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	<title>4 dias semanais &#8211; SEEB Santos e Região</title>
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	<description>Sindicato dos Bancários de Santos e Região</description>
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		<title>Semana de 4 dias: 3,3 mil trabalhadores testam a proposta no Reino Unido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Mesquita]]></dc:creator>
		<pubDate></pubDate>
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					<description><![CDATA[&#8220;A economia não precisa que trabalhemos mais do que isso&#8221;, diz responsável por articular o teste, que vai até dezembro. Bancários também reivindicam em sua Campanha Nacional Unificada deste ano O Reino Unido é palco do maior teste da proposta de redução de jornada de trabalho para uma semana de quatro dias sem redução de salários em [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;A economia não precisa que trabalhemos mais do que isso&#8221;, diz responsável por articular o teste, que vai até dezembro. Bancários também reivindicam em sua Campanha Nacional Unificada deste ano</p>
<p></p>
<p>O Reino Unido é palco do maior teste da proposta de redução de jornada de trabalho para uma semana de quatro dias sem redução de salários em todo o mundo. Desde junho, cerca de 3,3 mil trabalhadores de mais de trinta setores da economia estão experimentando esse modelo de trabalho que promete vidas mais saudáveis para trabalhadores e um mundo mais sustentável &#8211; sem perda de lucratividade das empresas. </p>
<p> </p>
<p>O experimento é desenvolvido pela campanha global 4 Day Week, que busca incentivar a adoção da proposta por meio de parcerias com empresas e governos em todo o mundo. Experiências similares foram feitas na Irlanda, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Israel. <strong>No Brasil, os bancários incluíram a reivindicação na campanha salarial deste ano.</strong></p>
<p> </p>
<p>No Reino Unido, o piloto vai até dezembro, envolvendo mais de 70 empresas e organizações. Os empregadores que aderiram recebem apoio, na forma de oficinas e seminários on-line com especialistas e mentoria direta com organizações que já implementaram a semana de 4 dias de forma bem sucedida. </p>
<p> </p>
<p>Joe Ryle, Diretor de Campanha da semana de 4 Day Week Reino Unido, conta que o projeto começou a ser divulgado em janeiro e, imediatamente, a organização foi &#8220;inundada&#8221; com mais de 500 empresas interessadas. &#8220;Não conseguiríamos lidar com essa quantidade. Então, no final, reduzimos para 70 empresas, e estávamos prontos para começar em junho&#8221;, lembra.</p>
<p> </p>
<p>&#8220;Procuramos escolher empresas de diferentes setores da economia. Temos empresas do setor de hospitalidade, varejo, marketing, telecomunicações, construção. Vários setores diferentes pra mostrar que isso é possível em toda a economia. Não é algo que possa ser feito da noite para o dia, é preciso uma transição para chegar lá, mas é para todo mundo, um mundo melhor para todos&#8221;, defende.</p>
<p> </p>
<p>As empresas adotam uma jornada de 32 horas semanais, que é o equivalente a quatro dias de 8 horas. &#8220;Não acreditamos que alguém deveria trabalhar mais do que isso, a economia não precisa que trabalhemos mais do que isso. De fato, trabalhar mais do que isso está nos levando a estarmos esgotados, sobrecarregados, pouco eficiente e pouco produtivos&#8221;, sustenta Ryle. </p>
<p> </p>
<p>&#8220;A semana de cinco dias de jornada, o modelo de 40 horas é  baseado em uma  economia agrícola, das anos 1930 e 40. É uma  maneira realmente ultrapassada de trabalhar e que nunca foi atualizada. A pandemia de covid foi um gatilho para repensarmos este modelo. Faz 110 anos desde que passamos de uma semana de seis dias para uma semana de cinco dias. Chegou a hora de tornar nossas vidas melhores, para ter mais tempo livre&#8221;, defende Ryle. </p>
<p> </p>
<p><strong>Preservar a saúde e o meio ambiente</strong></p>
<p>Um dos impactos principais da proposta, já detectado em testes anteriores realizados pela 4 Day Week Global, é a melhoria na saúde dos trabalhadores – e, por consequência, no seu rendimento no trabalho. Mais descansados e motivados, os empregados rendem mais e adoecem menos.</p>
<p> </p>
