como a Bahia</h4>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em junho de 1993, a interdição de uma fábrica obsoleta de agrotóxicos da Rhodia em Cubatão, na Baixada Santista, simbolizava a vitória de trabalhadores, ativistas e instituições contra o desrespeito ao meio ambiente, ao trabalhador e à vida humana. Passados 30 anos do chamado caso Rhodia, porém, áreas em diversos pontos de municípios da região continuam contaminadas. E nesses anos todos, como alternativa, foram apresentadas apenas medidas inadequadas, como a incineração das toneladas e toneladas de contaminantes. Inclusive em outros estados, como na Bahia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para chamar a atenção da sociedade e de autoridades para este que é um dos maiores desastres ambientais da história do país, pesquisadores, ativistas, sindicalistas e parlamentares se reuniram nesta semana na Assembleia Legislativa de São Paulo. Participaram também o promotor de justiça Geraldo Rangel de França Neto, do Ministério Público paulista, autor da ação civil pública que resultou no fechamento da fábrica de Cubatão. E ainda as médicas Lia Giraldo da Silva Augusto, pesquisadora aposentada pela Fiocruz; e Agnes Soares de Mesquita, autora de uma longa pesquisa sobre&nbsp;<a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6134/tde-11112022-202548/publico/MTR_578_Mesquita_1994.pdf">resíduos tóxicos industriais organoclorados em Samaritá</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o&nbsp;<a href="https://acpo.org.br/arquivos/pagina-biblioteca/dossie-caso-rhodia/dossie.pdf">dossiê Caso Rhodia</a>, na época a empresa de origem francesa não contestou a liminar, transparecendo assim que já tinha intenções de desativar a unidade. Mas ao contrário do que pretendia a companhia, foi impedida de demitir os trabalhadores até o fim das investigações. Em mais de 70 páginas, o documento conta a história da empresa no Brasil, da produção altamente poluente, do adoecimento e morte dos trabalhadores contaminados e de estudos realizados sobre as dimensões da contaminação. O autor é o pesquisador Jeffer Castelo Branco, do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Estensão em Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente da Associação de Combate aos Poluentes (ACPO) – ele próprio um ex-trabalhador da Rhodia, que também esteve na audiência no legislativo paulista.</p>



<h4 class="wp-block-heading">“Nenhum humano deve ter contato com essa coisa”</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Jeffer, em um dos primeiros relatórios periciais elaborados pelo então funcionário da Agência Ambiental Paulista (Cetesb) sobre as áreas contaminadas, o geólogo José Antonio D’ Ambrósio constatou a extrema gravidade da situação: “De acordo com os procedimentos de como foram expostos os resíduos, o lugar não pode ser aproveitado para a agricultura, para a construção de moradias, indústrias, qualquer atividade”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No dossiê, Jeffer destaca uma declaração do então gerente geral da Rhodia na Baixada Santista, Octacílio Miguel Teixeira Tavares, em entrevista à revista alemã&nbsp;<em>Geo Magazine</em>, em abril de 1992: “Nenhum ser humano deve ter contato com essa coisa, o lugar onde foi depositado é irrecuperável, lá ninguém deve cultivar nada, lá ninguém deve beber água”, admitiu, em época em que já havia estudos aprofundados sobre a contaminação provocada pela sua empresa na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Jeffer, de 1965 a 1995 os grupos franceses Progil e Rhône-Poulenc, aos quais a Rhodia era vinculada, promoveram a poluição química de organoclorados em toda a Baixada Santista, com a sequela brutal de doenças e mortes. Resíduos altamente tóxicos derivados da produção foram despejados em extensas áreas no município de Cubatão, São Vicente e Itanhaém.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Contaminação do solo, da água e do ar na Baixada Santista</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados foram observados em pesquisa científica de Agnes de Mesquita. Ela constatou a contaminação do solo, da água e também do ar, potencializando os riscos de câncer devido à inalação de substâncias organocloradas presentes na atmosfera daquela região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1995, dois anos após a interdição da fábrica e do incinerador de resíduos do solo contaminado, foi celebrado um termo de ajustamento de conduta. A Rhodia ficou obrigada a implementar processo de remediação nas áreas contaminadas. Em 2000, porém, passou por processos de fusões e desmembramentos, até ser integrada ao grupo Solvay. Mais recentemente foi vendida a um grande grupo dos Estados Unidos, sem, no entanto, assumir integralmente seu passivo ambiental em Cubatão.</p>
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