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	<title>PEC 241 &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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		<title>Dez questões que respondem a dúvidas e desmontam a PEC 241</title>
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		<dc:creator><![CDATA[SEEB Santos e Região]]></dc:creator>
		<pubDate></pubDate>
				<category><![CDATA[#PecDoFimDoMundo]]></category>
		<category><![CDATA[Economista]]></category>
		<category><![CDATA[PEC 241]]></category>
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					<description><![CDATA[Professora e economista usa apresentação feita no Senado como base para, didaticamente, responder às principais dúvidas acerca da proposta de Temer que limita investimentos públicos Em sua p&#225;gina na rede social Facebook, a economista e professora da USP Laura Carvalho organizou uma lista de perguntas e respostas sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Professora e economista usa apresentação feita no Senado como base para, didaticamente, responder às principais dúvidas acerca da proposta de Temer que limita investimentos públicos</p>
<p>Em sua p&aacute;gina na rede social Facebook, a economista e professora da USP Laura Carvalho organizou uma lista de perguntas e respostas sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que limita o crescimento dos gastos p&uacute;blicos.</p>
<p>Para organizar a lista, a Laura baseou-se na apresenta&ccedil;&atilde;o que fez na Comiss&atilde;o de Assuntos Econ&ocirc;micos do Senado, no in&iacute;cio da semana passada. &quot;Espero que ajude aqueles que est&atilde;o sendo convencidos pelo senso comum. Lembrem-se: o or&ccedil;amento p&uacute;blico &eacute; muito diferente do or&ccedil;amento dom&eacute;stico&quot;, escreveu</p>
<p>A economista aponta as principais d&uacute;vidas sobre a proposta do governo Temer, que congela investimentos p&uacute;blicos por 20 anos, ao impor que o Or&ccedil;amento seja corrigido anualmente apenas pela infla&ccedil;&atilde;o do ano anterior. De forma did&aacute;tica, Laura ajuda a desconstruir alguns mitos em rela&ccedil;&atilde;o ao tema.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>1. A PEC serve para estabilizar a d&iacute;vida p&uacute;blica?</strong></p>
<p>N&atilde;o. A crise fiscal brasileira &eacute; sobretudo uma crise de arrecada&ccedil;&atilde;o. As despesas prim&aacute;rias, que est&atilde;o sujeitas ao teto, cresceram menos no governo Dilma do que nos dois governos Lula e no segundo mandato de FHC. O problema &eacute; que as receitas tamb&eacute;m cresceram muito menos &ndash; 2,2% no primeiro mandato de Dilma, 6,5% no segundo mandato de FHC, j&aacute; descontada a infla&ccedil;&atilde;o. No ano passado, as despesas ca&iacute;ram mais de 2% em termos reais, mas a arrecada&ccedil;&atilde;o caiu 6%. Esse ano, a previs&atilde;o &eacute; que as despesas subam 2% e a arrecada&ccedil;&atilde;o caia mais 4,8%.</p>
<p>A falta de receitas &eacute; explicada pela pr&oacute;pria crise econ&ocirc;mica e as desonera&ccedil;&otilde;es fiscais sem contrapartida concedidas pelo governo e ampliadas pelo Congresso. Um teto que congele as despesas por 20 anos nega essa origem, pois n&atilde;o garante receitas, e serve para afastar alternativas que estavam na mesa no ano passado, como o fim da isen&ccedil;&atilde;o (de 1995) sobre tributa&ccedil;&atilde;o de dividendos, o fim das desonera&ccedil;&otilde;es e o combate &agrave; sonega&ccedil;&atilde;o. A PEC garante apenas que a discuss&atilde;o seja somente sobre as despesas.</p>
<p>A PEC tamb&eacute;m desvia o foco do debate sobre a origem da nossa alta taxa de juros &ndash; que explica uma parte muito maior do crescimento da d&iacute;vida, j&aacute; que se refere apenas &agrave;s despesas prim&aacute;rias federais. Uma eleva&ccedil;&atilde;o da taxa de juros pelo Banco Central tem efeito direto sobre o pagamento de juros sobre os t&iacute;tulos indexados &agrave; pr&oacute;pria taxa Selic, por exemplo &ndash; uma jabuticaba brasileira.</p>
