<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>história do 13º &#8211; SEEB Santos e Região</title>
	<atom:link href="https://santosbancarios.com.br/artigo/tag/historia-do-13o/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://santosbancarios.com.br</link>
	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
	<lastBuildDate>Fri, 30 Dec 2022 13:35:56 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.4</generator>

<image>
	<url>https://santosbancarios.com.br/wp-content/uploads/2022/12/favicon-1.png</url>
	<title>história do 13º &#8211; SEEB Santos e Região</title>
	<link>https://santosbancarios.com.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Como 13º salário surgiu de greve geral após vitória do Brasil em 1962</title>
		<link>https://santosbancarios.com.br/artigo/como-13o-salario-surgiu-de-greve-geral-apos-vitoria-do-brasil-em-1962/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Dec 2022 12:46:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[13º salário]]></category>
		<category><![CDATA[1962 e conquista do décimo terceiro]]></category>
		<category><![CDATA[bicampeonato do Brasil e do 13º]]></category>
		<category><![CDATA[greve pelo 13º]]></category>
		<category><![CDATA[história do 13º]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://santosbancarios.com.br/?p=44497</guid>

					<description><![CDATA[&#8220;Os patrões ganhavam aquele dinheiro no fim do ano, tudo, chegava e dava um panetone e dava um vinho ruim pro cara. Então nós mostramos a realidade: o trabalhador também precisava passar um Natal melhor&#8221;. A luta sempre vale a pena! Em 1962, o Brasil conquistou o bicampeonato na Copa do Mundo. O título veio [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h4 class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color wp-block-heading">&#8220;Os patrões ganhavam aquele dinheiro no fim do ano, tudo, chegava e dava um panetone e dava um vinho ruim pro cara. Então nós mostramos a realidade: o trabalhador também precisava passar um Natal melhor&#8221;. A luta sempre vale a pena!</h4>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1962, o Brasil conquistou o bicampeonato na Copa do Mundo. O título veio num 3 a 1 de virada contra a Tchecoslováquia, com Garrincha jogando com febre de 38 graus e o time desfalcado de seu principal craque — Pelé havia se lesionado ainda no segundo jogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas pouca gente conhece a história de uma outra conquista daquele ano: a do 13º salário, benefício garantido em lei sancionada pelo presidente João Goulart em 13 de julho de 1962.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O 13º salário é um desses casos de reivindicação surgida no chão da fábrica, legitimada nas relações costumeiras entre patrões e empregados em algumas firmas, transformada em lei às custas de greves, demissões, abaixo assinados, prisões e cuja memória é depois ofuscada pelo brilho da lei que se supõe, como toda lei, deve ter sido iniciativa de algum presidente, deputado ou senador&#8221;, escreve o historiador Murilo Leal Pereira Neto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conheça a história de como, num ano de inflação em alta e embates aguerridos entre direita e esquerda na política, trabalhadores foram à greve geral 18 dias após o bicampeonato mundial e conquistaram o benefício que deve injetar R$ 250 bilhões na economia este ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo isso aconteceu sob protestos dos empresários e do mercado financeiro da época, conforme registrou o jornal O Globo, que no dia 26 de abril de 1962 estampou na sua manchete: &#8220;Considerado desastroso para o País um 13º mês de salário&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desastre não veio e hoje 85,5 milhões são beneficiados com o rendimento adicional, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://santosbancarios.com.br/uploads/images/2022/12/13007-1670937546.jpg" alt="Como 13º salário surgiu de greve geral após vitória do Brasil em 1962" title="Como 13º salário surgiu de greve geral após vitória do Brasil em 1962"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Paulo Pinto/Fotos públicas</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Origem do abono de Natal e início da luta no Brasil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A gratificação de Natal é uma tradição que tem origem em países de maioria cristã, onde alguns patrões tinham o costume de presentear seus funcionários com cestas de alimentos na época das festas de fim de ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa doação antes voluntária se tornou obrigatória na Itália em 1937, durante o regime fascista de Benito Mussolini, quando o acordo coletivo de trabalho nacional passou a prever um mês adicional de salário para os empregados das fábricas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1946, o benefício seria estendido às demais categorias de trabalhadores italianos, sendo consolidado através de decreto presidencial em 1960.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, os primeiros registros de greves e demandas pelo abono de Natal são de 1921, na Cia. Paulista de Aniagem e na indústria Mariângela, ambas empresas do setor têxtil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob inspiração da&nbsp;Carta del Lavoro&nbsp;(1927) da Itália fascista, o Brasil aprovaria em 1943 sua Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas dela não constava o 13º salário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquele mesmo ano, no entanto, o abono de Natal foi conquistado pelos trabalhadores da fabricante de pneus Pirelli, o que levaria a uma greve geral no ano seguinte em Santo André (SP) pelo pagamento do benefício.