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	<title>empobrecimento pelo mercado financeiro &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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	<title>empobrecimento pelo mercado financeiro &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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		<title>As 4 engrenagens que tornam o crédito no Brasil um agente de empobrecimento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Dec 2025 10:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[crédito]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque Menor]]></category>
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					<description><![CDATA[Do uso da poupança popular ao consignado do BPC, uma radiografia de um sistema que empobrece enquanto diz modernizar Se você já abriu a fatura do cartão, tentou financiar um eletrodoméstico ou entrou no cheque especial e teve a impressão de que o sistema financeiro está sempre contra você, essa percepção não é um delírio, [&#8230;]]]></description>
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<h4 class="wp-block-heading has-cyan-bluish-gray-color has-text-color has-link-color wp-elements-0d7962069b76033df99d1b7a801f0084">Do uso da poupança popular ao consignado do BPC, uma radiografia de um sistema que empobrece enquanto diz modernizar</h4>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você já abriu a fatura do cartão, tentou financiar um eletrodoméstico ou entrou no cheque especial e teve a impressão de que o sistema financeiro está sempre contra você, essa percepção não é um delírio, mas a consequência de um modelo construído ao longo de décadas para beneficiar quem já está no topo e transferir riscos e custos para o resto da população.<br><br>Nas últimas décadas, o crédito deixou de ser um instrumento de desenvolvimento e passou a funcionar prioritariamente como uma engrenagem de lucro do setor financeiro.<br><br>Assim, produtos como cartão de crédito, cheque especial, empréstimos, financiamento, que deveriam apoiar a vida econômica da população acabaram se tornando mecanismos de extração de renda.<br><br>O resultado é um país onde famílias pagam caro para acessar serviços básicos, enquanto bancos operam com margens entre as maiores do mundo. E alguns fatores ajudam a explicar por que o Brasil é, hoje, um dos países onde o crédito mais empobrece.Como a poupança dos pobres financia o lucro dos ricos</p>



<p class="wp-block-paragraph">A função básica do crédito deveria ser simples: pegar o dinheiro de quem quer guardar, emprestar para quem precisa e movimentar a economia real. No Brasil, essa lógica foi completamente distorcida.<br><br>O atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, chamou atenção recentemente para um mecanismo silencioso: a poupança funciona como um “Robin Hood às avessas”.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O sistema opera assim:</strong></h4>



<ul class="wp-block-list">
<li>Milhões de brasileiros de baixa renda deixam o dinheiro na poupança, que paga pouco.</li>



<li>Esse dinheiro barato é utilizado pelos bancos para financiar setores que têm alta capacidade de pagamento, inclusive os mais ricos.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O spread médio está acima de 20 pontos percentuais, segundo o Banco Central. Isso significa que, enquanto o banco paga quase nada ao poupador, cobra juros altíssimos de quem toma crédito.<br><br>O FGTS, por exemplo, foi sistematicamente transformado de uma poupança para a segurança do trabalhador em um produto financeiro.<br><br>Sob os governos de Temer e Bolsonaro, a liberação de saques e a permissão de empréstimos com garantia do fundo serviram para aumentar o volume de crédito e os lucros dos bancos, sempre colocando o interesse do mercado acima do objetivo original do fundo.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Crédito às custas do endividamento</h4>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso ter em vista que, embora o acesso a cartões de crédito seja positivo quando se fala em inclusão financeira, seu potencial em aumentar o nível de endividamento não pode ser desconsiderado.<br><br>Uma pesquisa elaborada pelo próprio Banco Central em 2023 lembra que o maior acesso a cartões de crédito, embora positivo do ponto de vista da inclusão financeira, também merece atenção por seu potencial de aumentar o nível de endividamento das famílias.<br><br>“Quando o cliente deixa de pagar o valor total da fatura do cartão, o valor não pago se torna uma modalidade de empréstimo, chamada rotativo do cartão de crédito. Essa é uma das operações de crédito com maiores taxas de inadimplência e custo no mercado”, lembra a autoridade monetária.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Por que juros altos não freiam o consumo no Brasil</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">O discurso clássico de política monetária diz que juros altos servem para esfriar a economia e segurar a inflação.<br><br>Na prática, no Brasil, o mecanismo funciona de uma forma muito específica, e com efeitos entre pessoas físicas e empresas.<br><br>Quando a Selic sobe, o país atrai capital estrangeiro em busca de rentabilidade. Esses dólares entrando fortalecem o Real. É essa valorização do câmbio — e não a queda do consumo — que puxa a inflação para baixo.<br><br><strong>Ou seja:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A Selic sobe.</li>



