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	<title>Dupla jornada &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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	<title>Dupla jornada &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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		<title>Dupla jornada para mulheres leva a ciclo de pobreza</title>
		<link>https://santosbancarios.com.br/artigo/dupla-jornada-para-mulheres-leva-a-ciclo-de-pobreza/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabiano Couto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Aug 2023 09:28:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Desigualdade de Gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[Desigualdade de gênero impede desenvolvimento A sobrecarga de trabalhos domésticos e cuidados com pessoas da família faz com que as mulheres tenham uma “dupla jornada” não remunerada e as impede de se desenvolverem pessoalmente. Esse é o diagnóstico feito por especialistas ouvidas pela Agência Brasil no contexto em que o IBGE revela que as mulheres [&#8230;]]]></description>
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<h4 class="wp-block-heading has-cyan-bluish-gray-color has-text-color">Desigualdade de gênero impede desenvolvimento</h4>



<p class="wp-block-paragraph">A sobrecarga de trabalhos domésticos e cuidados com pessoas da família faz com que as mulheres tenham uma “dupla jornada” não remunerada e as impede de se desenvolverem pessoalmente. Esse é o diagnóstico feito por especialistas ouvidas pela Agência Brasil no contexto em que o IBGE revela que as mulheres dedicam aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas quase o dobro do tempo gasto pelos homens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados divulgados nesta sexta-feira (11) fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua: Outras formas de trabalho 2022 e apontam que as brasileiras gastam 21,3 horas semanais nessas atividades, em média, enquanto os homens gastam 11,7 horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A demógrafa Glaucia Marcondes, pesquisadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diz que a desigualdade de gênero persiste apesar de todas as mudanças já observadas nas famílias e nas vidas das mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A despeito de elas estarem mais inseridas e permanentes no mercado de trabalho, de a renda feminina ser essencial para a manutenção das famílias, de estarem mais escolarizadas, as responsabilidades com os cuidados da casa e dos integrantes da família continuam sendo majoritariamente delas&#8221;, aponta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Glaucia acrescenta que o cenário atual é de um número cada vez mais expressivo de mulheres que precisam lidar com o trabalho dentro e fora de casa, configurando uma sobrecarga. &#8220;Se não as tira do mercado de trabalho temporária ou permanentemente, continua a impor limitações, seja para seu desempenho e progresso profissional, seja para seus projetos familiares, como cobranças sobre o exercício da maternidade, decidir ter filhos&#8221;, avalia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O levantamento do IBGE aponta que entre as mulheres que têm uma ocupação, a diferença de horas dedicadas ao serviço doméstico é de 6,8 horas por semana a mais que os homens.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Dependência de provedor</h4>



<p class="wp-block-paragraph">A socióloga Andrea Lopes da Costa, professora associada na Escola de Ciência Política da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), faz coro de que a mulher que consegue ocupar espaço no campo profissional ou acadêmico e precisa, ao mesmo tempo, ser a principal responsável pelas tarefas domésticas sofre impactos impeditivos no desempenho fora de casa. A professora lembra que muitas sequer conseguem buscar uma ocupação de trabalho remunerado, sendo limitadas a atuar como donas de casa, o que gera um problema secundário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O mundo do trabalho é o mundo da remuneração. Então, são mulheres que, de certa forma, acabam dependendo de um salário do marido. Elas acabam sendo subordinadas a um homem provedor&#8221;, analisa, ressaltando que se refere às famílias em que mulheres são casadas com homens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a secretária Nacional de Cuidados e Família, Laís Abramo, a sobrecarga pela qual passam as mulheres gera a chamada pobreza de tempo. &#8220;As mulheres acabam ficando sem tempo para se dedicar a outros âmbitos da vida, como terminar a sua trajetória escolar, fazer um curso de formação profissional, se inserir no mercado de trabalho, participar da vida pública, por exemplo. Fora as questões relacionadas a cultura, lazer e ao