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	<title>Economia e BC &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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		<title>Entenda a disputa entre Lula e o Banco Central e o que está em jogo na economia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Feb 2023 13:23:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Alta da Selic]]></category>
		<category><![CDATA[BC x Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque Menor]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e BC]]></category>
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					<description><![CDATA[Presidente critica juros altos, BC os defende para conter inflação e cobra o governo para cortar gastos Mal começou o novo governo e a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, tomou conta do noticiário. O debate acalorado entre os dois tem [&#8230;]]]></description>
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<h4 class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color wp-block-heading">Presidente critica juros altos, BC os defende para conter inflação e cobra o governo para cortar gastos</h4>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mal começou o novo governo e a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, tomou conta do noticiário. O debate acalorado entre os dois tem como foco a taxa básica de juros da economia, a Selic, que traz&nbsp;repercussões para toda a economia e&nbsp;a política nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lula ganhou a eleição presidencial do ano passado prometendo fazer a economia do país voltar a crescer. Para isso, prometeu retomar investimentos públicos e reforçar programas de transferência de renda aos mais pobres, como o Bolsa Família.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os gastos do governo tendem a fazer crescer o Produto Interno Bruto (PIB), exatamente como Lula deseja. Mas alguns economistas&nbsp;veem esses gastos como um fator causador de inflação, o que prejudica principalmente os mais pobres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O BC é o órgão estatal responsável pelo controle da inflação no país e, para isso,&nbsp;usa, principalmente, a taxa básica de juros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A forma como o BC tem usado essa taxa, entretanto, atrapalha o crescimento da economia, na visão de Lula. Por isso, o presidente tem criticado a gestão do órgão até o fato de ele ser, atualmente, independente do governo federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Selic, juros e inflação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Selic é a taxa de juros referência da economia nacional. Seu patamar é definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC conforme sua avaliação sobre a economia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o Copom vê a inflação subindo, tende a aumentar a Selic. Quando ela aumenta, aumentam também os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e crediários. Empresários e consumidores tendem a adiar decisões de compra. Com menos demanda, espera-se que os preços baixem ou pelo menos deixem de subir. Em tese, a inflação é controlada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De março de 2021 a agosto de 2022 – durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) – , o Copom aumentou a taxa básica de juros 11 vezes seguidas por conta da inflação. A Selic, que estava em 2% ao ano, atingiu 13,75% ao ano, e assim permanece desde então.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os juros altos atrapalham a economia como um todo, por inibir&nbsp;investimentos e compras, além de comprometer&nbsp;o orçamento do governo já que, quanto mais alto estão, mais a União gasta para arcar com sua dívida. Sobra menos dinheiro para construir escolas, hospitais, gerar empregos e renda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o próprio BC, de agosto de 2021 a julho de 2022, o governo gastou R$ 586 bilhões para pagar os juros da dívida pública nacional. Isso corresponde a 6,31% do PIB do período.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É também quase o dobro do gasto com juros acumulados de agosto de 2020 a julho de 2021. Naquele período, quando a Selic ainda estava entre 2% ao ano e 4,25% ao ano,&nbsp;o gasto com juros foi de R$ 323,5 bilhões, o que representava 3,94% do PIB.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Briga pública</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Levando esses dados em consideração, o governo defende a redução da Selic. O BC, no entanto, não dá sinais que concorde com o presidente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No último dia 1º, o Copom reuniu-se pela primeira vez durante o governo Lula. Poderia ter reduzido a taxa de juros. Decidiu mantê-la, contrariando o desejo de Lula.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que isso, o Copom declarou em comunicado que &#8220;incertezas no âmbito fiscal” reforçavam expectativas sobre alta da inflação. Traduzindo: o BC disse que a possibilidade de o governo aumentar seus gastos pressionava&nbsp;o órgão a manter a alta Selic.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lula não gostou da decisão do Copom, muito menos do comunicado sobre ela. Concedeu uma entrevista à&nbsp;<em>RedeTV!