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	<title>Empregador abusado &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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	<title>Empregador abusado &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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		<title>Rescisão indireta: quando a relação empregatícia se torna insustentável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Dec 2023 15:04:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[abusos no trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque Menor]]></category>
		<category><![CDATA[Empregador abusado]]></category>
		<category><![CDATA[Rescisão indireta]]></category>
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					<description><![CDATA[A rescisão indireta pode ocorrer quando o empregador comete a falta grave. Até junho de 2023, a Justiça do Trabalho recebeu 139.185 novos casos envolvendo o tema  Na vida profissional, nem sempre as coisas acontecem como deveriam. Situações desgastantes e, por vezes, prejudiciais à saúde física e mental no ambiente de trabalho podem levar um [&#8230;]]]></description>
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<h4 class="wp-block-heading has-cyan-bluish-gray-color has-text-color has-link-color wp-elements-6ef8610318a8cd3897fe3886b69d59f5">A rescisão indireta pode ocorrer quando o empregador comete a falta grave. Até junho de 2023, a Justiça do Trabalho recebeu 139.185 novos casos envolvendo o tema </h4>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na vida profissional, nem sempre as coisas acontecem como deveriam. Situações desgastantes e, por vezes, prejudiciais à saúde física e mental no ambiente de trabalho podem levar um empregado a legalmente se recusar a realizar determinada tarefa ou até mesmo considerar a rescisão do seu contrato de emprego. Nesse contexto, quando o empregador não cumpre obrigações importantes, a rescisão indireta surge como uma alternativa. Mas o que é uma rescisão indireta e em que circunstâncias ela é possível?</p>



<h4 class="wp-block-heading">Justa causa</h4>



<p class="wp-block-paragraph">A rescisão indireta se assemelha à demissão por justa causa, mas, no lugar do empregado, é o empregador quem comete a falta grave que impede a continuidade da relação de emprego. Trata-se de uma forma especial de encerrar o contrato de trabalho, que geralmente se efetiva por meio de um processo judicial. Uma vez reconhecida, o trabalhador tem direito a todas as verbas rescisórias a que teria direito no caso de dispensa imotivada.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Previsão legal</h4>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo 483 da CLT &nbsp;enumera as faltas graves do empregador que podem motivar a rescisão indireta. Entre elas estão o descumprimento de obrigações contratuais, atos lesivos à honra do empregado e sua submissão a perigo manifesto de mal considerável.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Conduta intolerável</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Nesses casos, quando a pessoa se vê numa circunstância em que a conduta do empregador torna praticamente intolerável a continuidade da sua prestação de serviços, ela pode se valer da Justiça do Trabalho para que seja reconhecido o seu direito à rescisão indireta do seu contrato de trabalho.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading">Situações&nbsp;</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Os diversos órgãos julgadores do Tribunal Superior do Trabalho, interpretando o artigo 483 da&nbsp;<a href="https://corpus927.enfam.jus.br/legislacao/CLT-43#art-483" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CLT</a>, têm reconhecido o direito à rescisão indireta em diversas situações. Os casos mais comuns dizem respeito a:</p>



<p class="wp-block-paragraph">.&nbsp;<a href="https://www.tst.jus.br/-/professora-obt%C3%A9m-rescis%C3%A3o-indireta-por-atraso-de-dois-meses-no-pagamento-de-sal%C3%A1rios" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Atraso reiterado no pagamento de salários e não recolhimento do FGTS</a>: quando o empregador atrasa os salários de maneira reiterada ou deixa de recolher os depósitos do FGTS regularmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">.&nbsp;<a href="https://consultaprocessual.tst.jus.br/consultaProcessual/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=171101&amp;anoInt=2015" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Não fornecimento de equipamento de proteção individual (EPI)</a>: quando o empregador não oferece condições de trabalho seguras e saudáveis, colocando a saúde do empregado em risco pela não concessão dos EPIs necessários para o desempenho da atividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">.&nbsp;<a href="https://consultaprocessual.tst.jus.br/consultaProcessual/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=337755&amp;anoInt=2019" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Não pagamento do adicional de insalubridade ou de periculosidade</a>:&nbsp;quando o empregador não cumpre obrigação de pagar a parcela como contraprestação ao trabalho exercido com risco à saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">.&nbsp;<a href="https://consultaprocessual.tst.jus.br/consultaProcessual/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=177882&amp;anoInt=2016" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Não pagamento de horas extras</a>: quando o empregador descumpre obrigação de pagar pelas horas extraordinárias efetivamente trabalhadas pelo empregado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">.&nbsp;<a href="https://consultaprocessual.tst.jus.br/consultaProcessual/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=63509&amp;anoInt=2021" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Assédio moral</a>: quando o empregado sofre assédio moral e o empregador permite essa prática sem tomar medidas para coibi-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph">.&nbsp;<a href="https://consultaprocessual.tst.jus.br/consultaProcessual/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=96862&amp;anoInt=2018" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agressão física e submissão a perigo manifesto de mal considerável</a>: quando o empregador ou algum dos seus prepostos ameaçam ou agridem fisicamente o empregado ou o submetem a um perigo real de sofrer algum dano relevante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">. Redução de horas ou de salário sem acordo: Se o empregador reduzir o salário ou as horas de trabalho do empregado sem acordo, isso pode ser motivo para a rescisão indireta.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading">Consequências</h4>



