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	<title>Flavio e a violência contra mulheres &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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		<title>Flávio Bolsonaro e a masculinidade violenta e tóxica que dá gatilho em mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 13:25:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque Menor]]></category>
		<category><![CDATA[Flavio contra as mulheres]]></category>
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		<category><![CDATA[Mulheres e Flavio Bolosnaro]]></category>
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					<description><![CDATA[Candidato bolsonarista usa táticas de manipulação e intimidação comuns em abusadores. E já apoiou o turismo sexual “Calma.Tenha calma! Eu só tô aqui esfregando uma verdade na sua cara e você está se sentindo assim, abalado”. Essa frase foi dita em tom sarcástico por Flávio Bolsonaro para seu oponente, o presidente Lula, no debate da [&#8230;]]]></description>
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<h4 class="wp-block-heading has-cyan-bluish-gray-color has-text-color has-link-color wp-elements-2">Candidato bolsonarista usa táticas de manipulação e intimidação comuns em abusadores. E já apoiou o turismo sexual</h4>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Calma.Tenha calma! Eu só tô aqui esfregando uma verdade na sua cara e você está se sentindo assim, abalado”. Essa frase foi dita em tom sarcástico por Flávio Bolsonaro para seu oponente, o presidente Lula, no debate da Band, realizado no domingo (18). Quem já teve algum tipo de relacionamento com um homem tóxico já conhecia esse tipo de fala abusiva e já ouviu alguma coisa semelhante. Essa é uma técnica de manipulação que funciona assim: a pessoa te desestabiliza, fala mentiras, te acusa e, quando você reage, é chamada de louca, ou ouve que é “muito emocional”, ou que está “abalada”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ver isso na TV em uma coisa tão importante como um debate entre candidatos à Presidência não foi fácil. Pouco tempo depois do debate acabar, milhares de mulheres foram para as redes sociais falar que as atitudes de Flávio tinham funcionado como um gatilho para eles, que lembravam de situações em que foram vítimas de homens tóxicos e violentos. Algumas, enjoadas, tiveram que desligar a TV.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mal estar não atingiu só as mulheres. Tanta agressividade fez também com que homens se lembrassem dos bullyings que sofreram na escola por parte de colegas valentões como Flávio. A masculinidade tóxica, sabemos, faz mal também para os homens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquela noite, vendo Flávio se comportar como um “playboy do jiu-jitsu que anda com um pitbull”, um tipo de cara violento que, no Rio de Janeiro, aprendemos a evitar desde a adolescência, vimos o quanto ele é um exemplo de masculinidade tóxica e agressiva. Em um dos vídeos postados nas redes sociais por mulheres assustadas com o jeito de Flávio, uma delas perguntava: “mas como é que alguém vai conversar com um homem assim?”. Verdade. Como dialogar com alguém que tem uma postura que é feita para nos intimidar?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maior representação desse método de intimidação foi a postura física de Flávio Bolsonaro durante boa parte do debate, quando ele se colocou atrás de Lula enquanto o presidente falava. Por trás, ele fazia caras e mímicas. A sua postura era a de um abusador. Quase todas as mulheres já tiveram experiências horríveis com sujeitos desse tipo. Eles são aqueles que debocham, puxam o cabelo das mulheres nas boates, riem por trás e se postam por trás dos outros, prontos para a briga. Mas, se alguém falar que eles estão provocando,&nbsp; irão responder que não fizeram nada e pedirão&nbsp; “calma”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Flávio Bolsonaro deixou claro, naquele domingo, que o Brasil corre o risco de ter um presidente que é um exemplo quase caricato de masculinidade tóxica e violenta. Assustador. Mas isso também não chega a ser uma surpresa.&nbsp; Afinal, ele não só é filho de Jair Bolsonaro, ele é seu herdeiro político e seu discípulo. Alguns que o conhecem bem dizem, inclusive, que ele é ainda mais radical e perigoso que o pai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A toxicidade de playboy é vista também em um vídeo que roda pela internet e mostra uma cena familiar dos Bolsonaro.&nbsp; Flávio está de sunga no que parece ser um churrasco familiar. Atrás dele, vemos a decoração, composta por armas penduradas na parede. Em um clima festivo, com muitas risadas, Flávio é convidado a ensinar seu irmão mais novo, Jair Renan, a “chegar em mulher”. Andando com jeitão de macho, ele diz: “tudo bem? Sou filho do presidente, que me dar?” A cena é grotesca, mas os amigos machos acham tudo muito engraçado e gargalham.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Defensor do turismo sexual</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">A masculinidade violenta de Flávio Bolsonaro não se restringe à interação social, obviamente. Ela marca também a sua vida política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua carreira como deputado estadual, função que ocupou na Alerj entre 2003 e 2018, ele guarda feitos como ter sido o único parlamentar a votar contra um projeto de combate ao turismo sexual. A lei, de 2006, previa a aplicação de multas a bancas de jornal, gráficas e lojas que comercializassem cartões-postais com imagens de mulheres seminuas associadas a pontos turísticos da cidade. Combater esse tipo de incentivo ao turismo e a exploração sexual é algo tão óbvio e importante que todos os deputados, independentemente de posição política ou partido, votaram a favor. Menos Flávio. No plenário, ele defendeu seu voto falando que:&nbsp; a “mulher brasileira também é um patrimônio turístico do nosso país, é uma beleza do nosso Estado, principalmente a mulher carioca”. Socorro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com levantamento feito pela jornalista Carol Pires, do podcast “Duas e tanto”, Flávio foi também o único deputado da Alerj a votar contra o aumento da licença maternidade das servidoras públicas do estado do Rio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O filho de Jair Bolsonaro, aquele que disse que ter uma filha mulher tinha sido uma “fraquejada”, tenta, nos últimos dias de campanha, conquistar o voto feminino, já que 55% das mulheres, segundo pesquisa Datafolha, votam em Lula. Uma das maneiras encontradas por ele para tentar convencer o eleitorado de que respeita as mulheres é repetir um clichê machista: falar que ama as mulheres, inclusive porque é casado com uma e tem filhas. Não caiam nessa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h4 class="wp-block-heading">Nina Lemos</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Jornalista e escritora e mora em Berlin. Escreve sobre machismo e feminismo desde os anos 90, quando fundou com duas amigas o grupo 02 neuronio. Foi uma das criadoras da revista Tpm e colunista da Folha de S Paulo, do Uol e da Dw Brasil, entre outros.</p>
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