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	<title>Ação por burnout explode &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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		<title>Burnout explode nos tribunais e pressiona empresas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 May 2025 11:56:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Ação por burnout explode]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
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		<category><![CDATA[Justiça e burnout]]></category>
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					<description><![CDATA[Pressão empresarial adia norma que obriga mapeamento de riscos psicossociais. Advogada destaca crescimento de processos trabalhistas e urgência em políticas públicas Após a pandemia, o trabalho remoto levou a cobrança de metas e prazos para dentro de casa, invadindo todo o cotidiano dos trabalhadores. Apesar do reconhecimento do burnout como doença ocupacional pela OMS desde [&#8230;]]]></description>
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<h4 class="wp-block-heading has-cyan-bluish-gray-color has-text-color has-link-color wp-elements-e16da3a5719129c7d1268c207db90cf1">Pressão empresarial adia norma que obriga mapeamento de riscos psicossociais. Advogada destaca crescimento de processos trabalhistas e urgência em políticas públicas</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Após a pandemia, o trabalho remoto levou a cobrança de metas e prazos para dentro de casa, invadindo todo o cotidiano dos trabalhadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do reconhecimento do burnout como doença ocupacional pela OMS desde 2022, o apoio a trabalhadores ainda é insuficiente. Dados divulgados pela<em>&nbsp;Folha de S. Paulo</em>&nbsp;revelam que&nbsp;<strong>ações na Justiça do Trabalho por esgotamento profissional cresceram 14,5% no início de 2025</strong>, acumulando um passivo de&nbsp;<strong>R$ 3,75 bilhões</strong>. Em entrevista ao&nbsp;<strong>Portal Vermelho</strong>, a advogada Maria José Giannella Cataldi, especialista em Direito do Trabalho e professora da PUC-SP, critica o preconceito velado e a falta de diagnóstico precoce: “Muitas empresas minimizam o problema, e até profissionais de saúde têm dificuldade em identificar a síndrome”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nova versão da NR-1, norma regulamentar que obriga as empresas a mapear riscos psicossociais no ambiente de trabalho, teve sua validade adiada para 2026 após forte pressão do setor empresarial. Maria José avalia que a postergação ocorreu por pressão empresarial. Ela aponta que o adiamento reflete a prioridade dada ao lucro em detrimento da saúde dos trabalhadores. “Empresas temem custos adicionais, mas negligenciar riscos psicológicos só aumentará passivos futuros”, alerta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O burnout deixou de ser tabu e passou a ser um risco jurídico e humano de grandes proporções. A postergação das normas de proteção apenas adia o enfrentamento de uma crise que já está instalada. Para Maria José Giannella Cataldi, o desafio é cultural: “Precisamos parar de minimizar o sofrimento psíquico no trabalho e começar a preveni-lo de fato.”</p>



<h4 class="wp-block-heading">Adiamento é retrocesso</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Para Maria José, o adiamento da NR-1 é um retrocesso, mas abre espaço para que empresas se preparem. “O caminho é claro: mapear riscos, investir em liderança e criar cultura de cuidado. Quem não agir agora pagará o preço nas próximas décadas”, conclui. Enquanto isso, a Justiça do Trabalho enfrenta uma avalanche de casos, exigindo resposta ágil do Estado e do setor privado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Algumas empresas estão, sim, mapeando os riscos, mas essa não é a realidade da maioria. A norma veio para pressionar uma mudança de cultura que ainda está em construção”, afirma. Segundo ela, ambientes que negligenciam a divisão equilibrada de tarefas, a escuta dos trabalhadores e a capacitação de lideranças criam solo fértil para o adoecimento psicológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A norma, que deveria entrar em vigor em maio de 2025, foi adiada para 2026, dando mais um ano para que as empresas se adaptem. Neste período, não haverá punições formais, o que pode, na prática, atrasar ainda mais mudanças urgentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Riscos ignorados: sobrecarga, metas abusivas e liderança falha</strong><br>Durante a pandemia, o setor bancário foi um dos mais criticados por pressões excessivas e metas