autocuidado&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A secretária contextualiza que das mulheres que não estão trabalhando nem procurando emprego, um terço aponta como motivo para isso a necessidade de dar conta do trabalho doméstico não remunerado. Proporção que, nas camadas mais pobres da população, aumenta quando têm filhos pequenos. &#8220;Mulheres sozinhas, mulheres negras, muitas que vivem nas zonas rurais, nas periferias urbanas. Essas mulheres não podem ir para o mercado de trabalho, então deixam de gerar renda. Isso é um ciclo de reprodução da pobreza, da desigualdade&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A socióloga Andrea traz para a análise a desigualdade racial. Ela explica que algumas mulheres com melhores condições financeiras conseguem atuar com mais competitividade no mundo profissional quando terceirizam o trabalho doméstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“São as mulheres negras, em grande maioria, que exercem esse trabalho doméstico e acabam desempenhando os trabalhos mais precarizados, mais vulnerabilizados, mais subalternizados”, explica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa do IBGE aponta que as mulheres pretas têm o maior índice de realização das tarefas (92,7%), superando as pardas (91,9%) e brancas (90,5%).</p>



<h4 class="wp-block-heading">Espaço político</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Para socióloga Marcia Regina Victoriano, diretora-presidente da ONG Nova Mulher, em São Paulo, o trabalho não remunerado das mulheres sempre foi e continua sendo um grande impeditivo para o desenvolvimento dos potenciais delas. &#8220;Ser mãe, por exemplo, é uma característica muito valorizada pela sociedade, pelas religiões, mas esse papel nos desvaloriza no mercado de trabalho, tendo como consequência salários mais baixos&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A participação da mulher nos espaços de política também é impactada negativamente pela sobrecarga de trabalho doméstico, diagnostica a diretora da ONG. &#8220;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres foram à luta e conseguiram provar capacidade de produção e de ocupação de novos espaços, mas, às vezes, à custa de jornadas extenuantes e de muito sacrifício pessoal. Com as mulheres sobrecarregadas, não há como se desenvolver e participar mais dos espaços de poder. Nesse sentido, ainda há um longo caminho a ser percorrido&#8221;.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Educação</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Glaucia Marcondes, da Unicamp, afirma que é persistente a visão de que cuidar da casa e das pessoas é uma questão feminina, enquanto deveria ser entendida e assumida como responsabilidade de todos. &#8220;Enquanto essa visão não for rompida, essa desigualdade permanecerá afetando negativamente a vida material, física e mental das mulheres&#8221;, diz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os caminhos para resolver o problema, a pesquisadora aponta a participação do Estado &#8220;com políticas públicas, seja por meio de serviços ou benefícios que pensem, de fato, nas demandas familiares de cuidados, não apenas para crianças, mas também idosos e demais pessoas que precisam de cuidados&#8221;. Para ela, é uma questão urgente. &#8220;É preciso lidar seriamente com o suporte e a proteção social para cuidadores familiares, que são majoritariamente mulheres, e que passam suas vidas inseridas em vários tipos de vulnerabilidades&#8221;. Ela também defende que &#8220;incentivar a socialização dos homens para os cuidados em todas as idades é o caminho para mudanças mais profundas e de longo prazo&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marcia Regina, da ONG Nova Mulher, ressalta que a educação para a igualdade de gênero tem que ser uma prioridade, &#8220;colocando-a como tema gerador de reflexão, de ação, de campanhas educativas em todos os níveis da escolaridade, para impulsionar este debate em nossa sociedade&#8221;. A socióloga defende ainda que é preciso &#8220;mudanças significativas em leis, como a da licença paternidade, para promover uma participação maior dos homens/pais nas tarefas de cuidado com filhos&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É preciso tornar real a afirmação ‘lugar de mulher é em todo lugar’, defende a diretora da ONG que trabalha com o empoderamento de mulheres.</p>