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Na onda de greves que se alastrou de dezembro de 1945 a março de 1946, a luta pelo prêmio de final de ano era a principal reivindicação na maioria delas, envolvendo categorias como ferroviários da Sorocabana, trabalhadores da Light, tecelões, metalúrgicos, gráficos e químicos em São Paulo&#8221;, lembra Pereira Neto, em sua tese de doutorado:&nbsp;A reinvenção do trabalhismo no &#8216;vulcão do inferno&#8217;: um estudo sobre metalúrgicos e têxteis de São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os patrões ganhavam aquele dinheiro no fim do ano, tudo, chegava e dava um panetone e dava um vinho ruim pro cara. Então nós mostramos a realidade: o trabalhador também precisava passar um Natal melhor&#8221;, conta João Miguel Alonso, líder metalúrgico, em depoimento recuperado por Pereira Neto, sobre os argumentos usados com os patrões à época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Nós sempre levantávamos esse problema desde antes: o trabalhador, no fim de ano, precisava comprar um sapato melhor pro filho, precisava comprar um vestido pra mulher. &#8216;Oh, meu deus do céu, vocês têm que entender, vocês não vão dar a empresa para eles, vocês vão dar apenas o essencial para esse coitado viver, passar um Natal melhor com a família&#8217;.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Benefício pago em laranjas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Larissa Rosa Corrêa, professora do Departamento de História da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), observa que a luta dos trabalhadores brasileiros por uma gratificação de Natal não começou já conquistando um salário extra logo de cara.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No artigo&nbsp;Abono de Natal: gorjeta, prêmio ou direito? Trabalhadores têxteis e a justiça do trabalho, ela resgata o relato do líder sindicalista Antonio Chamorro. Ele conta que, quando era operário numa fábrica têxtil em 1946, a primeira vez que os trabalhadores reivindicaram ao patrão uma gratificação de fim de ano, receberam em troca sacos de laranja.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ano seguinte, pediram cortes de tecido no lugar das laranjas, mas receberam panos considerados de má qualidade e muito quentes para o final de ano. No ano seguinte, os trabalhadores reivindicaram um tecido mais leve e adequado ao verão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Aí ele [o patrão] cedeu. Foi uma outra vitória nossa&#8221;, contou Chamorro, em depoimento ao Centro de Memória Sindical, recuperado pela historiadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É interessante observar como os trabalhadores organizados aproveitavam todas as brechas deixadas pelos patrões&#8221;, observa a professora da PUC-Rio, no estudo. &#8220;No caso relatado, o empregador cedeu uma vez; na próxima ele não teve argumentos para não fornecer o benefício novamente, e, desta vez, a gratificação teria que ser melhor, e assim por diante.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A luta pelo abono de Natal atravessaria a década de 1950 e chegaria fortalecida nos anos 1960, em meio ao avanço da inflação, empoderamento dos sindicatos e contexto político inflamado pelas disputas ideológicas da Guerra Fria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O Brasil dos anos 1960</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquele início dos anos 1960, uma série de fatores contribuíam para uma crise econômica profunda. Entre eles: um endividamento externo crescente, herdado das políticas desenvolvimentistas do governo Juscelino Kubitschek (1956-61); elevados déficits comerciais; e um aumento da inflação que se agravava desde o final dos anos 1950.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://santosbancarios.com.br/uploads/images/2022/12/13007-1670938520.jpg" alt="Como 13º salário surgiu de greve geral após vitória do Brasil em 1962" title="Como 13º salário surgiu de greve geral após vitória do Brasil em 1962"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Greve em Santos/Sp, 1959 &#8211; Fundação Arquivo e Memória de Santos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1960, a inflação acumulada foi de 30,5%; no ano seguinte, de 47,8%. Em 1962, ano da conquista da lei do 13º salário, a alta de preços chegaria a 51,6%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É um momento de alta inflação e os trabalhadores sentiam que o custo de vida vinha aumentando drasticamente&#8221;, diz Larissa Rosa Corrêa, em entrevista à BBC News Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É um Brasil que estava enfrentando a dívida externa, todas as dívidas provocadas pelo governo Juscelino, com a construção de Brasília”, lembra a professora da PUC-Rio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Ao mesmo tempo, a indústria nacional passava por um processo de expansão. Então, de um lado os trabalhadores estavam perdendo poder de compra, lutando pela melhoria do custo de vida e, do outro, observavam o lucro das empresas. Embora, no discurso patronal, os empregadores reclamassem sistematicamente da dificuldade de sobrevivência do empresariado brasileiro, sempre argumentando incapacidade financeira.