<p>&#8220;O trabalhador está mais descansado, provavelmente está mais satisfeito com relação à sua rotina de trabalho. Não está estressado, não está sobrecarregado. Isso tem impactos na saúde evidentemente, porque uma sobrecarga de trabalho muito grande tem danos à saúde do trabalhador e em vários aspectos. Isso também contribui para reduzir o número de pessoas que são forçadas a entrar em tratamento por conta de jornadas longas e excessivas&#8221;, explica a economista Marilane Teixeira, e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho Da Universidade de Campinas (Cesit/Unicamp). </p>
<p> </p>
<p>&#8220;Temos 100 empresas que adotaram a semana de 4 dias e todas relatam que a produtividade aumentou, o bem estar dos trabalhadores aumentou, e sem nenhum custo extra para as empresas&#8221;, concorda Ryle. &#8220;Em muitos casos, as empresas estão alcançando maiores lucros do que antes, porque as equipes estão mais motivadas, trabalhando melhor, mais efetivos, mais descansados, mais criativos. É uma situação em que trabalhadores e empresas ganham.&#8221; </p>
<p> </p>
<p>Além do bem estar dos trabalhadores, a redução da jornada tem um impacto também para o meio ambiente. Segundo Ryke, evidências de estudos da rede organizada pela 4 Day Week Global sugerem que a semana de quatro dias ajuda a reduzir emissões de carbono, por conta dos trabalhadores realizarem um dia a menos de transporte até o local de trabalho e também porque os escritórios são usados um dia a menos, economizando eletricidade.</p>
<p> </p>
<p>&#8220;A semana de quatro dias tem a ver com viver vidas melhores, de forma mais sustentável, mais saudável. Isso vai nos dar a possibilidade de fazer a transição para uma sociedade de baixo carbono&#8221;, afirma. &#8220;Nos dar mais tempo livre vai nos possibilitar viver vidas mais sustentáveis. Ter o tempo para cozinhar uma refeição mais saudável e deixar de comprar comida pronta.&#8221;</p>
<p> </p>
<p><strong>Mais empregos, menos desigualdade</strong></p>
<p>A proposta responde a um problema estrutural em todo o mundo, e bastante sério no Brasil: as altas taxas de desemprego, subutilização de mão de obra e informalidade. &#8220;É visível que uma parte expressiva da classe trabalhadora mundial ainda cumpre jornadas superiores a 48 horas semanais, enquanto outra proporção se encontra em situação de subemprego, com jornadas muitas vezes insuficientes, que não asseguram sequer a sobrevivência&#8221;, explica a economista Marilane Teixeira, e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho Da Universidade de Campinas (Cesit/Unicamp). </p>
<p> </p>
<p>No Brasil, são 10,6 milhões de pessoas desocupadas segundo dados do Instituto brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o mês de junho. Além disso, a população subutilizada (que gostaria de ter mais horas de trabalho – e mais renda) ficou em 25,4 milhões de pessoas e 4,3 milhões de pessoas se disseram desalentadas (que desistiram de procurar trabalho). Mesmo entre os ocupados, 40,1% estão na informalidade.</p>
<p> </p>
<p>Para ela, o problema é estrutural e apenas ampliar o crescimento econômico não será suficiente para resolvê-lo. &#8220;A capacidade de gerar emprego para toda essas pessoas depende basicamente de se repensar a questão da distribuição da jornada de trabalho. Porque é muito pouco provável, dadas as inovações e os avanços tecnológicas, que se consiga, só por meio do crescimento econômico, recuperar a capacidade de gerar emprego para todos. Você precisa redistribuir o tempo social, e isso só é possível reduzindo a jornada como uma forma de permitir que mais pessoas possam trabalhar&#8221;, afirma.</p>
<p> </p>
<p>A solução passa por tornar mais justa a distribuição social dos ganhos de produtividade alcançados nas últimas décadas, por conta de avanços tecnológicos que diminuem a necessidade de mão de obra. Marilane explica que, até aqui, esses ganhos têm sido absorvidos quase que em sua totalidade pelos patrões, sem distribuição para trabalhadores ou para o conjunto da sociedade. A redução da jornada e inclusão de mais pessoas na força de trabalho são caminhos para redistribuir essa riqueza e garantir mais justiça social, ao lado da redução dos preços e do aumento dos salários.</p>
<p> </p>
<p>O piloto é uma parceria da 4 Day Week com o think tank Autonomy e pesquisadores no Boston Collegge e nas universidades de Cambridge e Oxford. Esses acadêmicos acompanham o processo com avaliações de bem estar dos trabalhadores e produtividade de todas as empresas, como parte de uma pesquisa global sobre o tema. Os resultados serão divulgados após o final do teste, em dezembro deste ano.</p>
<p>Crédito: Roberto Parizotti/Fotos Púlbicas<br />Fonte: Brasil de Fato<br />Escrito por: Nicolau Soares  edição: Thalita Pires</p>
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