<h4 class="wp-block-heading">O privado é politico</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Por ser uma desigualdade de gênero dentro do lar, formas de intervenção são mais complicadas, avalia a professora Andrea, da Unirio. Citando o slogan do movimento feminista dos anos 60 O Privado É Político, ela explica que o espaço da família “é talvez dos mais intransponíveis quando se pensa na ação direta do estado”. Andrea pondera que em casos de violência doméstica, que se aproxima mais da definição de violação de direitos humanos, é mais fácil a intervenção. Mas em relação aos afazeres domésticos, “o campo familiar é muito duro, um núcleo potente de reprodução das assimetrias e das desigualdades”.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Política de Cuidado</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Em maio, o governo federal criou um grupo de trabalho (GT) para elaborar a Política Nacional de Cuidados. A secretária Nacional de Cuidados e Família, Laís Abramo, é uma das coordenadoras do GT, que reúne 17 ministérios e órgãos do governo e tem seis meses, prorrogáveis por mais seis, para apresentar uma proposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É muito importante a atuação da política pública para transformar essa realidade, garantir o direito ao cuidado a todas as pessoas que dele necessitem”, disse a secretária à Agência Brasil. Outros objetivos do plano passam por reconhecer, valorizar e redistribuir responsabilidades do cuidado entre família, comunidade, empresas e governos.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Transformação</h4>



<p class="wp-block-paragraph">A secretária defende que o cuidar das pessoas seja entendido como um trabalho e, mais além, um direito da pessoa, o que demanda uma transformação cultural da sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Pense em um trabalhador, por exemplo, que sai de casa numa grande cidade às 5h da manhã, passa uma hora e meia no ônibus, vai para o trabalho. No fim da tarde, leva mais uma hora e meia, duas horas para chegar em casa. Que tempo ele vai ter para acompanhar o desenvolvimento do seu filho ou sua filha?”, pergunta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As discussões passam por garantir licença-maternidade para todas as mães, uma vez que mulheres fora do mercado formal de trabalho não são cobertas por esse direito. Aumentar o período de afastamento das mães também está em pauta. Atualmente o tempo é de quatro meses (seis meses em empresas que aderem ao programa Empresa Cidadã).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A Organização Mundial da Saúde diz que é uma questão muito importante de saúde das crianças o aleitamento materno exclusivo até os seis meses. Se a mulher só tem quatro meses de licença-maternidade, como é que ela vai amamentar exclusivamente até os seis?”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O aumento do número de dias da licença-paternidade, hoje cinco dias, também é um assunto que faz parte dos debates.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Por mais que um pai esteja convencido de que ele tem que dedicar mais tempo para cuidar do recém-nascido, ele tem cinco dias, então terá que voltar para trabalhar”, diz a secretária, que informou que exemplos fora do Brasil estão sendo observados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Laís Abramo acrescenta que está sendo estudada a criação de licenças parentais, um período que poderia ser dividido entre homens e mulheres “para poder estimular essa presença dos homens no trabalho de cuidado com os filhos”. A secretária ressalta que a política levará em conta todos os tipos de família, e não apenas as que têm marido e mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ampliação do número de vagas em creches, extensão de horário da educação infantil e da assistência a idosos são outros temas na agenda do GT. Segundo a secretária, a Política Nacional de Cuidados também abrangerá a situação de trabalhadores remunerados, como empregadas domésticas e cuidadores de idosos, de forma a reduzir a vulnerabilidade dessas ocupações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A ideia da Política Nacional é pensar tanto em quem precisa do cuidado como em quem cuida de quem cuida”, conclui.</p>
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		<title>De casa para o trabalho: como a dupla jornada afeta a vida das Mães</title>
		<link>https://santosbancarios.com.br/artigo/de-casa-para-o-trabalho-como-a-dupla-jornada-afeta-a-vida-das-maes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabiano Couto]]></dc:creator>
		<pubDate></pubDate>
				<category><![CDATA[Banco do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[DIA DAS MÃES]]></category>
		<category><![CDATA[Dupla jornada]]></category>
		<category><![CDATA[MERCADO DE TRABALHO]]></category>
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					<description><![CDATA[A elevação da participação feminina no mercado de trabalho configura-se como um dos fenômenos mais marcantes ao longo das últimas décadas. Mesmo assim, as atividades dedicadas aos afazeres domésticos recaem majoritariamente sobre as mulheres, o que traz consequências ainda mais significativas para as Mães. Às 6h da manhã o despertador toca e começa a correria: [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A elevação da participação feminina no mercado de trabalho configura-se como um dos fenômenos mais marcantes ao longo das últimas décadas. Mesmo assim, as atividades dedicadas aos afazeres domésticos recaem majoritariamente sobre as mulheres, o que traz consequências ainda mais significativas para as Mães.<br />
