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	<title>Funcionários do BC &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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		<title>Inédito: servidores do BC vão a público para defender carreiras na instituição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jun 2023 12:14:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Uma das reclamações é que não há equipes suficientes para tocar projetos essenciais como Pix, real digital e Open Finance; movimento já afeta cronogramas O desânimo dentro do Banco Central (BC) em relação a pleitos como reajuste salarial e plano de carreira está tão grande que técnicos e até servidores dos escalões mais altos passaram [&#8230;]]]></description>
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<h4 class="wp-block-heading has-cyan-bluish-gray-color has-text-color">Uma das reclamações é que não há equipes suficientes para tocar projetos essenciais como Pix, real digital e Open Finance; movimento já afeta cronogramas</h4>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O desânimo dentro do Banco Central (BC) em relação a pleitos como reajuste salarial e plano de carreira está tão grande que técnicos e até servidores dos escalões mais altos passaram a tratar o assunto de forma aberta — e inédita — em todas as oportunidades públicas possíveis. Considerados parte da elite do funcionalismo, os servidores do BC tradicionalmente não costumam fazer reivindicações públicas, mas agora têm destacado o “desmonte” da instituição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mau humor não é de hoje. Há um desgaste com o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, desde o ano passado, quando a categoria fez a maior greve de sua história sem grandes vitórias. Agora, a avaliação é a de que a piora do ambiente de trabalho está tão grande — e contrastante com outras categorias, que têm promessas de bônus salariais e concursos —, que profissionais buscam alternativas para suas carreiras. A mudança de postura se dá porque há a percepção de que a situação “degringolou”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das reclamações é de que não há equipes suficientes para tocar os projetos considerados essenciais pelo Banco Central, como desenvolvimentos do Pix, o real digital e o Open Finance. O último concurso foi em 2013, e de lá para cá áreas foram reduzidas à metade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As paralisações, inclusive, já começam a ter impacto em produtos e serviços da autoridade monetária, como o cronograma para as novas fases do Pix (que já foi adiado para 2024). A regulamentação do mercado de criptoativos também é uma das candidatas a andar a passos lentos, sem corpo funcional suficiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns profissionais já têm buscado vagas no setor privado, alegando que “do outro lado da rua” está bem melhor para trabalhar. O setor de tecnologia, segundo relatos, é o que mais tem se adiantado ao movimento. A avaliação interna é a de que estão “indo de graça” para outras empresas privadas. Os pedidos para funcionários serem cedidos para o mercado ou para organismos internacionais estão ocorrendo “a quilo”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Críticas até de diretores</h2>



<p class="wp-block-paragraph">De saída do cargo de diretor de fiscalização, Paulo Souza, que é servidor da autarquia, foi bastante enfático ontem sobre os problemas enfrentados pela categoria, em evento do cooperativismo hoje dentro da instituição. “O BC vem passando por uma crise institucional. Tivemos a maior greve da história. Em 25 anos de carreira, eu nunca vi… O BC sofreu um desmonte nos últimos 10 anos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Souza disse que a questão não é só salarial, mas de assimetria com outros órgãos e dentro do próprio BC, em que pessoas que não estão na área finalística ganham mais do quem está “na missão principal do banco”. Sem citar diretamente, o diretor está se referindo aos servidores da área de procuradoria, que recebem salários equivalentes aos de diretores, um dos ápices da carreira da autoridade monetária, logo quando chegam — situação que há tempos incomoda os servidores do BC.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os penduricalhos em outras categorias estão trazendo grande revolta interna. A categoria quer tratamento igualitário para continuar a entregar o melhor serviço”, disse Souza, sem mencionar o bônus de produtividade da Receita (a temperatura no BC voltou a aumentar justamente após o governo publicar um decreto para regulamentar o bônus de eficiência do Fisco, algo pleiteado também pelos servidores da autoridade monetária).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Hoje, com o Pix, é preciso trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana. Não é possível que não tenha uma regulamentação mínima de sobreaviso”, completou o diretor.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Até na CPI da Americanas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na sexta-feira (23), o diretor de regulação, Otávio Damaso, também fez coro sobre o “desmonte da instituição”, ressaltando que o corpo funcional do BC caiu pela metade nos últimos anos (e beira os 3 mil hoje, contra 7 mil no início da década passada). Os pares de organização do sistema financeiro e resolução, Renato Gomes, e de relacionamento, Mauricio Moura, também reconheceram a importância do movimento recentemente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mesmo evento de Souza, o chefe do departamento de supervisão de cooperativas e de instituições não bancárias (Desuc), Harold Espinola, também comentou sobre o assunto, ressaltando o profissionalismo do quadro de pessoal. “Há exemplos de entrega de toda a ordem em todas as demais áreas do BC e só para citar a mais famosa ultimamente: o Pix. Mas são inúmeras, diversas, algumas silenciosas, que as pessoas não percebem, outras ostensivas. Entretanto, como disse o Paulo, há mais de 10 anos não temos concurso e, consequentemente, reposição de quadros”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Então é importante quanto isso é a atenção ao resgate de uma adequada política de remuneração que seja coerente com as demais carreiras típicas de Estado. Isso é imprescindível para reter e atrair novos servidores. Não adianta ter concurso se não for atrativo, se a pessoa não fica. A recorrente e crescente deterioração dessas condições está fragilizando e pondo em risco cada vez mais a nossa capacidade de entrega para a sociedade.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro que se pronunciou abertamente sobre a deterioração, durante a CPI das Americanas, foi o chefe do departamento de monitoramento, Gilneu Astolfi Vivan. “Precisamos refletir sobre o que a gente quer a respeito dos órgãos reguladores, que passaram por um processo de desmonte nos últimos 10 anos”, disse Vivan, citando a chegada de novas instituições ao mercado, com aumento da quantidade de trabalho e também como uma consequência dos avanços tecnológicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Regulação das criptos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se não bastasse o aumento das atividades nos últimos anos, com o avanço da agenda de tecnologia e competição, em meio à redução do quadro funcional, na semana passada, o BC ganhou mais uma missão: o de regulador do mercado de criptomoedas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Responsável pelo departamento que dá autorização ao funcionamento das instituições reguladas pelo BC, Carolina Bohrer, fez um apelo para a realização de concurso para que o BC tenha condição de agregar essas novas funções. “Precisamos reforçar os quadros do BC para fazer o nosso trabalho. Temos um pedido de concurso junto ao Ministério de Gestão”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Ministério da Gestão já anunciou a realização de concursos para áreas do funcionalismo federal este ano, mas não contemplou o BC. Segundo a ministra Esther Dweck, o pleito do BC está sendo analisado para o ano que vem, mas ponderou que já há pedidos para 70 mil novas vagas na Esplanada (e que nem todos poderão ser atendidos).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos bastidores do BC, há quem entenda que os pleitos da autarquia não devem ser atendidos enquanto Campos Neto estiver à frente da autoridade monetária, porque o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em guerra aberta contra ele. Ontem, em nota, o presidente do Sindicato Nacional de Funcionários do BC (Sinal), Fábio Faiad, disse que “a responsabilidade pela política atual de taxa de juros” não é dos servidores, mas dos membros do Comitê de Política Monetária (Copom).</p>
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