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	<title>crédito rural BB &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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		<title>BB ameaça banir crédito a produtor rural que pedir recuperação judicial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Oct 2025 10:03:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Banco adota garantias mais rígidas e acelera cobrança de dívidas do agro; executivo diz que produtor que pedir RJ não terá crédito &#8220;nunca mais&#8221; O Banco do Brasil, maior financiador do agronegócio no país, ameaça suspender novos empréstimos a produtores que entrarem com pedido de recuperação judicial, em meio a uma onda de calotes nas [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Banco do Brasil, maior financiador do agronegócio no país, ameaça suspender novos empréstimos a produtores que entrarem com pedido de recuperação judicial, em meio a uma onda de calotes nas regiões rurais.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://santosbancarios.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Felipe-Prince-BB-divulgacao-BB-1024x683.webp" alt="" class="wp-image-64895" srcset="https://santosbancarios.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Felipe-Prince-BB-divulgacao-BB-1024x683.webp 1024w, https://santosbancarios.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Felipe-Prince-BB-divulgacao-BB-300x200.webp 300w, https://santosbancarios.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Felipe-Prince-BB-divulgacao-BB-150x100.webp 150w, https://santosbancarios.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Felipe-Prince-BB-divulgacao-BB-768x512.webp 768w, https://santosbancarios.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Felipe-Prince-BB-divulgacao-BB-1100x733.webp 1100w, https://santosbancarios.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Felipe-Prince-BB-divulgacao-BB-600x400.webp 600w, https://santosbancarios.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Felipe-Prince-BB-divulgacao-BB-20x13.webp 20w, https://santosbancarios.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Felipe-Prince-BB-divulgacao-BB.webp 1536w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Felipe Prince, vice-presidente gestão de riscos BB</strong> &#8211; divulgação BB</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Eles não terão crédito hoje, amanhã nem nunca mais”, afirmou Felipe Prince, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos, em entrevista. “A recuperação judicial é uma armadilha para o produtor — ele perde acesso ao crédito e não consegue plantar a próxima safra.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O banco também vem adotando postura mais rígida nas negociações de dívida e maior cautela na concessão de crédito, exigindo pagamentos mais rápidos e garantias mais sólidas. A mudança ocorre após decisão judicial que permitiu a produtores individuais pedir proteção contra credores e após ajustes contábeis que levaram o banco a registrar, no segundo trimestre, o menor lucro em quase cinco anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo dados do próprio banco, R$ 5,4 bilhões em empréstimos não estão sendo pagos devido a pedidos de recuperação judicial de 808 produtores rurais, num universo de 1 milhão de clientes e uma carteira de crédito para o setor agropecuário que somava R$ 404,9 bilhões em junho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Prince, que trabalha no Banco do Brasil há mais de 25 anos, afirmou que o agronegócio passa por uma transformação profunda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Para se ter uma ideia da mudança de comportamento, 75% dos produtores inadimplentes estão nessa situação pela primeira vez”, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo entre os que não buscaram proteção judicial, o atraso nos pagamentos cresceu. A taxa de inadimplência da carteira rural subiu 2,2 pontos percentuais em um ano, chegando a 3,5% em junho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O aumento das provisões para perdas com crédito reduziu o retorno sobre o patrimônio líquido do banco de 21,6% para 8,4% no mesmo período. A queda no lucro do Banco do Brasil é um dos sinais mais claros das dificuldades enfrentadas por produtores e instituições financeiras em um dos maiores polos agrícolas do mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os custos maiores do crédito rural deixaram o Banco do Brasil com o pior desempenho entre os grandes bancos do país no primeiro semestre. Analistas esperam que essa diferença se mantenha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O Banco do Brasil deve ser o último a divulgar resultados e provavelmente o mais fraco do grupo”, escreveu Pedro Leduc, analista do Itaú BBA, em relatório sobre o terceiro trimestre. O balanço está previsto para 12 de novembro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gustavo Schroden, analista do Citigroup, afirmou em nota que o terceiro trimestre deve ser o pior do ano para o Banco do Brasil, diante da continuidade dos desafios no agronegócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo ainda não deve ter impacto, já que o banco começou a oferecê-lo apenas no fim de outubro. Mesmo assim, eventuais sinais de adesão dos clientes serão um indicador relevante, segundo Schroden.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Mudança de relação</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Produtores costumavam priorizar o pagamento ao Banco do Brasil, que responde por cerca de 60% do crédito rural no país — parte com juros subsidiados — e era visto como um parceiro de longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Fomos sempre o banco que voltava, negociava, prorrogava vencimentos e não cortava linhas de crédito”, disse Prince.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando não havia acordo, o risco era a perda da terra, já que muitos empréstimos eram garantidos por hipoteca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fortalecimento do agronegócio, especialmente durante e após a pandemia, atraiu novos financiadores que antes não atuavam no setor, como os Fiagros — fundos que investem em títulos lastreados em recebíveis do campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Entrou mais crédito, mas foi justamente esse crédito que superalavancou o segmento”, afirmou Prince.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois vieram a queda nos preços das commodities, a alta dos juros e o aumento dos desastres climáticos. Com isso, os calotes cresceram e os Fiagros passaram a cobrar antecipação dos pagamentos, segundo o executivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos produtores passaram a priorizar os títulos detidos por Fiagros ou recorreram à recuperação judicial, o que impede o Banco do Brasil de tomar as terras dadas em garantia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Há uma mudança de comportamento”, disse Prince. “E essa mudança nos obriga a nos adaptar a uma nova realidade.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O banco agora exige uma camada extra de segurança para garantir que as terras dadas como garantia não sejam protegidas em processos de recuperação judicial. A instituição substituiu as hipotecas pela alienação fiduciária, modalidade em que o credor mantém a propriedade do bem até o pagamento integral da dívida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse tipo de garantia encarece o crédito, elevando o custo para os produtores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mudanças também afetam o ritmo de liberação dos financiamentos, segundo relatório de analistas do JPMorgan liderado por Yuri Fernandes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os novos desembolsos estão ocorrendo, mas de forma mais lenta, porque há exigência de mais garantias, o que demanda mais tempo”, escreveram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Banco do Brasil também reduziu o prazo para entrar em contato com o produtor após atraso de pagamento, de 30 para 5 dias. E encurtou o período antes de recorrer à Justiça, de 90 a 180 dias para 30 dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A instituição passou ainda a usar inteligência artificial para classificar clientes segundo sua capacidade de pagamento, mapeando onde pode ampliar crédito, renegociar dívidas ou suspender empréstimos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As iniciativas de renegociação para evitar calotes também aumentaram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não existe dívida que não possa ser negociada conosco”, afirmou Prince. “O produtor tem toda nossa disposição para conversar, não importa a complexidade da situação — exceto se ele pedir recuperação judicial.”</p>
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