</p>
<p>Às 6h da manhã o despertador toca e começa a correria: café da manhã, dar banho nos filhos, correr para atender os horários da escola complementar e do trabalho. Nesse momento, uma vasta agenda e orientação de equipe. No intervalo para o almoço, outra maratona: sair do trabalho, buscar as crianças, dar almoço, levá-las ao colégio e voltar para a agenda laboral.</p>
<p> </p>
<p>Essa é parte da rotina da servidora pública Caroline Paranayba, de 35 anos, mãe de dois filhos: Enrico (4) e Lorenzo (6). &#8220;É um grande desafio. Por mais que eu tente agregar soluções, às vezes não encontro serviços que possam se conectar aos meus horários de trabalho&#8221;, afirma.</p>
<p> </p>
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<p> </p>
<p>Segundo a pesquisa &#8220;Mercado de Trabalho: conjuntura e análise&#8221;, publicada em abril de2017 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a elevação da participação feminina no mercado de trabalho configura-se como um dos fenômenos mais marcantes ao longo das últimas décadas. Ainda assim, as atividades dedicadas aos afazeres domésticos recaem majoritariamente sobre as mulheres, o que traz consequências ainda mais significativas para as mães.</p>
<p> </p>
<p>De acordo com a socióloga Lourdes Maria Bandeira, da Universidade de Brasília (UnB), ainda existe a cultura da divisão sexual do trabalho onde cabe às mulheres &#8211; mesmo àquelas que trabalham fora de casa &#8211; a responsabilidade de acompanhar os filhos. As que não trabalham fora ficam com a responsabilidade integral de cuidados da família, além dos cuidados da casa.</p>
<p> </p>
<p>Fim do expediente. Hora de sair do trabalho, buscar as crianças na escola, dar banho, preparar o jantar, fazer os exercícios da escola, ter o momento de interação para processar todas as vivências do dia e, então, colocá-las para dormir.</p>
<p> </p>
<p><em><a href="https://santosbancarios.com.br/artigo/nao-fique-so-fique-socio-e-defenda-se-contra-a-reforma-trabalhista?url=artigo/nao-fique-so-fique-socio-e-defenda-se-contra-a-reforma-trabalhista" target="_blank"># Não fique só, Fique Sócio!</a></em></p>
<p> </p>
<p>&#8220;Além da responsabilidade de ser mulher, tem a responsabilidade de ser mãe. E ser mãe significa que a sociedade ainda cobra delas o acompanhamento e sucesso dos filhos. Se eles têm problemas na escola, ou se possuem alguns conflitos quando adolescentes, a responsabilidade ainda é delas&#8221;, avalia a socióloga.</p>
<p> </p>
<p>Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que,nas atividades de afazeres domésticos, as mulheres trabalham, em média, pelo menos o dobro que os homens. No Brasil, essa diferença é ainda mais expressiva. Enquanto os homens dedicam aproximadamente onze horas semanais a afazeres domésticos, entre as mulheres brasileiras, a média de horas dedicadas a essas atividades é em torno de vinte e seis horas. No mercado de trabalho, os homens brasileiros trabalham, em média, quarenta e três horas por semana, enquanto as mulheres trabalham em torno de trinta e seis horas por semana. Considerando o total de horas trabalhadas, a média para as mulheres, 62 horas semanais, é superior à dos homens.</p>
<p> </p>
<p>Essa realidade tem transformado a configuração da sociedade, como a diminuição da taxa de natalidade. &#8220;Em nossa sociedade, ser dona de casa ou ser mãe não tem nenhum reconhecimento do ponto de vista institucional. Em outras sociedades &#8211; como a Noruega e a Dinamarca, por exemplo -, o fato de procriar futuros cidadãos para o Estado traz a garantia de direitos previdenciários&#8221;, afirma Lourdes. Para a socióloga, o tempo de trabalho em que as mulheres se doam em detrimento da criação dos filhos é dado gratuitamente ao Estado, quando não computado nas contas públicas.</p>
<p> </p>
<p> Uma das formas de melhorar a realidade das mães seria, de acordo com Lourdes, a adoção de políticas de incentivo por parte do Estado. &#8220;Uma solução seria a extensão de licença paternidade &#8211; para a criação de nova cultura de divisão das responsabilidades na criação dos filhos -, incentivo a jornada de trabalho de 6 horas, salas de aleitamento nos locais de trabalho, além do acesso a creches&#8221;, pontua.</p>
<p> </p>
<p>Ao ser uma alternativa para o cuidado dos filhos, a creche pode influenciar de forma significativa a decisão da entrada da mulher no mercado de trabalho. Essa é a opinião de Caroline que, apesar de poder contar hoje com uma estrutura de apoio de amigos, destaca as dificuldades enfrentadas por ela nos primeiros anos dos filhos. &#8220;Eu passei por muitos momentos difíceis quando as crianças eram menores por conta da falta de creche&#8221;, lembra.</p>