<p>A PEC &eacute; frouxa no curto prazo, pois reajusta o valor das despesas pela infla&ccedil;&atilde;o do ano anterior. Com a infla&ccedil;&atilde;o em queda, pode haver crescimento real das despesas por alguns anos (n&atilde;o &eacute; o governo Temer que ter&aacute; de fazer o ajuste). No longo prazo, quando a arrecada&ccedil;&atilde;o e o PIB voltarem a crescer, a PEC passa a ser r&iacute;gida demais e desnecess&aacute;ria para controlar a d&iacute;vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>2. A PEC &eacute; necess&aacute;ria no combate &agrave; infla&ccedil;&atilde;o?</strong></p>
<p>Tamb&eacute;m n&atilde;o. De acordo com o Banco Central, mais de 40% da infla&ccedil;&atilde;o do ano passado foram causados pelo reajuste brusco dos pre&ccedil;os administrados que estavam represados (combust&iacute;veis, energia el&eacute;trica&#8230;). Hoje, a infla&ccedil;&atilde;o j&aacute; est&aacute; em queda e converge para a meta. Ainda mais com o desemprego aumentando e a ind&uacute;stria com cada vez mais capacidade ociosa, como apontam as atas do BC.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>3. A PEC garante a retomada da confian&ccedil;a e do crescimento?</strong></p>
<p>O que estamos vendo &eacute; que o corte de despesas de 2015 n&atilde;o gerou uma retomada. As empresas est&atilde;o endividadas, t&ecirc;m capacidade ociosa crescente e n&atilde;o conseguem vender nem o que s&atilde;o capazes de produzir. Os indicadores de confian&ccedil;a da ind&uacute;stria, que aumentaram ap&oacute;s o impeachment, n&atilde;o se converteram em melhora real. Os &uacute;ltimos dados de produ&ccedil;&atilde;o industrial apontam queda em mais de 20 setores. A massa de desempregados n&atilde;o contribui em nada para uma retomada do consumo. Que empresa ir&aacute; investir nesse cen&aacute;rio?</p>
<p>Uma PEC que levar&aacute; a uma estagna&ccedil;&atilde;o ou queda dos investimentos p&uacute;blicos em infraestrutura f&iacute;sica e social durante 20 anos em nada contribui para reverter esse quadro, podendo at&eacute; agrav&aacute;-lo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>4. A PEC garante maior efici&ecirc;ncia na gest&atilde;o do dinheiro p&uacute;blico?</strong></p>
<p>Para melhorar a efici&ecirc;ncia &eacute; necess&aacute;rio vontade e capacidade. N&atilde;o se define isso por uma lei que limite os gastos. A PEC apenas perpetua os conflitos atuais sobre um total de despesas j&aacute; reduzido. Tais conflitos costumam ser vencidos pelos que t&ecirc;m maior poder econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico. Alguns setores (da atividade econ&ocirc;mica) podem conquistar reajustes acima da infla&ccedil;&atilde;o, e outros pagar&atilde;o o pre&ccedil;o.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>5. A PEC preserva gastos com sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o?</strong></p>
<p>N&atilde;o, estas &aacute;reas tinham um m&iacute;nimo de despesas dado como um percentual da arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos. Quando a arrecada&ccedil;&atilde;o crescia, o m&iacute;nimo crescia. Esse m&iacute;nimo passa a ser reajustado apenas pela infla&ccedil;&atilde;o do ano anterior. Claro que como o teto &eacute; para o total de despesas de cada Poder, o governo poderia potencialmente gastar acima do m&iacute;nimo.</p>
<p>No entanto, os benef&iacute;cios previdenci&aacute;rios, por exemplo, continuar&atilde;o crescendo acima da infla&ccedil;&atilde;o por muitos anos, mesmo se aprovarem outra reforma da Previd&ecirc;ncia (mudan&ccedil;as demoram a ter impacto). Isso significa que o conjunto das outras despesas ficar&aacute; cada vez mais comprimido.</p>
<p>O governo n&atilde;o ter&aacute; espa&ccedil;o para gastar mais que o m&iacute;nimo em sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o (como faz hoje, ali&aacute;s). Gastos congelados significam queda vertiginosa das despesas federais com educa&ccedil;&atilde;o por aluno e sa&uacute;de por idoso, por exemplo, pois a popula&ccedil;&atilde;o cresce.</p>