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na conjuntura internacional, o mundo estava bipolarizado entre Estados Unidos e União Soviética, com um anticomunismo crescente que, no Brasil, se desdobraria no golpe militar de 1964, observa a historiadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Por outro lado, temos a ascensão do movimento sindical e dos movimentos sociais, tanto no campo como no espaço urbano, com sindicalização crescente e muitas greves que marcaram esse período&#8221;, diz Corrêa, citando como exemplos a Greve dos 300 mil de 1953, a Greve dos 400 mil em 1957 e a Greve dos 700 mil em 1963.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse contexto que João Goulart chega à presidência em 1961, sucedendo Jânio Quadros, que renunciou após apenas sete meses. Jango assume, porém, destituído de parte dos poderes presidenciais, sob um regime parlamentarista, com Tancredo Neves como primeiro-ministro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O contexto aí era de embate entre um governo reformista nacionalista e as forças da UDN [União Democrática Nacional, partido conservador], da direita, que resistiam aos projetos das reformas de base&#8221;, lembra Murilo Leal Pereira Neto, atualmente professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pressionado pelo conservadorismo, Jango fortaleceu o sindicalismo e os movimentos sociais como base de apoio para seu projeto reformista, o que se configurou num ambiente propício às conquistas trabalhistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A greve pelo abono de Natal de 1961</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1951, um projeto do deputado Muniz Falcão (PSP-AL) sobre a gratificação natalina foi considerado inconstitucional pela Comissão de Constituição da Câmara, que avaliou que a Constituição Federal não permitiria &#8220;a interferência do Estado nos encargos financeiros de particulares&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1959, um novo projeto sobre o tema foi apresentado pelo deputado Aarão Seteinbruch (PTB-RJ), já num cenário de acúmulo de lutas por esse direito no chão de fábrica. Assim, já a partir de 1960, a mobilização se concentra em pressionar o Congresso pela aprovação da lei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 13 de dezembro de 1961, os trabalhadores vão à greve pelo abono de Natal, com a mobilização puxada pelos sindicatos dos metalúrgicos e dos têxteis de São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A greve foi um resultado de um processo de luta que durou cerca de oito anos. Durante todos os anos passados, o abono de Natal tinha constado das listas de reivindicações nos dissídios coletivos e sido pauta nas assembleias dos sindicatos&#8221;, escreve a professora da PUC-Rio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os trabalhadores tinham consciência de que a gratificação jamais seria fruto das negociações com os patrões e muito menos de uma decisão da Justiça do Trabalho&#8221;, aponta Corrêa, citando avaliação de Afonso Delellis, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, cassado pelo golpe militar de 1964.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A greve foi duramente reprimida, com ao menos 1.300 presos, 50 sindicalistas detidos e o Sindicato dos Metalúrgicos cercado e mantido incomunicável pela polícia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já no dia 12, o ministro da Justiça, Alfredo Nasser, declarou o movimento grevista ilegal. A Câmara dos Deputados, que havia aprovado o projeto em primeira votação, entrou em recesso, alegando estar sendo coagida e adiando a segunda votação, relata Pereira Neto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a greve, a Fiesp recomendou que seus membros pagassem voluntariamente o abono, em um boletim de dezembro de 1961, mas não admitia a aprovação do projeto de lei, acusando o governo de demagogia por apoiá-lo, lembra o professor da Unifesp.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O projeto só viria a ser aprovado em segundo turno na Câmara em 24 de abril de 1962 e no Senado, em 27 de junho daquele ano. Mas ainda faltava a sanção presidencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E então veio a greve geral de 5 de julho de 1962.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A greve geral de 1962 e a conquista do 13º salário</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em meio à pressão crescente, o primeiro-ministro Tancredo Neves renuncia e João Goulart indica San Tiago Dantas para substituí-lo. Dantas tinha o apoio da esquerda do Congresso e do movimento sindical, mas sua indicação foi vetada pelos conservadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resposta ao veto e à indicação para o cargo do conservador Auro de Moura Andrade, o movimento sindical convoca a greve geral de 5 de julho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A greve, deflagrada 18 dias após o Brasil conquistar o bicampeonato mundial de futebol — o que desmente análises rasteiras que vinculam os sucessos no futebol a uma &#8216;apatia sócio-política&#8217; da população —, afetou sobretudo empresas estatais