<p> </p>
<p><em><a href="https://santosbancarios.com.br/artigo/reforma-trabalhista-afeta-mais-as-mulheres-afirma-juiza" target="_blank"># Reforma trabalhista afeta mais as mulheres, afirma juíza</a></em></p>
<p> </p>
<p>Diana Mello, advogada e pesquisadora, também passou por isso. Mãe solo de um menino, agora com 4 anos, ela só conseguiu concluir o mestrado, dois anos atrás, com a ajuda de amigos, que cuidavam do João, enquanto terminava a dissertação. “Isso começou a me dar ideias para criar uma rede social em Brasília para que as mães pudessem viver mais tranquilas. Eu comecei a divulgar isso para que mães sozinhas se juntassem para cuidarem dos filhos umas das outras de forma que todas tivessem um tempo livre”, explica.</p>
<p> </p>
<p>O conceito de creche parental, adotado por ela, tem se popularizado no Brasil e é uma alternativa de solução a essa dificuldade das mães. Mas mesmo para as que têm um companheiro a demanda recai sobre os ombros delas.</p>
<p> </p>
<p>De acordo com a especialista Lourdes, o Brasil tem uma memória histórica de famílias centradas no patriarcado, ou seja, na figura e na importância da autoridade masculina. Essa cultura faz com que mulher e filhos “incorporem determinadas obediências”, não só do ponto de vista material, mas também simbólico. Por isso, muitas mulheres se responsabilizam pelos cuidados com os filhos porque “já são criadas e socializadas nesses valores”.</p>
<p> </p>
<p>Foi por esse motivo que a técnica de laboratório Patrícia Monah Cunha Bartos Gomes se viu tendo que ensinar o marido a lavar o banheiro, cozinhar arroz e a cuidar minimamente da casa e do pequeno Santiago, de três meses. “Ele chega do trabalho, deita, descansa, lê um livro. Mas eu, quando chego, não dá pra esperar. Vou direto limpar o que está sujo, arrumar tudo o que precisa”, conta a doutora em Botânica. Além das tarefas domésticas e dos cuidados com o bebê, ela ainda cuida de um canil e faz atendimentos terapêuticos.</p>
<p> </p>
<p>“O mais difícil é que não foi desenvolvido o senso de que ambos sujamos e ambos devemos limpar. Acho que vem muito da criação machista, que eu também tive com a minha mãe”, explica. No caso dela, no entanto, a demanda era a da sobrecarga: “Já cheguei a apanhar da minha mãe porque o quarto do meu irmão estava bagunçado”.</p>
<p> </p>
<p><em><a href="https://santosbancarios.com.br/artigo/sancionadas-duas-leis-para-coibir-violencia-contra-a-mulher" target="_blank"># Sancionadas duas leis para coibir violência contra a mulher</a></em></p>
<p> </p>
<p>Segundo dados da PNAD 2013, os meninos de 10 a 14 anos passam, em média, 2,7 horas por semana em atividades domésticas. Já as meninas passam cerca de 7,6 horas. “A gente vê que as meninas ganham brinquedinhos de vassourinha, panelinha, ferro. E os meninos não. E isso é uma coisa que eu quero fazer diferente com meu filho”, comenta.</p>
<p> </p>
<p>De acordo com o Ipea, a presença de filhos entre 0 e 5 anos é um fator inibidor da entrada da mulher na força de trabalho; porém, a presença de filhas adolescentes (com mais de 13 anos de idade) sugere a geração de incentivos na participação da mulher no mercado de trabalho, a medida em que haveria uma realocação das obrigações domésticas entre mãe e filha (para o cuidado da casa e dos filhos menores, por exemplo).</p>
<p> </p>
<p>Por outro lado, existe um seguimento das mulheres mais jovens que resolveu romper com a conjugalidade e com a condição de serem mães e investem mais na vida profissional.</p>
<p> </p>
<p>A coordenadora de Gênero, Raça e Gerações do Ipea, Ana Amélia Camarano, defende que as condições inerentes à reprodução, antes e depois do parto, bem como as diferenças no grau de escolaridade e de expectativa de vida, justificam uma legislação distinta para aposentadoria de mulheres e homens. Segundo ela, essas particularidades precisam ser observadas, até como forma de incentivar a natalidade. “Hoje em dia, a mulher opta e vai continuar optando por não ter filhos. E sem natalidade não há sistema previdenciário que se sustente”, conclui.</p>
<p> </p>
<p>Crianças na cama, momento de retornar para a agenda de dona de casa, analisando compromissos e orçamentos. E não é raro ter de levar serviço para casa e trabalhar até 23h30, meia-noite. Fim de todos os expedientes, hora de dormir.</p>
<p> </p>
<p><em><strong>&gt;&gt; Cadastre-se no whatsapp do Sindicato: <a href="https://api.whatsapp.com/send?phone=5513992092964" target="_blank">clique aqui (pelo celular)</a> e informe banco onde trabalha e seu nome.</strong></em></p>
<p>Fonte: Agência Brasil<br />Escrito por: Adriana Franzin e Priscila Ferreira</p>
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