<li>O Real se valoriza.</li>



<li>Importados ficam mais baratos.</li>



<li>A inflação cai porque o câmbio caiu, e não porque as famílias reduziram consumo.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Esse efeito cria um paradoxo incômodo: a Selic alta pode até aumentar o poder de compra ao baratear produtos importados. É o oposto do que o Banco Central costuma afirmar em suas comunicações.<br><br>Além disso, é preciso ter em vista que uma taxa de juros elevada também compromete o fluxo de investimentos produtivos, com efeito negativo na geração de emprego via encarecimento do crédito – algo criticado inclusive pelo empresariado.<br><br>“A Selic tem freado a economia muito além do necessário, uma vez que a inflação está em clara trajetória de queda. A taxa de juros atual traz custos desnecessários, ameaçando o mercado de trabalho e, por consequência, o bem-estar da população. Além disso, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juros real do mundo, penalizando duramente o setor produtivo”, afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, em comunicado divulgado após a reunião em que o Copom manteve os juros em 15% por mais uma reunião.<br><br>Uma pesquisa da CNI mostra que 80% das empresas industriais apontam a taxa de juros elevada como a principal dificuldade para a tomada de crédito de curto prazo. No caso de acesso a financiamento de longo prazo, 71% dos empresários apontam a Selic como principal barreira.<br><br>O debate revela uma política monetária muito mais alinhada ao fluxo internacional de capitais do que ao desenvolvimento interno. A Selic não atua como ferramenta de “freio”, mas como um sinal para o mercado global.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Benefícios de crianças viram efeito colateral</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Entre todos os problemas do sistema, talvez nenhum seja tão grave quanto o uso de benefícios sociais — inclusive de crianças — como garantia para empréstimos consignados.<br><br>O caso de Clara, 7 anos, portadora de síndrome de Down, é emblemático. Seu benefício do BPC foi usado como garantia de um empréstimo. Uma fotografia no celular substituiu uma assinatura que ela não poderia dar. A dívida passou a ser descontada direto de seu benefício.<br><br><strong>Ela não é exceção. É efeito de um sistema construído ao longo de 15 anos:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Ferramentas digitais de contratação acelerada</li>



<li>Portabilidade automática</li>



<li>Open finance</li>



<li>Normas que favorecem risco zero para os bancos</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo isso permitiu transformar a renda mínima de sobrevivência em ativo financeiro.<br><br>E uma série de dados oficiais evidenciam como a vulnerabilidade virou uma oportunidade de negócio – para o setor financeiro:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>R$ 12 bilhões em empréstimos têm como garantia benefícios infantis.</li>



<li>Cerca de R$ 20 bilhões são consignados apoiados em programas assistenciais.</li>



<li>2,6 milhões de beneficiários do BPC têm consignados.</li>



<li>Um em cada seis beneficiários do Bolsa Família contraiu esse tipo de crédito.</li>
</ul>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A conta da dívida das famílias</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Os bancos – sejam eles instituições tradicionais ou as chamadas fintechs – se apresentam como modernos, tecnológicos e acessíveis.<br><br><strong>Mas os resultados dessa “modernização” são:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Endividamento recorde: famílias comprometem 49,1% da renda anual.</li>



<li>Comprometimento mensal histórico: 28,8% da renda vai para dívidas.</li>



<li>Juros de 58,7% ao ano no crédito livre.</li>



<li>Inadimplência em 4%, a maior em três anos.</li>



<li>Spread bancário de 20,8 pontos percentuais, um dos maiores do planeta.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto isso, cada ponto da Selic custa ao governo R$ 54 bilhões por ano.<br><br>Com a economia gerada pela redução de apenas 2 pontos percentuais, seria possível dobrar todo o investimento federal em educação. Entretanto, o modelo transfere recursos públicos para remunerar o capital financeiro — e essa decisão política custa caro.<br><br>A economia real é quem sustenta o sistema que se apresenta como moderno, mas entrega empobrecimento e estagnação.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Para quem o crédito trabalha?</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Os quatro mecanismos — poupança regressiva, Selic paradoxal, uso de benefícios sociais como colateral e juros que drenam renda — mostram que o sistema financeiro brasileiro funciona exatamente como foi desenhado: para transferir riqueza da base da sociedade para o topo.<br><br><strong>A pergunta, portanto, não é técnica. É política:<br></strong><br>O crédito existe para desenvolver o país ou para remunerar o mercado?</p>
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