ou sob controle do governo, embora o setor privado não tenha passado incólume&#8221;, escreve Rubens Goyatá Campante, doutor em sociologia pela UFMG e pesquisador do Núcleo de Pesquisas da Escola Judicial do TRT-3ª Região, no artigo&nbsp;O 13º veio de uma greve geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Rio de Janeiro, a greve teria sérios impactos. Diante da paralisação dos trens, em meio ao avanço da fome e à crise econômica, a Baixada Fluminense explodiu em uma onda de saques, que deixaria 42 mortos, 700 feridos e mais de 2 mil estabelecimentos atingidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Enquanto a greve se desenrolava no Rio de Janeiro, e em outras unidades da Federação, uma comissão de líderes do comando nacional de greve se encaminhou para Brasília, com o objetivo de manter conversações com João Goulart sobre a crise política nacional e pressionar pelas reivindicações da greve, ocasião em que o presidente também se comprometeu a assinar a lei do 13º salário, que fora aprovada no Senado alguns dias antes (em 27 de junho)&#8221;, relata o pesquisador Demian Bezerra de Melo, na tese de doutorado&nbsp;Crise orgânica e ação política da classe trabalhadora brasileira: a primeira greve geral nacional (5 de julho de 1962).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Goulart cumpriria o compromisso alguns dias depois, em 13 de julho, quando foi sancionada a Lei 4.090 de 1962.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, a lei só dava direito ao 13º aos empregados urbanos do setor privado. Trabalhadores rurais e servidores públicos não eram contemplados, lembra o Dieese.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1963, João Goulart estende o direito aos aposentados. E em 1965, já em plena ditadura, lei sancionada pelo presidente Castello Branco estabelece o pagamento em duas parcelas, sendo a primeira entre fevereiro e novembro, e a segunda até 20 de dezembro de cada ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Constituição de 1988 garante o 13º a todos os trabalhadores urbanos e rurais, direito formalmente estendido aos servidores públicos por meio da Emenda Constitucional 19 naquele mesmo ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Para nós hoje, o processo de conquista do 13º causa estranheza&#8221;, avalia Larissa Corrêa, da PUC-Rio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Estamos vivendo um contexto de alta precarização do trabalho e aquelas lutas dos anos 1960 parecem quase um outro mundo para a gente, haja visto a reforma trabalhista e todo o processo de terceirização das relações de trabalho. Mas é curioso também que, na reforma trabalhista de 2017, a lei do 13º permaneceu intocada. Isso diz muito sobre o patrimônio das leis trabalhistas e o que elas representam até hoje&#8221;, acrescenta a historiadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Os aprendizados da luta pelo 13º salário</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Pereira Neto, da Unifesp, o principal aprendizado da conquista do 13º salário é que as leis trabalhistas &#8220;não nascem no Congresso&#8221;. &#8220;Temos uma ideia no Brasil de que as conquistas trabalhistas não são conquistas, são um favor. Há um modelo interpretativo de que o Estado ou a classe dominante fazem concessões, ao invés de reconhecer direitos&#8221;, diz o pesquisador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O que a luta pela 13º mostra é que essas pautas até podem começar como um favor [das empresas aos funcionários], mas elas se constituem como um direito no percurso da experiência. E esse direito, antes de se transformar em lei, vai sendo legitimado na sociedade. Então existe uma construção política do direito&#8221;, avalia o professor da Unifesp.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Larissa Corrêa, da PUC-Rio, a estratégia dos sindicatos na luta pelo 13º também deixa um aprendizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O movimento sindical naquele contexto atuava nas duas frentes: tanto na parte jurídica, parlamentar, quanto nas greves e nos movimentos de rua. Eles não apostavam no projeto de lei sem deixar de fazer greve. Isso era uma estratégia muito importante e, de fato, foi bem sucedida&#8221;, avalia a historiadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Miguel Torres, atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, da CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos) e da Força Sindical, a conquista do 13º salário é uma referência para a luta dos trabalhadores até hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Essa conquista ensina que temos sempre que estar lutando e que, se tem organização suficiente, a possiblidade de êxito é muito maior&#8221;, diz Torres.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://santosbancarios.com.br/uploads/images/2022/12/13007-1670938701.jpg" alt="Como 13º salário surgiu de greve geral após vitória do Brasil em 1962" title="Como 13º salário surgiu de greve geral após vitória do Brasil em 1962"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Sindicalistas do Forum Sindical de Debates presos em Santos/SP por conta de greves, 1963</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Para os trabalhadores, a luta faz a lei. Foi o que aconteceu em 1962 — a luta fez a lei, que vigora até hoje.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