</em>&nbsp;no dia seguinte quando disse&nbsp;que, para que o país volte a crescer, os juros precisam cair. “O Brasil precisa voltar a crescer. Não existe nenhuma razão para a taxa de juros estar em 13,75%”, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Autonomia atrapalha</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Lula também criticou a autonomia do BC, concedida a partir de 2021. Naquele ano, o então presidente Bolsonaro sancionou uma lei que impede que o presidente do órgão seja trocado a cada governo, como acontecia até então. Essa lei agora obriga Lula a lidar com Campos Neto, o qual foi nomeado pelo próprio Bolsonaro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Campos Neto tem mandato no BC até o final de 2024, ou seja, até metade do mandato de Lula. O presidente declarou também na entrevista à&nbsp;<em>RedeTV!</em>&nbsp;que pode até encaminhar um projeto de lei ao Congresso para que a autonomia do BC seja revista depois disso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Vou esperar esse cidadão [Campos Neto] terminar o mandato dele para a gente fazer uma avaliação do que significou o Banco Central independente”, disse Lula. &#8220;Esse país está dando certo? Esse país está crescendo? O povo está melhorando de vida? Não. Então, eu quero saber de que serviu a independência.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Meta sob revisão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A mesma lei que deu autonomia ao BC também determina que ele atue como o guardião contra a inflação no país. Assim, o&nbsp;órgão persegue uma meta para a inflação que é previamente definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CMN é composto pelo presidente do BC e também pelos ministros da Fazenda e do Planejamento. Hoje, eles são Fernando Haddad (PT) e Simone Tebet (MDB), respectivamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse mesmo Conselho Monetário Nacional (CNM), ainda na gestão Bolsonaro, estabeleceu que a inflação teria de ser de 3,25% neste ano de 2023, podendo chegar, no máximo, a 4,75%. Mas&nbsp;as previsões mais atuais sobre o índice indicam que este pode superar os 5,5%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A previsão reforça o discurso do BC de que a Selic precisa permanecer alta. Ao mesmo tempo, dá argumentos para que o novo governo, já que não pode intervir no BC, altere a meta de inflação &#8211; via CMN &#8211; para abrir espaço para um corte nos juros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Disputa abre debate</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Economistas mais alinhados à agenda liberal e ao mercado financeiro reprovam as críticas de Lula ao BC e defendem a autonomia do órgão. Para eles, o governo deveria, na verdade, cortar seus gastos para que a inflação caísse e os juros fossem reduzidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O BC é independente, ponto”, disse Andrew Storfer, diretor do Núcleo de Economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). “O Executivo tinha que parar de jogar álcool na fogueira e dar diretrizes sobre austeridade, para melhorar o ambiente de negócios, o nível de emprego e a renda do cidadão. Não ficar criticando juros ou qualquer coisa desse tipo.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros economistas, porém, veem o BC sendo gerido com base nos interesses dos grandes bancos, que têm lucrado como nunca por conta dos altos juros no Brasil. Para eles, o governo Lula está sendo &#8220;chantageado&#8221; para contrariar seu projeto político.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É preciso denunciar a chantagem que o Banco Central está praticando para pressionar o governo a abraçar uma política de austeridade, desnecessária e incompatível com o projeto de reconstrução da nossa sociedade que o presidente Lula apresentou ao povo durante a campanha eleitoral”, disse o economista Daniel Conceição, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mesma linha, vai&nbsp;Márcio Pochmann, economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que lembra&nbsp;que o Brasil é o país com maior taxa de juros real do mundo (juros descontados o percentual da inflação).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Lula está correto nas afirmações que tem feito em relação a posição adotada pela direção do Banco Central, que insiste em manter o patamar da taxa de juros básicas muito elevado, sem paralelo mundial.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Pochmann, as críticas são corretas principalmente porque a gestão de&nbsp;Campos Neto não tem conseguido cumprir seu dever de colocar a inflação dentro da meta estabelecida pelo CNM mesmo com os juros altos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Campos Neto preside o BC desde o final de 2019,&nbsp;indicado por Bolsonaro. Apesar do discurso austero, sob&nbsp;sua gestão em 2021 e 2022, a inflação estourou a meta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tensão crescendo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta terça-feira, Campos Neto defendeu num evento em Miami a autonomia do BC. Segundo ele, ela serve justamente para desconectar o órgão dos ciclos políticos, impedindo um presidente democraticamente eleito de intervir na instituição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Acho que [a autonomia] é muito importante por diferentes razões. A principal razão, no caso da autonomia do BC, é desconectar o ciclo de política monetária do ciclo político, porque eles têm diferentes lentes e diferentes interesses”, disse ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já Lula disse que a responsabilidade sobre os juros é do BC, presidido por Campos Neto. Disse ainda que só o Senado Federal para tirá-lo do cargo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eu acho que esse cidadão [Campos Neto] que foi indicado pelo Senado tem a possibilidade de maturar, de pensar e saber como é que vai cuidar desse país porque ele tem muita responsabilidade”, afirmou. “A culpa dos juros é do BC. Agora é o Senado que pode trocar o presidente do BC.”</p>
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