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	<title>pra além da Covid &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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		<title>Pressão por metas, medo de desemprego e invasão do tempo livre adoecem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate></pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[home office pode adoecer]]></category>
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		<category><![CDATA[pra além da Covid]]></category>
		<category><![CDATA[Pressão adoece]]></category>
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					<description><![CDATA[Reestruturação no mundo do trabalho foi aprofundada durante a crise sanitária, que instituiu novas exigências como o home office Pressão por metas, medo constante do desemprego e retirada de direitos adquiridos. O que já assolava os trabalhadores, foi agravado pela pandemia do novo coronavírus. A consequência é que o Brasil terá de lidar com uma legião de adoecidos, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Reestruturação no mundo do trabalho foi aprofundada durante a crise sanitária, que instituiu novas exigências como o home office</p>
<p></p>
<p>Pressão por metas, medo constante do desemprego e retirada de direitos adquiridos. O que já assolava os trabalhadores, foi agravado pela pandemia do novo coronavírus. A consequência é que o Brasil terá de lidar com uma legião de adoecidos, seja pela gestão das empresas ou pela precarização do traballho.</p>
<p> </p>
<p>A avaliação é da Doutora em Sociologia pela Unicamp, Luci Praun, que afirma que a pressão por metas é parte do cotidiano de parcela significativa da classe trabalhadora. “A adoção desse dispositivo resulta dos processos de reorganização do trabalho realizados a partir dos anos 1980-90, baseados em modelos de gestão flexível”, explica.</p>
<p> </p>
<p>“Essa gestão flexível introduziu não somente a gestão por metas, mas, além de outros, um dispositivo que opera de forma diretamente articulada às metas, potencializando a pressão sobre os trabalhadores e trabalhadoras: as avaliações de desempenho individuais e coletivas”.</p>
<p> </p>
<p>Autora do livro Reestruturação Produtiva, Saúde e Degradação do Trabalho, Praun explica que essas formas de pressão têm efetividade em um contexto de precarização do trabalho. “A pressão por metas soma-se a pressão exercida pelo desemprego crescente, pela perda constante de direitos, baixos salários, enfim, ao ambiente de incerteza e insegurança que perpassa o mundo do trabalho atualmente.”</p>
<p> </p>
<p><strong>Trabalho em casa</strong></p>
<p>Toda essa pressão somou-se, há mais de um ano, à pandemia do novo coronavírus e à necessidade de ficar em casa para evitar o contágio pela covid-19. Além de aprofundar pressões já existentes, instituiu outras.</p>
<p> </p>
<p>“Um exemplo pode ser localizado na ampliação do uso do teletrabalho e do home office. Essas formas de organização do trabalho têm incorporado, em muitas situações, os chamados planos de trabalho”, explica a socióloga. “Sob o pretexto de que o trabalho está sendo realizado à distância, sem o controle direto da chefia imediata, foi construído o falso argumento da necessidade de estabelecimento de metas a serem atingidas”.</p>
<p> </p>
<p>Praun cita o aumento dos trabalhos por aplicativos, o chamado trabalho uberizado. “Ele articula não somente a avaliação de desempenho ao cumprimento de metas, mas diretamente a remuneração. Ganha-se na medida em que entrega-se o serviço, e a permanência neste tipo de trabalho também depende da avaliação realizada diretamente pelo consumidor.”</p>
<p> </p>
<p><strong>Saúde comprometida</strong></p>
<p>Luci Praun integra o Grupo de Pesquisa Mundo do Trabalho e suas Metamorfoses, da Unicamp, e deixa claro: essas formas assumidas pelo trabalho têm repercutido negativamente na saúde dos trabalhadores.</p>
<p>“É preciso salientar que as metas estão a serviço de ampliar a produtividade e a intensidade do trabalho. Menos trabalhadores fazendo muito mais atividades e tarefas que antes”, pontua. “Sendo assim, elas operam no sentido de retirar do trabalhador o máximo possível no menor espaço de tempo. Os resultados têm sido a formação de um contingente crescente de adoecidos, homens e mulheres esgotados e inseguros quanto ao futuro.”</p>
<p> </p>
<p>A médica Maria Maeno, mestre e doutora em Saúde Pública, ressalta que, com o trabalho remoto, a possibilidade de desconexão das preocupações do dia a dia é maior, e que isso levar ao adoecimento do trabalhador na pandemia.</p>
<p> </p>