<p>Outras despesas importantes para o desenvolvimento, que sequer t&ecirc;m m&iacute;nimo definido, podem cair em termos reais: cultura, ci&ecirc;ncia e tecnologia, assist&ecirc;ncia social, investimentos em infraestrutura, etc. Mesmo se o pa&iacute;s crescer&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>6. Essa regra obteve sucesso em outros pa&iacute;ses?</strong></p>
<p>Nenhum pa&iacute;s aplica uma regra assim, n&atilde;o por 20 anos. Alguns pa&iacute;ses t&ecirc;m regra para crescimento de despesas. Em geral, s&atilde;o estipuladas para alguns anos e a partir do crescimento do PIB, e combinadas a outros indicadores. Al&eacute;m disso, nenhum pa&iacute;s tem uma regra para gastos em sua Constitui&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>7. Essa regra aumenta a transpar&ecirc;ncia?</strong></p>
<p>Um Staff Note do FMI de 2012 mostra que pa&iacute;ses com regras fiscais muito r&iacute;gidas tendem a sofrer com manobras fiscais de seus governantes. Gastos realizados por fora da regra pelo uso de contabilidade criativa podem acabar ocorrendo com mais frequ&ecirc;ncia.</p>
<p>O pa&iacute;s j&aacute; tem instrumentos de fiscaliza&ccedil;&atilde;o, controle e planejamento do or&ccedil;amento, al&eacute;m de metas fiscais anuais. N&atilde;o basta baixar uma lei sobre teto de despesas, &eacute; preciso que haja o desejo por parte dos governos de fortalecer esses mecanismos e o realismo/transpar&ecirc;ncia da pol&iacute;tica fiscal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>8. A regra protege os mais pobres?</strong></p>
<p>N&atilde;o mesmo! N&atilde;o s&oacute; comprime despesas essenciais e diminui a provis&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos, como inclui san&ccedil;&otilde;es em caso de descumprimento que seriam pagas por todos os assalariados. Se o governo gastar mais que o teto, fica impedido de elevar suas despesas obrigat&oacute;rias al&eacute;m da infla&ccedil;&atilde;o. Como boa parte das despesas obrigat&oacute;rias &eacute; indexada ao sal&aacute;rio m&iacute;nimo, a regra atropelaria a lei de reajuste do sal&aacute;rio m&iacute;nimo impedindo sua valoriza&ccedil;&atilde;o real &ndash; mesmo se a economia estiver crescendo.</p>
<p>O sistema pol&iacute;tico tende a privilegiar os que mais t&ecirc;m poder. Reajusta sal&aacute;rios de magistrados no meio da recess&atilde;o, mas corta programas sociais e investimentos. Se nem quando a economia crescer, h&aacute; algum al&iacute;vio nessa disputa (pois o bolo continua igual), &eacute; dif&iacute;cil imaginar que os mais vulner&aacute;veis fiquem com a fatia maior.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>9. A PEC retira o or&ccedil;amento da m&atilde;o de pol&iacute;ticos corruptos?</strong></p>
<p>N&atilde;o. Apesar de limitar o tamanho, s&atilde;o eles que v&atilde;o definir as prioridades no or&ccedil;amento. O Congresso pode continuar realizando emendas parlamentares clientelistas. No entanto, o Minist&eacute;rio da Fazenda e do Planejamento perdem a capacidade de determinar quando &eacute; poss&iacute;vel ampliar investimentos e gastos como forma de combate &agrave; crise, por exemplo. Imagina se a PEC 241 valesse durante a crise de 2008 e 2009?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>10. &Eacute; a &uacute;nica alternativa?</strong></p>
<p>N&atilde;o. H&aacute; muitas outras, que passam pela eleva&ccedil;&atilde;o de impostos sobre os que hoje quase n&atilde;o pagam (os mais ricos t&ecirc;m mais de 60% de seus rendimentos isentos de tributa&ccedil;&atilde;o, segundo dados da Receita Federal), o fim das desonera&ccedil;&otilde;es fiscais que at&eacute; hoje vigoram e a garantia de espa&ccedil;o para investimentos p&uacute;blicos em infraestrutura para dinamizar uma retomada do crescimento. Com o crescimento maior, a arrecada&ccedil;&atilde;o volta a subir.</p>
<p>Fonte: Rede Brasil Atual</p>
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