<p class="wp-block-paragraph">O reconhecimento judicial da rescisão indireta resulta na obrigação do empregador de pagar as verbas rescisórias como se ele tivesse demitido o empregado sem justa causa. Isso significa que o trabalhador terá direito ao pagamento do saldo de salários, aviso-prévio proporcional, com a projeção legal, férias proporcionais com abono de um terço, 13º salário proporcional, liberação de saque do FGTS com multa de 40% e liberação das guias do seguro-desemprego, entre outras possíveis parcelas previstas em regulamento empresarial ou em normas coletivas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o empregador não emite imediatamente as guias para saque do FGTS e do seguro-desemprego, a própria decisão judicial que reconhece a rescisão indireta serve como documento hábil à liberação dessas verbas.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Formalização</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Caso um empregado esteja sendo vítima do descumprimento reiterado da lei, é importante que ele documente as irregularidades e leve ao conhecimento do empregador, para que sejam tomadas as devidas providências. Se a situação se mantiver, o pedido de rescisão indireta pode ser formalizado por meio de uma reclamação trabalhista. Isso pode ser feito pelo próprio empregado junto à Vara do Trabalho mais próxima do local em que ele presta serviços.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a orientação jurídica profissional seja sempre recomendada, qualquer pessoa pode reivindicar os seus direitos junto à Justiça do Trabalho sem necessidade de contratar um advogado, por força do artigo 791 da CLT.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Direitos&nbsp;</h4>



<p class="wp-block-paragraph">É importante que o empregado esteja ciente de que, no caso de indeferimento de seu pedido de rescisão indireta na Justiça do Trabalho, o contrato de emprego será considerado terminado por sua própria iniciativa, como se fosse um pedido de demissão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa maneira, ele não terá direito a sacar o FGTS nem a receber a multa equivalente a 40% do seu saldo, além de não receber as guias para do seguro-desemprego. Também ficará sujeito ao pagamento de honorários de sucumbência (devidos pela parte que perde a ação), calculados sobre o valor atualizado da causa,&nbsp;<a href="https://www.tst.jus.br/-/honor%C3%A1rios-s%C3%B3-ser%C3%A3o-cobrados-quando-empregada-que-perdeu-a%C3%A7%C3%A3o-tiver-condi%C3%A7%C3%B5es-financeiras" target="_blank" rel="noreferrer noopener">observadas as regras específicas aplicáveis aos beneficiários da justiça gratuita</a>.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Abandono de emprego</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Em situações em que a pessoa deixa de comparecer ao trabalho para, em seguida, ingressar com uma reclamação trabalhista buscando a rescisão indireta, mas não tem sucesso, a jurisprudência do TST tem entendido que&nbsp;<a href="https://consultaprocessual.tst.jus.br/consultaProcessual/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=91678&amp;anoInt=1997" target="_blank" rel="noreferrer noopener">esse comportamento, por si só, não caracteriza abandono de emprego</a>&nbsp;passível de justa causa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A razão é que a ausência do empregado para pedir a rescisão indireta do contrato de trabalho constitui o exercício legítimo de um direito previsto em lei. Isso significa que o afastamento não demonstra a intenção de simplesmente abandonar o emprego, mas de buscar, de acordo com as normas legais, o término do vínculo em razão de circunstâncias que tornam a sua continuidade insustentável. Essa distinção é fundamental para garantir que o empregado não seja injustamente penalizado por buscar seus direitos nos termos da legislação trabalhista.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Aviso-prévio&nbsp;</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Em regra, quando um empregado decide deixar o emprego por vontade própria, ele deve cumprir um aviso-prévio. Entretanto, no TST, prevalece a interpretação de que&nbsp;<a href="https://consultaprocessual.tst.jus.br/consultaProcessual/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=171101&amp;anoInt=2015" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o ajuizamento de uma reclamação trabalhista com pedido de rescisão indireta supre essa necessidade</a>. Nesse contexto, mesmo que o pedido seja indeferido, ele não terá de compensar o aviso-prévio com as possíveis verbas rescisórias de responsabilidade do empregador.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Proteção de direitos</h4>



<p class="wp-block-paragraph">A rescisão indireta, quando corretamente fundamentada e respaldada por evidências, é um valioso instrumento de proteção dos direitos do empregado diante de condições adversas de trabalho e reiteradas violações contratuais pelo empregador.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um mecanismo legal a ser utilizado em caráter excepcional, quando a manutenção do emprego se torna insustentável. Por isso, é importante que seja utilizado com a lealdade que deve sempre reger a relação entre empregador e empregado.</p>
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