<p>“O habitual contexto de insegurança e de medo de demissão se combinam ao do trabalho remoto e potencializam a invasão dos ‘tempos livres’ pelo trabalho. São ingredientes favoráveis para maiores possibilidades de pressão e adoecimento, com acometimento físico e psíquico”, avalia a médica. “E não se trata de um problema individual, mas de saúde pública que atinge os trabalhadores em escala crescente”.</p>
<p> </p>
<p><strong>Quadros agravados</strong></p>
<p>Especialista em Saúde do Trabalhador, Maria Maeno ressalta um outro aspecto importante a ser considerado nesse contexto em que reinam medo da demissão, sobrecarga de trabalho e impossibilidade de desconexão.</p>
<p> </p>
<p>“As pessoas com doenças crônicas tendem a diminuir ou abandonar o acompanhamento clínico, o que contribui para o agravamento dos seus quadros”, afirma.</p>
<p> </p>
<p>“Relevante lembrar que segundo a Pesquisa Nacional de Saúde [PNS 2014], 57,4 milhões, que perfazem 40% da população adulta brasileira, tem pelo menos uma doença crônica não transmissível, como diabetes, hipertensão arterial, afecção da coluna e depressão. Essas doenças são responsáveis por 72% das causas de óbitos no Brasil”.</p>
<p> </p>
<p>A médica explica que esse tipo de doenças têm origem multicausal. “Assim, o reconhecimento do peso da atividade laboral em seu desencadeamento ou agravamento, será ainda mais dificultado no trabalho remoto combinado eventualmente com regime de trabalho intermitente”.</p>
<p> </p>
<p><strong>Governo que atrapalha</strong></p>
<p>As dificuldades decorrentes da pandemia do novo coronavírus em todo o mundo são agravadas no Brasil pela postura negacionista do governo federal.</p>
<p> </p>
<p>Enquanto diversos países lançam pacotes bilionários de incentivo e apoio às pessoas e ao setor privado, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) reduziu a presença do Estado na economia como provedor das políticas sociais.</p>
<p> </p>
<p>Assim, observa o Dieese em seu boletim de conjuntura de março passado, enquanto o trabalhador adoece na pandemia, a atuação do governo afasta qualquer perspectiva futura de recuperação do mercado de trabalho e de desenvolvimento nacional.</p>
<p> </p>
<p>“A taxa de desocupação ficou em 13,9% no quarto trimestre de 2020 e, na média do ano, alcançou 13,5%, a maior desde 2012. Eram 13,4 milhões de pessoas procurando trabalho no país”, detalha o instituto.</p>
<p> </p>
<p>“O número de desalentados no quarto trimestre de 2020, pessoas que desistiram de procurar emprego por não acreditarem que vão encontrar uma vaga, alcançou 5,8 milhões de pessoas, alta de 16,1% em relação a 2019 e também o maior contingente da série anual da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).”</p>
<p> </p>
<p>De acordo com o Dieese, esses dados revelam piora em relação aos dois anos anteriores, em decorrência da paralisação de alguns setores, devido à pandemia de covid-19.</p>
<p> </p>
<p>“No ano passado, a população ocupada foi reduzida em 7,3 milhões de pessoas, chegando ao menor número da série anual desde 2012. O Brasil saiu, em 2019, de 93,4 milhões de ocupados – o maior contingente da série histórica ­ para 86,1 milhões, em 2020. Segundo os técnicos do IBGE, pela primeira vez na série histórica anual, menos de 50% da população em idade para trabalhar estava ocupada no país. Esse fato revela a gravidade do momento que o Brasil atravessa.”</p>
<p> </p>
<p><strong>E pode piorar</strong></p>
<p>O instituto alerta: diante da retomada do auxílio emergencial em valores inferiores, a evolução do desemprego e as “trapalhadas” no processo de vacinação contra a covid-19, a situação da economia pode se agravar ainda mais.</p>
<p> </p>
<p>“Um dos fatores essenciais para o processo industrial é a solidez do mercado de massas, ou seja, a capacidade da população para consumir, articulada com políticas tecnológicas e de inovação. Nos últimos anos, o mercado interno tem sido sistematicamente afetado pelo desemprego, empobrecimento da população e desindustrialização. Todo esse processo, aprofundado na gestão Bolsonaro, afeta diretamente a produção industrial interna”.</p>
<p> </p>
<p>Cresceu também o número de famílias em situação de extrema pobreza, o maior desde 2014. São mais de 14 milhões ou cerca de 39,9 milhões de pessoas na miséria no Brasil.</p>
<p> </p>
<p>São famílias que sobrevivem com renda mensal de até R$ 89 por pessoa. “O país tem uma “bomba-relógio” social. Da parte do governo, não há plano ou estratégia para enfrentar uma crise dessa magnitude”, define o Dieese.</p>
<p>Fonte: Rede Brasil Atual<br />Escrito por:  Cláudia Motta</p>
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