irreais, que persistem até hoje. A advogada e pesquisadora destaca que os indicadores mais comuns de ambientes tóxicos incluem&nbsp;<strong>excesso de horas extras, afastamentos por transtornos mentais (segundo maior motivo de licenças)&nbsp;</strong>e a falta de diálogo entre gestores e funcionários. “Empresas que não treinam líderes, ou não dividem tarefas adequadamente, criam terreno fértil para o adoecimento”, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O reflexo aparece nos afastamentos por doenças mentais, que já ocupam o segundo lugar no ranking geral do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A síndrome de burnout tem se mostrado “democrática” em seu impacto: atinge desde estagiários até altos executivos. No entanto, a jornada de trabalho ainda é fator determinante. “A escala 6×1 e o trabalho remoto mal gerido elevam o risco de esgotamento mental. São estruturas que favorecem o excesso, o isolamento e a falta de limites”, alerta a professora da PUC-SP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela observa que muitos trabalhadores que a procuram já estão em estágio avançado de sofrimento. “O apoio que o trabalhador recebe hoje é, na maioria dos casos, insuficiente. Falta acolhimento e compreensão por parte das empresas e até de profissionais da saúde.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Selo de Saúde Mental do MTE</strong><br>Em 2024, o MTE lançou o selo de saúde mental como forma de incentivar boas práticas. Para obter a certificação, a empresa precisa atender a critérios como capacitação de lideranças, canais de denúncia contra assédio, e oferta de apoio psicológico e psiquiátrico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Maria José, o selo é um avanço. “Ele funciona como um reconhecimento de que a empresa leva a sério o bem-estar de seus trabalhadores. Pode melhorar a reputação da empresa e reduzir custos com saúde. Mas ainda é algo que está engatinhando.” “É um passo, mas só empresas comprometidas com ações reais colherão benefícios, como redução de custos com afastamentos e melhora na reputação”, explica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Atraso regulatório</strong><br>Enquanto países europeus debatem redução da jornada para 24 horas semanais, o Brasil ainda discute a implementação básica de normas. A advogada atribui o atraso à falta de pressão política e sindical, além da resistência empresarial. “Comparado à América Latina, estamos medianos, mas em escala global, somos das últimas democracias a regulamentar saúde mental no trabalho”, lamenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a especialista, a nova regulamentação da NR-1 tem o potencial de acelerar esse processo. “Ela vai obrigar as empresas a olharem de frente para o problema. Quanto antes mapearem a causa-raiz do sofrimento mental, mais eficazes serão as soluções. E menos pessoas chegarão ao ponto de ruptura.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quem sofre mais</strong><br>A síndrome de burnout não discrimina hierarquias, mas grupos com&nbsp;<strong>jornadas exaustivas (como a escala 6×1) e trabalho remoto mal estruturado são mais vulneráveis</strong>. Dados mostram que mulheres, jovens e trabalhadores da economia informal enfrentam riscos ampliados. “O home office apagou limites entre vida pessoal e profissional, intensificando o estresse”, ressalta a especialista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela observa que, mesmo com o alerta que veio durante a pandemia sobre os riscos no ambiente de trabalho, sobretudo nos escritórios e agências bancárias, pouco mudou estruturalmente. “Ainda há muito a ser observado. A pressão por metas e o contato direto com clientes continuam sendo pontos críticos.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Custo do descaso: R$ 368 mil por processo e risco de colapso na Justiça<br></strong>Dados levantados pelo escritório Trench Rossi Watanabe mostram que as ações trabalhistas por burnout cresceram 14,5% só nos quatro primeiros meses de 2025, em comparação com o mesmo período do ano passado. São 5.248 novos processos até abril, com um passivo estimado de R$ 3,75 bilhões. O valor médio por ação gira em torno de R$ 368,9 mil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com 16.670 ações por burnout em 2024, o número de processos explodiu 22 vezes em dez anos. A advogada Letícia Ribeiro, do escritório, alerta: “Empresas terão de provar que o adoecimento não é culpa do ambiente de trabalho, o que será cada vez mais difícil sem políticas sérias”. A NR-1, mesmo adiada, pode ser a saída para evitar novos litígios.</p>
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